Após pressão, UFMS adia retorno às aulas presenciais

05 abr, 2020 Adufms

Professores recebem homenagem em celebração ao centenário de Paulo Freire

ADUFMS cria alternativa ao COE, órgão que ignora participação de representantes de docentes, técnica(o)s e estudantes na discussão de medidas que evitem contaminação pelo novo coronavírus


Imagem ilustrativa reproduzida do Jornal de Jundiaí Regional SOB PRESSÃO da ADUFMS Seção Sindical ANDES Sindicato Nacional e da comunidade acadêmica, a reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) mudou a data de indicativo de retorno às aulas presenciais, antes previsto para 11 de maio. Nova portaria deverá indicar o início das aulas a partir do dia 18 de maio.

Mas isso não vai cessar o trabalho desenvolvido pela Seção Sindical para suspender totalmente o calendário acadêmico do primeiro semestre de 2020.


A organização sindical da(o)s professora(e)s explicou em ofícios encaminhados à reitoria o risco à saúde de docentes, estudantes e técnica(o)s administrativa(o)s  da volta às atividades didático-pedagógicas presenciais no período em que está previsto o pico de contágio pelo novo coronavírus em Mato Grosso do Sul e no Brasil. 


Em outra frente, a ADUFMS já fez denúncia no Ministério Público Federal (MPF) pedindo adiamento do retorno às aulas presenciais e a suspensão do calendário acadêmico.


Plenária remota


Na última quinta-feira 30, mais de 150 professora(e)s de todos os câmpus e da Cidade Universitária de Campo Grande, da UFMS, participaram de plenária online para discutir as dificuldades técnicas, pedagógicas e psicológicas da docência e da discência para enfrentar a questão excepcional criada pela pandemia de covid-19. 

O espaço é alternativo ao Comitê Operativo de Emergência (COE), órgão que ignorou a participação de representantes de professora(e)s, técnica(o)s e aluna(o)s na discussão de medidas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. 


A Plenária apontou que o modelo de estudos dirigidos e outras propostas adotadas pelo COE ocorreram por meio de regime de exceção, pois nem os conselhos de unidades setoriais e colegiados de cursos da UFMS foram consultados.


Foi proposta a efetivação de estratégias de comunicação que resultem na produção de materiais institucionais com objetivo de mostrar equívocos da atual proposta de estudos dirigidos e da volta às aulas, direcionados à Universidade e à sociedade, inclusive matérias pagas em jornal, mídia digitais de Mato Grosso do Sul.

Junto com a produção de material foi recomendado mobilizações remotas de aluna(o)s para entender e compreender os problemas decorrentes ao modelo atual de ensino em aulas programadas, corte de bolsas, principalmente para as ciências humanas, e outros problemas atualmente vividos pela(o)s discentes.

Apesar de a maioria das 69 universidades federais, que suspenderam os calendários acadêmicos do primeiro semestre, manter ou mesmo ampliar seus programas de assistência estudantil, a UFMS alega que, se suspender o calendário acadêmico, a(o)s estudantes carentes perderiam suas bolsas, o que não é verdade.


Realidade UFMS


Acadêmica(o)s que não têm computadores, smartphones, nem internet, ou tem acesso precário à web continuam sendo a(o)s mais afetada(o)s. A UFMS criou edital para avaliar a necessidade da(o)s acadêmica(o)s excluída(o)s digitais e posteriormente fazer cotação, bem como licitar os aparelhos necessários. Procedimento que não se sabe quando irá iniciar e terminar para que o empréstimo emergencial desses equipamentos seja efetivado.


A(o)s estudantes só terão acesso a essa estrutura operacional após quase sessenta dias do início das aulas a distância. A seleção da(o)s beneficiada(o)s será concluída dia 29 de maio.


Outra dúvida em relação a estudantes sem condições socioeconômicas, segmento no qual se insere boa parte da(o)s caloura(o)s das universidades federais, que são de outras cidades e oriunda(o)s da rede pública de educação básica, é sobre quais necessidades são importantes para que ele(a)s possam ter acesso às aulas online a distância. 

A UFMS cadastrará estudantes carentes e concederá uma bolsa-dados de internet de R$ 30 a R$ 60 para que ela(e)s tenham acesso às redes online, mas será que é suficiente para ter acesso aos conteúdos que a(o)s professora(e)s disponibilizam para fazer atividades e avaliações?


Assessoria de Imprensa da ADUFMS Seção Sindical ANDES Sindicato Nacional

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