Cláudio Saab presta depoimento na Assembleia Legislativa

01 jan, 1970 Adufms

O diretor-geral do Hospital Universitário de Campo Grande, Cláudio Wanderlei Luz Saab, disse na última quinta-feira (29), durante a oitiva da CPI da Saúde, que conseguiu reduzir a dívida da unidade de R$ 29 milhões para R$ 15 milhões. Ele declarou que desde que assumiu a direção do hospital, há 90 dias, teve como principal objetivo a renegociação das dívidas com os fornecedores.

“Quando assumi o HU encontrei um caos no local. Toda a documentação sobre contratos havia sido apreendida pela polícia e não sabíamos as reais condições de funcionamento do hospital. Encontramos a unidade com parte do teto comprometido, salas de cirurgias interditadas, pronto atendimento médico fechado pela vigilância sanitária e mais de 70 leitos improvisados nos corredores. Chamamos os fornecedores e conseguimos reduzir contratos em até 60% do valor pactuado. Outros três contratos foram anulados por valores exorbitantes”, explicou.

De acordo com o diretor-geral do HU, logo que assumiu a unidade, decidiu procurar ajuda dos órgãos controladores para manter o hospital funcionando. “Queremos o máximo de transparência na nossa gestão e por isso fomos buscar ajuda dos órgãos controladores. A dívida mensal quando assumi era de R$ 5 milhões e só recebia R$ 2 milhões. Hoje temos 257 leitos funcionando normalmente”, garantiu.

Ainda conforme Saab, na obra para reforma do telhado da unidade, no valor original de R$ 5 milhões, o custo foi reduzido para R$ 4,5 milhões. “Estava tudo irregular no termo de referência. Chamamos as empresas responsáveis pela obra para renegociar o valor. Deixei claro que o dinheiro está empenhado, mas só vou pagar por aquilo que for feito. Essas foram as ações realizadas por nós desde que assumimos a unidade. O HU não faz terceirização sem passar pela procuradoria jurídica. Mostrei ao procurador que não tinha como pagar os terceirizados, mas eles nos deram descontos para cumprirmos com os débitos que estavam atrasados em janeiro deste ano”, reiterou.

Em relação aos aceleradores lineares, Saab declarou que já solicitou o aparelho e pretende reabrir o serviço de oncologia o mais breve possível, mas não mencionou data.

Histórico

Empossado diretor do HU/UFMS (Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) após os escândalos divulgados durante a Operação Sangue Frio, Cláudio Wanderley Saab está à frente do hospital desde o dia 27 de maio deste ano. “A única coisa que tentei fazer foi manter o hospital aberto e atendendo o público”, lembrou.

O atual diretor, que substituiu José Carlos Dorsa, possivelmente envolvido nos escândalos de desvio de dinheiro do SUS (Serviço Único de Saúde), revelou que teve que renegociar diversos contratos e cancelou outros.

Saab não soube informar quantos contratos tiveram que ser negociados. “Mas fui direto, cheguei nas empresas e falei ‘eu não tenho como pagar, o que vamos fazer?’”, comentou.

Ainda segundo o diretor do HU, o hospital tem um gasto mensal de R$ 5 milhões, acumulando déficit de R$ 800 mil a cada 30 dias. Saab comentou que a situação deve ser normalizada com a entrada de verba federal, já garantida pela União, mas que ainda não chegou ao HU/UFMS.

A verba da União deve ajudar também na reabertura do PAM (Pronto Atendimento Médico) do hospital.

Saab lembrou que muitas empresas atuam em outros hospitais, cobrando até três vezes menos do que ganhavam do HU. Dívidas com convênios também foram negociadas, em até 18 vezes.


ADUFMS-Sindical, com informações da assessoria de imprensa da CPI da Saúde e do site Campo Grande News

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