Condolências pelo falecimento de Luiz Carlos, professor aposentado da UFMS

08 maio, 2020 Adufms

Professores recebem homenagem em celebração ao centenário de Paulo Freire

5-08-2020

Funções docentes na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e na Unesp fizeram parte da vida acadêmica do cientista

ADUFMS Seção Sindical ANDES Sindicato Nacional manifesta pesar pelo falecimento de Luiz Carlos de Freitas, 74 anos, físico, advogado e professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O pesquisador morreu no último domingo 2 de agosto, de Covid-19, em Campo Grande. Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Unimed da capital sul-mato-grossense, ele lutou contra a doença durante trinta dias. Deixou duas filhas, um filho, um neto e uma neta. “Ia fazer 75 agora dia 15”, conta a advogada Marcia Harue Ishige de Freitas, uma das filhas. “Meu pai tinha 74 anos, mas era um jovem. Viajava o mundo depois de aposentado. Praticava esportes. E tinha muita saúde”, recorda Marcia Harue.

Luiz Carlos por Luiz Carlos: viagem ao Japão no início de 2019O docente era associado da ADUFMS. Diretoras, diretores, presidência, vice-presidência e funcionárias/os da entidade se solidarizam com familiares, amigas/os do cientista e com toda a comunidade da UFMS.

Protocolos sanitários, em função da pandemia, não permitiram que a família acompanhasse pessoalmente o tratamento do professor e nem fizesse velório. Marcia explica que o corpo de Luiz Carlos foi cremado. “Eu imaginando o terno que ele usaria, se ele teria a barba feita”, lamenta a filha, pela família não poder velar o corpo. Por meios virtuais, usando o aplicativo Zoom, na terça-feira 4 foi realizada uma cerimônia de despedida do físico.

O professor Luiz Carlos de Freitas ingressou como docente concursado na UFMS em 1979, ano em que a instituição foi federalizada. Os Ishige-Freitas ainda moravam em Ilha Solteira (SP). Ótica (lasers e telescópios) era a área de pesquisa em que atuava o físico, que também exerceu o magistério superior na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Luiz Carlos nasceu em Barretos, interior do Estado de São Paulo.

As funções docentes na UFMS e na Unesp fizeram parte da vida acadêmica do cientista. Por mais de 15 anos, ele atuou na UFMS, até se aposentar na segunda metade da década de 1990.

O comerciante Lucas Fernando Ishige de Freitas escreveu homenagem da família a seu pai, Luiz Carlos de Freitas

Muitos de vocês conheceram ele como o "Freitas" na federal do Mato Grosso do Sul, ou o "Linguiça" na USP, ou simplesmente o "Luizão", advogado. Eu, Lucas, e minhas duas irmãs, Marcia e Sylvia, o chamávamos carinhosamente de "Papi". Ele foi o nosso pai.

O Papi teve diversas versões ao longo da sua vida. Alguns de vocês conheceram apenas a versão "Advogado". Mas a minha versão favorita do meu pai é o Papi físico, cientista. É o Papi curioso – meu pai era um amante do conhecimento. O maior presente que meu me deixou é a valorização do pensamento crítico, de sempre questionar as coisas.

Em um dado momento na sua vida ele descobriu a ciência e se espantou com a imensidão que ela revela para cada um de nós. Essa sensação de descoberta foi ele que plantou em mim (e como eu gostaria de ter compartilhado mais com ele!).

O que você faria com R$ 39.429.581?

E com 39.429.581 minutos?

Qual vale mais?

Pois meu pai viveu aproximadamente 39.429.581 minutos. São aproximadamente os seus 74,9 anos.

A escala do quão efêmera é a nossa vida meu pai compreendia muito bem, por isso tratou de aproveitar o tempo que ele teve.

Meu pai passou uma parte da sua vida de físico olhando para o céu, para galáxias tão distantes que nós somos incapazes de imaginar. E assim são as memórias que guardarei do meu pai: eu sei que nunca mais reencontrarei meu pai, conversarei com meu pai, tocarei meu pai. É como olhar para a imensidão do cosmos sabendo que nunca poderei tocar as estrelas, galáxias, planetas distantes. Mas eu aceito o consolo de poder olhar dentro da minha mente e apenas admirar o que ele deixou aqui comigo. É como olhar para as estrelas distantes.

Ele pode ter sido advogado tarde na vida, mas o Papi nunca deixou de ser professor. Eu tenho certeza que ele deixou muitas lições para vocês. Espero que ele agora seja o "Papi" de vocês.

As suas lições farão falta. Muita falta.

Obrigado, Papi.

Marcia Harue Ishige de Freitas faz um alerta sobre a Covid-19, que causou o falecimento de seu pai, e lembra as/os que perderam parentes infectadas/os pelo novo coronavírus. “As pessoas precisam saber que isso existe, para que não levem essa pandemia de forma tão leviana. Não são só vidas que se perdem. São famílias que ficam em luto sem ter o direito ao luto. Temos que ter respeito e senso de comunidade. Solidarizamos com todas as famílias que perderam entes queridos nessas circunstâncias.”

Assessoria de Imprensa da ADUFMS Seção Sindical ANDES Sindicato Nacional

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