Docentes da UFMS discutem e decidem nesta quarta-feira rumos da greve. Manifestantes em Brasília pedem que Mercadante marque reunião com o CNG

10 jun, 2015 Adufms

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Há 115 dias de greve e ainda sem data confirmada de reunião dos/as representantes nacionais da categoria com o ministro da Educação Aloizio Marcadante, docentes da UFMS discutem e votam nesta quarta-feira 7, a partir das 13h30min, as próximas ações do movimento. A Assembleia Geral direciona-se a todos/as professores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, independente de ser ou não filiados/as à

ADUFMS-Sindical

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Para a docência do

Campus

de Campo Grande, a Assembleia será no Auditório 2 do Complexo Multiúso. No interior ela ocorrerá em locais definidos pela representação de cada

Campus

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Fotos baixadas da página do CNG no

site

do Andes-SN


Andes-SN



Centenas de professores de todo o país participaram na

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manhã da segunda-feira 5 do ato em frente ao Ministério da Educação (MEC), em Brasília. O Dia Nacional de Luta e Mobilização em Defesa da Educação Pública foi organizado pelo Comando Nacional de Greve (CNG) dos/as docentes federais para marcar a data em que deveria acontecer a reunião entre o CNG e o ministro da Educação. O ato, que contou com mais de 400 pessoas, foi realizado em unidade com o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e teve a participação do movimento estudantil. Nos estados, também aconteceram manifestações.


Durante toda a manhã, uma comissão do CNG cobrou a reunião, agendada pelo MEC no último dia 24 e condição imposta pelos docentes para saíssem do gabinete ministerial, ocupado pelos grevistas naquela data. O secretário da Secretaria de Educação Superior (SESu-MEC), Jesualdo Farias, comunicou que a audiência não teria como ser realizada, pois a pasta estava sem representante, uma vez que o novo ministro, Aloizio Mercadante, só seria empossado no final da tarde da segunda 5. Segundo Farias, assim que assumisse o posto, Mercadante poderia cumprir com a agenda.


Os docentes cobraram então um documento oficial do MEC de que o novo ministro receberia o Andes-SN tão logo fosse feita a transição do cargo, marcada para esta quarta-feira 7. No final da manhã, o documento foi entregue, destacando que “a agenda com o Ministro da Educação será reorganizada para atender as diversas solicitações, incluindo a pauta com o Andes”.


Saulo Arcangeli, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, afirmou que o Dia Nacional de Luta e Mobilização em Defesa da Educação Pública é mais uma ação importante pró-educação. “São quatro meses de greve, com grandes embates com o governo. É uma greve muito difícil, mas em que os professores mostram unidade, e contam com apoio dos demais servidores. Infelizmente, e pela quarta vez, trocam o ministro da Educação, o que demonstra uma falta de responsabilidade com a Educação, além dos cortes na área, que somam mais de R$ 11 bilhões. E este momento é importante para o Ministério da Educação responder à pauta protocolada pelo Andes-SN”, disse.


Marinalva Oliveira, vice-presidente do Andes-SN, ressalta que os/as professores/as atenderam ao chamado do CNG para participar do ato. “Nós tivemos a presença de 400 pessoas, na sua maioria professores e isso é muito bom. Mostra a força da unidade da nossa base nesta greve, e também na pressão ao Ministério da Educação para responder à nossa pauta. Infelizmente, o MEC, mais uma vez, não cumpre com o compromisso assumido, tanto de responder à nossa pauta quanto de realizar reuniões. Desta vez, o secretário da SESu alegou que não tem ministro neste momento, que vai ser empossado hoje e só fará a transição na quarta-feira. E nós exigimos, num documento por escrito, que na quarta-feira 7 seja incluída na agenda do ministro a reunião com o Andes”, contou.



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De acordo com Marinalva, a avaliação é de que, duran

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te a greve, o CNG vem realizando vários atos e que todas as atividades foram de extrema importância, pois só por meio da pressão, os/as docentes conseguiram alguma manifestação por parte do governo.


“Sem pressão, aqui não conseguimos nada. Isso mostra o descaso que esse ministério tem com a Educação, com os problemas que as universidades e institutos estão vivendo. Porque o central da nossa pauta é a defesa das universidades públicas e a luta contra os cortes que a Educação vem sofrendo, pois nós sabemos que as instituições federais de ensino estão vivenciando um caos. E os professores têm se mostrado dispostos, com a greve que está em curso, a continuar lutando e a continuar pressionando até que a gente consiga avançar em nossas reivindicações”, completou.



Atividades




Durante todo o dia, diversas atividades ocorreram no ato em frente ao MEC. Entre elas, aulas públicas sobre o Orçamento da União e a Dívida Pública, com Maria Lucia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida – que recentemente participou do processo de auditoria da dívida da Grécia – e sobre os institutos federais de Ensino, com o professor Valerio Arcary, do IF de São Paulo. Em sua explanação, Arcary fez um resgate histórico da educação federal técnica e tecnológica no país, pontuando as reformas ocorridas durante os últimos governos.  A dupla de clowns do Coletivo do Contra também realizou performance durante o ato.


Em sua aula, Maria Lucia Fattorelli ressaltou que o esquema da dívida pública é o principal motivo para a situação econômica em que se encontra o país, já que consome metade do orçamento da União. A representante da Auditoria Cidadã afirmou que é evidente que a meta do país não é com a Educação, ou com a Saúde, mas sim com o

superavit

primário, com a transferência de recursos para o mercado privado e, consequentemente, com as privatizações.


Fattorelli denunciou os mecanismos financeiros adotados pelo Banco Central (BC), desde o ano passado, como o “swap cambial”, que resultou em um prejuízo de cerca de R$ 158 bilhões aos cofres públicos nos últimos 12 meses. “Esse mecanismo transferiu recursos públicos de áreas sociais – como a Educação e Saúde, para os banqueiros e grandes empresas”, destacou, reforçando que esse é um “megaesquema” de corrupção.


“São contratos firmados entre o Banco Central, com outros bancos e grandes empresas para garantir a variação cambial do período. Por que o Banco Central oferece esses contratos? Ele [BC] entende que se houver uma procura muito grande por dólar, ele valoriza, e tende a subir a cotação. Então ele paga a esses investidores a diferença cambial. Como o dólar subiu, o BC teve que bancar esse prejuízo com a emissão de títulos da dívida. Desde o ano passado foram R$ 158 bilhões neste tipo de transação”, contou.


Por fim, Fattorelli convocou os/as presentes a atuar em seus estados para a criação, onde não haja, e o fortalecimento – nos locais onde já existem – dos núcleos estaduais da Auditoria Cidadã. Ela citou como exemplo o Núcleo pela Auditoria da Dívida recém-fundado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A arma para enfrentar esse calote é o conhecimento”, disse, ressaltando que não é à toa que a Educação está sob tantos ataques.



Violência


No encerramento da atividade, em ação truculenta, a Polícia Militar do DF atacou os docentes e estudantes que participavam do Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação Pública, em frente ao prédio do Ministério da Educação. Enquanto se preparavam para deixar o local, foram encurralados por policiais, que agrediram violentamente os participantes com cassetetes e spray de pimenta.


Um estudante foi detido e, segundo relatos, encaminhado à sede da Polícia Federal. A Assessoria Nacional Jurídica do Andes-SN foi acionada e presta o apoio necessário.


Segundo Marinalva Oliveira, a ação da polícia foi extremamente covarde e violenta, e mais uma vez caracteriza a repressão do Estado, que utiliza de seu braço armado para agredir e criminalizar movimentos que lutam em defesa dos direitos sociais.

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