Em palestra na UFMS, docentes veem impeachment de Dilma como golpe e alertam para retrocessos

01 jan, 1970 Adufms

Professores recebem homenagem em celebração ao centenário de Paulo Freire



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Professora Constantina Xavier Filha denuncia propaganda enganosa e manipuladora contra gênero, sexualidade e etnia

(foto: Gerson Jara/ADUFMS-Sindicato)

A forte manipulação midiática por  grupos oligopolizados  de comunicação, somada à campanha difamatória contra a presidenta Dilma Rousseff pelas redes sociais e às interpretações político-partidárias da Constituição Federal por setores do Judiciário, tem criado marcos para um golpe contra a democracia, depois de décadas de avanços históricos de políticas sociais e econômicas.

Esses fatos foram evidenciados na palestra-debate Universidade pela Democracia, realizada na quinta-feira 14, em auditório do Complexo Multiúso da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Campo Grande, promovido pela

ADUFMS-Sindicato

e pela

Frente Brasil Popular

. Participaram do evento o docente Paulo Edyr Bueno de Camargo, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS); a docente Constantina Xavier Filha, da UFMS; o docente Tiago Resende Botelho, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD); Roberto Botoreli; a estudante Panela Kenne, do Curso de Psicologia e diretora de Extensão da  União Nacional dos Estudantes (UNE);  o advogado Mário Fonseca (PCdoB), o deputado estadual Pedro Kemp (PT) e o vereador Marcos Alex Azevedo de Melo (PT), integrantes da

Frente Brasil Popular de Mato Grosso do Sul

.

O professor Paulo Edyr Bueno de Camargo (UEMS) fez breve retrospectiva histórica do papel das elites conservadoras contra a democracia, frente aos governos de caráter popular e democrático, usando como pretexto a bandeira da corrupção como instrumento de ruptura da vontade popular conquistada nas urnas. Citou os  golpes contra os governos Getúlio Vargas e João Goulart. Segundo o docente, o momento envolve os mesmos atores sociais e interesses oligárquicos dos grandes grupos econômicos nacional e multinacional, bem como de setores da imprensa.

A acadêmica de Psicologia Pamela Kenne reafirmou a posição contrária da UNE ao golpe. Destacou os avanços das universidades nos últimos governos, defendeu a importância de investimentos em melhores condições de estudos e de infraestrutura nas universidades brasileiras. Lembrou que

o golpe é patrocinado por



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Docentes consideraram a tentativa de

impeachment

como golpe à democracia

(foto: Gerson Jara/ADUFMS-Sindicato)

interesses internacionais e deve ser enfrentado nas ruas pelos estudantes e os movimentos sociais.

Já a professora Constantina Xavier Filha (UFMS) denunciou a construção preconceituosa, estereotipada e agressiva com a imagem da mulher, na pessoa da presidenta Dilma Rousseff. Apresentando

mênis

postados no facebook, alertou para a campanha “terrorista” orquestrada contra as políticas de gênero, raça e de livre orientação sexual. Essa prática induz, erroneamente, as pessoas a crer que o Ministério da Educação (MEC) é o responsável pela adoção de cartilhas de cunho marxista que visaria estimular a homofobia e a sexualidade em crianças. “Uma inverdade espalhada pelas redes sociais, pois sou da comissão do MEC que avalia e aprova a adoção destes materiais. Várias publicações sequer são do Brasil. Muito menos adquiridas para distribuição nas escolas”.

Constantina alerta que o Golpe patrocinado pelas forças conservadoras, que tentam interromper o mandato de Dilma, pode provocar  retrocessos na política de gênero, raça e de orientação sexual, conquistada por muita pressão pelas minorias, nos últimos anos. Citou como exemplo o projeto de Lei Escola Sem Partido (Lei da Mordaça), fomentado pelo Instituto Conservador, que tenta silenciar os/as professores/as e impedir a discussão de temas que contribuem para uma sociedade democrática, humanizada e socialmente justa.

Para o professor de Direito da UFGD, Tiago Botelho, o pedido de

impeachment

não tem fundamentação jurídica, pois não envolve violação à Lei Orçamentária. As pedaladas praticadas por Dilma, por meio de decreto, desrespeita aspecto da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que não é crime tipificado constitucionalmente para impedimento. Lembrou que a movimentação contábil foi autorizada pela Câmara dos Deputados.

Botelho conclamou a comunidade universitária a reagir contra o Golpe, pois a queda da presidenta Dilma pode provocar danos irreparáveis à educação, à universidade pública, à política de expansão de vagas e interiorização de cursos. Não poupou críticas a decisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por assumir uma postura partidária e apoiar uma iniciativa ilegal.



Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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