‘Enquanto eles dão o grito da independência, nós damos o grito dos excluídos’






Fotos: Arnor Ribeiro/ADUFMS-Sindicato.

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As mulheres e seus movimentos protestavam contra o feminicídio (

foto




à esquerda

). Representantes de igrejas exigiam governo mais democrático e voltado às políticas sociais. Camponesas e camponeses assentadas/os e as/os sem-terra acampadas/os gritavam em coro “fora Temer, fora Temer, fora Temer…! Pediam iniciativas em prol da agricultura familiar, da continuidade da reforma agrária e mais participação em tudo que afeta a sociedade. Indígenas cobravam demarcação de suas terras. Bancárias e bancários defendiam os bancos públicos. Outras e outros cobravam respeito a direitos trabalhistas e previdenciários conquistados em décadas de luta, não faltando manifestação em letras garrafais contra quem de Mato Grosso do Sul votou no Congresso Nacional em prejuízo da população: senadora Simone Tebet (PMDB), senadores Waldemir Moka (PMDB) e Pedro Chaves (PSC) deputada federal Teresa Cristina (PSB), deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM), Geraldo Resende(PSDB), Carlos Marun (PMDB) e Elizeu Dionizio (PSDB).

Enquanto o poder constituído desfilava na terra e no ar seus aparatos repressivos, no Sete de Setembro, aos olhos do público em pé na calçada ou sentado nas arquibancadas e das autoridades de palanque (púlpito do poder), enquanto estudantes da educação básica, militares e representantes de outras instituições marchavam pelo Centro de Campo Grande, fora desse teatro de operações civilistas de demonstravam de força com um certo ar de intimidação, em outro ponto, concentravam pessoas, entidades de movimentos sindicais, sociais e de defesa dos direitos humanos. Aguardavam o momento de sua andança.




Todas e todos, campo-grandenses ou não, com seus clamores se




reuniam na rua Marechal Cândido Rondon para o 23º Grito das/os Excluídas/os na capital de Mato Grosso do Sul. Bradavam por uma Justiça sem olhos vendados às causas sociais, por governos federal e estadual comprometidos com o povo, sem as negociatas em surdina – surdina não; às claras, na convicção da impunidade.

Representante do Conselho Terena, Eder criticava o Marco Temporal que limita os direitos das etnias indígenas do Brasil, porque estabelece como referencial 1988 (ano em que foi promulgada a atual Constituição Federal), ou seja, a partir daquela data, só poderiam ser demarcadas as áreas nas quais havia indígenas vivendo. “Vamos nos fortalecer!”, dizia. Eder se referiu à ‘emancipação’ política do Brasil como data que simboliza a exclusão das populações tradicionais brasileiras: índias/os e quilombolas. “O dia que não é independência, mas o extermínio dos povos.”

Do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) o prolongamento da frase de Eder. “Enquanto eles dão o grito da independência, nós damos o grito dos excluídos.” Trabalhadoras e trabalhadores rurais, com terra e sem terra, juntos com o Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária (MCLRA) e MST em uma luta que “é para vencer”, afirmava-se.

Terminado o desfile oficial da ‘independência’, andam as pessoas e entidades pela rua 14 de Julho com suas faixas, bandeiras e banners. Cidadãs e cidadãos de todos os matizes políticos. Sejam militantes partidários, de movimentos ou não. Crianças, adolescentes, jovens, LGBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais), idosas/os… Todas e todos caminhando sob os olhare




s de quem estava na calçada e na




arquibancada. Iam em direção ao cruzamento da avenida Afonso Pena com a 14 de Julho, em frente à praça Ary Coelho. E as

otoridades

!? Não mais estavam no palanque. Sintomático de o quanto elas não querem ouvir críticas e protestos do povo, das gentes… Como se dizia em uma faixa,

“se liga Azambuja!”

Entre as entidades sindicais que participaram do Grito das/os Excluídos estavam

ADUFMS-Sindicato

, Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande (

Sintracom-CG

), Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública (

ACP

), Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (

Fetems

), Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Telégrafos e Similares de Mato Grosso do Sul (

Sintec-MS

), Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Campo Grande-MS e Região (

Seeb-CG-MS

), Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviço de Esgotos no Estado de Mato Grosso do Sul (

Sindágua-MS

),  Sindicato dos Funcionários e Servidores Municipais  de Campo Grande (

Sisem

) e centrais. Docentes, técnicas/os administrativas/os da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) carregavam bandeiras e faixas. Em frases da

ADUFMS-Sindicato

o alerta de que a luta pelos direitos de trabalhadoras/es continua, mesmo com aprovação de mudanças que acabam com direitos conquistados. “Reforma trabalhista é golpe contra nossos direitos! Não aceitamos!”









Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato