MULHERES SÃO FORTEMENTE AFETADAS PELA DETERIORAÇÃO DO MERCADO DE TRABALHO EM 2020

08 mar, 2021 Adufms

Professores recebem homenagem em celebração ao centenário de Paulo Freire

De acordo com Boletim do DIEESE divulgado hoje, Entre os três últimos meses de 2019 e o ano de 2020, considerando todos os fatores sanitários, sociais e políticos da pandemia do novo coronavírus no último ano, o contingente de mulheres fora da força de trabalho aumentou 8,6 milhões, a ocupação feminina diminuiu 5,7 milhões e mais 504 mil mulheres passaram a ser desempregadas, segundo os dados da PNADC. 

Os resultados se mostraram mais graves para as mulheres negras e para as trabalhadoras domésticas. A taxa de desemprego das mulheres negras e não negras cresceu 3,2 e 2,9 pontos percentuais, respectivamente, sendo que a das mulheres negras atingiu a alarmante taxa de 19,8%. No caso das trabalhadoras domésticas, 1,6 milhões de mulheres perderam seus trabalhos, sendo que 400 mil tinham carteira assinada e 1,2 milhões não tinham vínculo formal de trabalho. 

Já o contingente de trabalhadoras informais, exceto das do emprego doméstico, passou de 13,5 milhões para 10,5 milhões, indicando outro grupo expressivo que perdeu o trabalho e a renda. 

As consequências para este contingente de mulheres negras e mais pobres refletiram um agravamento da situação de pobreza e de exclusão social. 

RECOLOCAÇÃO NO MERCADO

Para muitas, foi necessário sair de casa para buscar uma inserção, ou seja, escolher entre algum trabalho e renda ou a proteção de sua vida e da família. Para o grupo de mulheres, com maior escolaridade, que foram realizar seu trabalho em casa, entre 2019 e 2020, o rendimento médio por hora aumentou: entre as negras passou de R$ 10,95 para R$ 11,55 e entre as não negras, de R$ 18,15 para R$ 20,79. 

Essa elevação se deu principalmente por efeito estatístico, quando da saída de mulheres com menores rendimentos do mercado de trabalho e a permanência daquelas com maiores salários. No entanto, a conciliação dos cuidados com os filhos fora da escola; a preocupação com os idosos sob sua responsabilidade; os afazeres domésticos e as longas jornadas tenderam a agravar problemas de saúde física e mental dessas mulheres. 

                                   Imagem de Tumisu por Pixabay  

DESIGUALDADE SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES

Essa crise sanitária, econômica e social reforçou a distância salarial entre homens e mulheres. em 2020, elas seguiram ganhando menos, mesmo quando ocupavam cargos de gerência ou direção, para elas a hora paga foi de R$ 32,35 e para eles, de R$ 45,83. Ou seja, com a mesma escolaridade, mesmo cargo e mesmas atribuições se uma mulher ganha R$ 3.910 um homem ganha R$ 4.910. 

Para a juventude feminina, este cenário de pandemia trouxe a desilusão em relação ao futuro e em muitos casos, o abandono dos estudos e da qualificação. Os efeitos para o país foram desastrosos e se essa situação permanecer em 2021, o desenvolvimento do  futuro do país estará seriamente comprometido. 

Compartilhe: