Pesquisa do Dieese contradiz publicações da reitoria sobre desempenho institucional

01 jan, 1970 Adufms

Professores recebem homenagem em celebração ao centenário de Paulo Freire

15-07-2020

Cursos de graduação foram extintos na UFMS

 ESTUDO do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Escritório Regional de Mato Grosso do Sul (Dieese-MS), mostra que a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) manteve sua nota quatro em avaliações do Índice Geral de Cursos (IGC) no período 2007-2018. Os resultados da pesquisa indicam que nesses anos a Universidade não aumentou nem diminuiu seus conceitos. Enquanto instituição, a UFMS obteve nota três na última avaliação em 2009 do Conceito Institucional (CI), que tem como escala máxima cinco. As formulações do Dieese-MS tiveram como referência dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep, Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes – Enade) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

levantamento aponta desempenho mediano, distante do que vem sendo mostrado pela direção central da UFMS, que acredita ter consolidado “liderança no estado de Mato Grosso do Sul e no Brasil”. Embora a UFMS se mantenha estável entre 2007 e 2018 e se destaque no cenário estadual, o Dieese-MS considera que os indicadores podem “sugerir certa dificuldade em avançar para níveis de excelência alcançados por outras instituições de porte semelhante”. Apesar disso, a Universidade teve melhorias pontuais em sua atuação acadêmica.  

A Educação a Distância teve desempenho modesto em relação à ideia de excelência defendida pela reitoria. Na UFMS, “o Conceito Institucional EaD tem avaliação datada do ano de 2013, e a nota foi 4”, analisa o Dieese-MS

As compilações do Dieese-MS permitem uma radiografia de como estão a graduação e a pós-graduação na UFMS, a partir de 2014. Quatro cursos de graduação foram extintos: dois no Câmpus de Naviraí (CPNV), Engenharia Civil e Engenharia Elétrica; um no Câmpus de Nova Andradina (CPNA), Engenharia Civil; um no Câmpus de Bonito (CPBO), Turismo e Meio Ambiente. O próprio CPBO foi desativado.

Outras três graduações constam como em processo de extinção: Geografia, Câmpus do Pantanal (CPAN, Corumbá); Letras – Português e Espanhol, no Câmpus de Coxim (CPCX); Matemática e Computação Científica, no Câmpus de Três Lagoas (CPTL). Além disso há vários cursos com entrada de novas turmas suspensas na instituição, como é o caso de História (CPCX) e Ciência da Computação no Câmpus de Ponta Porã (CPPP).

O desempenho das pós-graduações da Universidade orienta para um entendimento sobre esses programas. 

Preocupa o número de pós desativadas ou em desativação na UFMS por insuficiência. “O Programa de Odontologia está em fase de desativação, em função da nota 2, tanto na avaliação, quanto na reconsideração. Outros dez programas, todos na modalidade Acadêmico, foram desativados”, aponta o Dieese-MS, baseado em informações da Capes.

Foram pesquisados 46 mestrados – 42 mestrados acadêmicos, quatro mestrados profissionais – e 21 doutorados. Somando-se mestrado e doutorado, vinte cursos obtiveram três, nota mínima para que continuem funcionando. Outros vinte foram avaliados com quatro. Apenas cinco conseguiram nota cinco. Só o programa de pós com mestrado e doutorado em Ecologia chegou à nota seis, mesmo assim a última avaliação aponta deficiência na estrutura física, que é responsabilidade da administração central. A escala avaliativa vai de um a sete, sendo seis e sete de excelência internacional.  

Ranking – Entre as vinte instituições de ensino superior (IES) brasileiras analisadas na Golden Age University 2020, da Times Higher Education (THE), avaliação de universidades que surgiram no pós-Segunda Guerra Mundial,  fundadas no período 1945-1967, a UFMS ocupa tão somente a penúltima posição, à frente apenas da Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Este índice se dá entre as instituições nacionais que se inscrevem, significando, portanto, que são dados sem relevância estatística e servem apenas como amostragem. Na Golden Age deste ano, a THE classifica 308 universidades em todo o mundo. A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul se posiciona na 304ª posição, ou seja, é uma das piores instituições entre as escolhidas pela THE. 

A colocação nesses últimos anos no quadro geral, envolvendo instituições de todo o mundo, revela uma modesta contribuição da UFMS. Nos World University Rankings 2020, da THE, a Universidade fica abaixo da milésima posição.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS Seção Sindical ANDES Sindicato Nacional

Compartilhe: