REMOÇÃO ARBITRÁRIA DE PESQUISADORAS DO COVID-19, INTERROMPE PROJETOS E INDIGNA COMUNIDADE ACADÊMICA

25 jan, 2021 Adufms

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Mais uma vez a comunidade acadêmica da UFMS foi pega desprevenida com uma atitude arbitrária e autoritária por parte da atual gestão da UFMS. A remoção das servidoras Sandra Maria Oliveira, Cleodete Gomes e da professora Mariana Garcia Croda de atividades relativas à docência, pesquisa e extensão. As duas enfermeiras e a docente atuam na Famed (Faculdade de Medicina) há dez anos. Com a remoção, as pesquisadoras precisam interromper estudos relacionados ao covid-19, justamente durante um dos períodos mais críticos da pandemia, a chamada segunda onda. 

Conforme informado pela reitoria à Famed (Faculdade de Medicina), a remoção das servidoras foi feita a pedido da superintendência do HU (Hospital Universitário). Elas estão cedidas desde 2011 e devem voltar a atuar no hospital pela justificativa da necessidade de assistência a pacientes com covid-19. No entanto, a contradição é que as servidoras têm dado assistência aos profissionais de saúde desde o início da pandemia. 

Atuam conjuntamente na coordenação de um projeto de pesquisa com 550 profissionais de saúde do HU e do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul –  unidade de referência no combate a covid-19; na avaliação sistêmica integrada da covid-19 no Estado;  coordenaram o laboratório de apoio ao diagnóstico da doença para rede pública e privada; a plataforma de divulgação científica “Juntos contra a covid-19”; além de realizar a orientação de alunos. 

“Desde março de 2020 atuamos na linha de frente do combate ao novo coronavírus, conta a enfermeira Sandra Maria Oliveira. “Eu, particularmente, atendi mais de 600 pacientes; colhi exames de Covid de profissionais de saúde, coordenei uma escala de Enfermeiros Voluntários que vinham ajudar em suas folgas pós-plantão; montei um Webinário para todo o Centro-Oeste em que 1000 servidores participaram e apoiei professores em suas pesquisas”.

De acordo com Oliveira, em março de 2020 o HU havia solicitado os servidores que haviam sido removidos para outros setores da UFMS. “Mas estamos em janeiro de 2021. Em 2020 apenas quatro servidores foram removidos e agora, repentinamente, mais três. Nos questionamos quanto à escolha destes profissionais específicos que estão com pesquisas e projetos importantes relacionados ao COVID-19 em andamento. Qual foi o critério? Porque essa escolha? Interromper projetos tão fundamentais nesse momento?” questiona a enfermeira e pesquisadora. 

Curiosamente a remoção ocorreu NA MESMA SEMANA em que Oliveira foi  chamada pela OMS (Oganização Mundial de Saúde) a colaborar em um texto científico sobre evidências, relacionado ao COVID-19. 

“Colaborei desde o início da pandemia de todas as formas que pude, me expus, em nenhum momento exitei em colaborar como tenho colaborado há 24 anos.* Meu cargo permite que eu atue em assessoramento de pesquisa, extensão e ensino, por isso atuo fortemente nessas áreas há 10 anos. Mas tive que ouvir após ser removida do dia pra noite que técnicos de nível superior “não precisam opinar sobre suas remoções ou desvio de função”.

De acordo com o presidente da ADUFMS, Prof. Marco Aurélio Stefanes, a diretoria da Adufms lastima e repudia que a gestão da Ufms venha tomando atitudes que comprometem o andamento de projetos importantes para a instituição e para o país. Seus profissionais e pesquisadores se sentem desprestigiados e desmotivados com tais atitudes, além de caracterizar um desrespeito com os profissionais e uma falta de sensibilidade como ser humano.” Para o professor, mesmo que o caso não tratasse de pesquisa da Covid-19, trazendo graves consequências em vários níveis, já seria questionável.

Estudantes e docentes do curso de Medicina da UFMS emitiram nota de repúdio contra o pedido de remoção. Em nota, o CAMGH (Centro Acadêmico de Medicina Günter Hans) também se pronunciou afirmando que a remoção determinará prejuízos incalculáveis para a pesquisa científica, para o desenvolvimento acadêmico da UFMS e, por fim, para a população sul-mato-grossense. 

*LEIA AQUI A CARTA ABERTA DE SANDRA MARIA OLIVEIRA À COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFMS

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