Organização sindical dos docentes e das docentes da UFMS

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Justiça Federal acata pedido da reitoria e desapropria sede da ADUFMS-Aquidauana

Em reunião com a direção da ADUFMS-Sindicato, Turine alega dificuldades para retirar ação de despejo, mas propõe acordo de transição

A Justiça Federal determinou liminarmente a desapropriação da sede própria da ADUFMS-Sindicato construída dentro da unidade II do UFMS no Câmpus de Aquidauana (CPAQ). De acordo com a assessoria jurídica a direção da entidade deverá notificada oficialmente da decisão nos próximos dias.

O processo de desapropriação da sede do Sindicato no CPAQ foi pauta de reunião envolvendo a direção da entidade sindical e o reitor Marcelo Turine. Na audiência ocorrida na segunda-feira (26.11), 10h, ficou acordado que o Sindicato encaminhasse com a máxima urgência a minuta de acordo para a assessoria jurídica da UFMS. Ela seria  avaliada sob ponto de vista legal e encaminhada à Justiça Federal.

O diretor de comunicação da ADUFMS-Sindicato, Antonio Firmino de Oliveira Neto, e a representante da Comissão de Docentes de Aquidauana, Olga Maria dos Reis Ferro, reiteraram ao Reitor a intenção da entidade sair do espaço e de cumprir a determinação judicial, mediante acordo de transição. Apresentaram como alternativa a manutenção da sede por período de 5 anos, em regime de  comodato, e a imedidata cedência do espaço da atual lanchonete e a sala de fotocopiadora para reforma visando a instalação do futuro restaurante universitário da unidade. Neste espaço de tempo, o Sindicato adquiriria novo imóvel e acumularia recursos para construção da nova sede, que deverá ser próximo a unidade II do campus.

Olga Ferro esclareceu que em momento algum as direções do Sindicato agiram de má fé ou prevaricaram, visto que a construção da sede, com recursos próprios da ADUFMS-Sindicato, foi mediante acordo entre a direção da gestão de 2003 e a reitoria da UFMS, homologado pelo Conselho Universitário (COUN). Toda a documentação necessária para a concretização do contrato de comodato foi encaminhada para a Pró-reitoria da Administração, à época, mas a tramitação ficou parada. Frisou que a parceria teve o caráter social visto que o funcionamento do restaurante e da fotocopiadora foi solicitado e autorizado pela administração daquele período,  pois a unidade não dispunha de espaço para oferecer os serviços para a comunidade acadêmica do novo campus, distante do centro da cidade.

Marcelo Turine afirmou que não poderia retirar o processo de tramitação, como foi proposto pelos professores em assembléia geral, pois estava atendendo recomendação da Controladoria Geral da União e que caso não ajuizasse o pedido poderia ser responsabilizado administrativamente. Alegou também que o pedido não teria cunho de perseguição à atual direção do sindicato, visto que tanto ele, como a vice-reitora,  Camila Celeste Brandão Ferreira Ítavo, eram sócios da entidade e não tinham intenção alguma de prejudicar a entidade. Argumentou ainda que encaminhou notificação a entidade para resolver o impasse por meio de acordo, mas não obteve resposta.

Firmino esclareceu que por diversas vezes foi solicitada audiência para reitoria para tratar da questão, mas também não obteve resposta ou o dia e hora eram incompatível com a da direção sindical, pois era remarcada de última hora e não contemplava a participação dos representantes de Aquidauana.

A assessoria jurídica era encaminhar recursos contra a decisão da Justiça.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Movimento estudantil da UFMS nos anos 90 já enfrentava as ondas da privatização

Docente Eliany Salvatierra participou da fundação do Núcleo de Comunicação e Educação da USP, idealizado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, Patrícia Horta Alves, Liana Goltlieb e Claudemir Vianna

A luta contra o processo de privatização das universidades no final da década de 1980 e início da década de 1990  era o principal desafio do movimento estudantil da UFMS. O Ministério da Educação (MEC) estava sobre o comando do então ministro do antigo PFL (Partido da Frente Liberal),  Marco Maciel, do antigo PFL (Partido da Frente Liberal) e depois do economista Paulo Renato, ministro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), também de inspiração neoliberal. As mudanças previstas para as universidades estavam contidas no Relatório Final da Comissão Nacional para Reformulação da Educação Superior, publicada pelo MEC, em novembro de 1985 e o Relatório e no anteprojeto de Lei do GERES (Grupo Executivo para Reformulação da Educação Superior), publicado pelo MEC, em setembro de 1986.

Durante oito anos do Governo FHC, o movimento estudantil da UFMS integrou compôs o Movimento SOS Universidade, em parceria com docentes da ADUFMS – Seção Sindical e técnicos administrativos do recém criado SISTA. Era o período de salários congelados, falta de investimento na ampliação do ensino superior e tecnológico, decreto de Paulo Renato em que proibia a expansão do ensino profissionalizante no País em todo o País para o beneficiar o sistema S ligado ao segmento empresarial.

O processo de privatização da educação, acordado por FHC na Carta de Intenção firmada junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), até hoje norteia a política neoliberal do Pais. Só não avançou no período em razão de sucessivas greves e caravanas a Brasília organizadas pelo Andes – Sindicato Nacional, UNE (União Nacional dos Estudantes) e a Fasubra (então Federação dos Servidores das Universidades Públicas Brasileiras). A pressão se concentrava sob o Congresso Nacional onde foi formada a Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas.

Mesmo com direções estudantis simpáticas ao PT no processo de redemocratização. No ano de 1988 houve ruptura na tradição esquerdista, com o DCE UFMS comandado por jovens ligados a União Democrática Ruralista (UDR). A oposição feita pelo movimento S.O.S Universidade, de esquerda reconquistou o comando da entidade no final de 1989. A principal crítica era que a antiga direção era ligada a reitoria e não discutia politicamente as grandes questões pela qual passava a universidade e as ameaças de privatização.

A professora Eliany Salvatierra estava à frente do Centro Acadêmico do antigo curso de Educação Artística. Nesta fase integrou a direção do DCE-UFMS. Atualmente é professora do Departamento de Cinema e Vídeo do IACS – UFF. Ministra as disciplinas Fundamentos da Arte-educação e pesquisa em Cinema e Vídeo e compõe o quadro de professores pesquisadora do PPGCine – Programa de pós-graduacao em Cinema e Audicoisual da UFF.

Eliany Salvatierra durante apresentação de tese de mestrado na USP. (Arquivo pessoal da docente)

Considera a participação no movimento estudantil da UFMS como essencial na base da sua formação. “As vezes acho que me formei mais no movimento estudantil do que na minha graduação em artes, porque me envolvia mais nas discussões”.

Conta que participou do movimento desde dos primeiros momentos que entrou no curso de graduação onde acontecia discussões sobre cultura e se envolvia na organização de eventos culturais. “Era um contrassenso, pois boa parte dos alunos gostava de festas de peão de boiadeiro e de exposição agropecuária. “Nós queríamos apresentar uma outra forma de cultura, que não fosse somente a cultura do boi”.

Com base nesta proposta, Eliany Salvatierra conta que o DCE organizava atividade cultural “Pôr Sol”. Trazia artistas e apresentações nos espaços da UFMS. Dois anos depois aconteceu a construção da Concha Acústica. No espaço, havia apresentações de peça teatro e amostras de artes,

A docente destaca, dentre eles, o Tributo a Raul Reixas, em parceria com o mestre Adilson da Costa Oliveira e apresentação do Cinema de Bolso. “A intenção era mostrar outras formas de produção artísticas que existiam.”

A partir do movimento estudantil, a docente conta que começou a pensar sobre a formação em artes, o que era cultura, produção artística, a forma de disseminação das notícias e da informação. “Era muito próxima ao pessoal de jornalismo. Estabeleci contatos com a Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, em particular o coordenador Francisco Ruiloba, jornalista e advogado. Discutíamos sobre a necessidade de democratização dos meios de comunicação e as formas de concessão de rádio e TV no país. Isto por volta de 1991. A gente se organizava em pequenos grupos para pensar nossa atuação na UFMS. Lembrou que abríamos a reunião com uma análise de conjuntura.”

Eliany Salvatierra lembra que “no movimento estudantil de graduação e da pós-graduação já enfrentava o fantasma da privatização desde daquela época. Eu ainda tem um encarte que fala sobre os rumos das universidades nos anos 2 mil. Era a onda do projeto neoliberal, ainda bem que logo em seguida um novo governo assumiu e uma outra proposta também.”

Resgata que participou de duas gestões do DCE. Formou-se no ciclo de quatro anos e por meio do DCE conheceu o MST (Movimento Sem-terra). Participou do projeto “Pés no Chão”. “Era o espaço para pensar a extensão universitária e qual o seu papel. Fui aos assentamentos, recebemos a caravana do MST. Tive contato com as lideranças com o dirigente internacional do movimento, Egídio Brunetto. Passamos também por uma longa greve. Então me apaixonei pelo MST e a proposta do movimento para a sociedade.”

Por meio do Movimento Estudantil, a ex-dirigente teve contato também com a Associação Kagualteka e se aproximou da luta pela questão da demarcação das terras indígenas. Conheceu as aldeias de Dourados. “Daí comecei minha militância com a questão audiovisual e a questão indígena”.

No mesmo período, conheceu a UNE pelo Movimento Estudantil e as formas de organização existentes na época. “Envolvia-me na discussão com lideranças sobre o projeto de universidade que eu queria, o tipo de sociedade e mundo que eu defendia. Era reuniões importantes que a fazia pensar. Lembro que levamos a luta pela qualidade no bandejão do RU (Restaurante Universitário) e contra à transferência sem critérios transparentes de alunos de faculdades particulares para UFMS. Chegamos a fazer uma passeata com quase 300 alunos da Medicina. Discutíamos a importância do curso com enfoque na prevenção, holístico, que olhasse para o ser humano e não fosse apenas voltado para o mercado, à especialização, na cura, sem olhar o todo do ser humano.”

Outro ponto positivo de participação do movimento estudantil para Eliany Salvatierra foi a constituição de amizades que duram até hoje. “Casei dentro do movimento estudantil e com o movimento estudantil. Na USP organizamos o movimento estudantil na pós-graduação. Atuava na Associação de Pós-graduandos com representante discente nos colegiados e Levávamos a discussão, atuava no movimento em defesa da Moradia Estudantil.”

A representação discente nos fóruns da UFMS e USP era também preocupação do movimento estudantil. Resgata que na UFMS foi desencadeado o processo de Estatuinte, mas que poucas universidades retomaram a discussão. “Questionava também a composição nos colegiados e as formas de pensar a representatividade, sistema de votação, democracia. Atuamos também na discussão em torno do sistema de governo: parlamentarismo e presidencialismo. Eram discussões ricas, complexas, profundas e profícuas. Senti falta da prática na pós-graduação. Ao entrar na UFF descobri o que é pensar a universidade a partir do ponto de vista da educanda, da educadora enquanto docente. Em razão disso tenho dificuldades de identificar com o movimento sindical docente e converso com os meus alunos sobre a importância do movimento estudantil que no meu curso desarticulado e esvaziado.”

Assessoria de imprensa da UFMS

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Concentração em defesa da aposentadoria, da previdência social e do Ministério do Trabalho acontece nesta quinta 22 em Campo Grande

Gazeta Trabalhista

 

Nesta quinta, 22 de novembro, acontece o dia nacional de mobilização em defesa da previdência social, contra mudanças nas regras que prejudicam a aposentadoria e pela manutenção do Ministério do Trabalho.  Em Campo Grande a concentração terá início às 9 horas, em frente à Superintendência Regional do Ministério do Trabalho, na rua 13 maio (quase esquina com a Av. Mato Grosso). A concentração está sendo convocada pelas centrais sindicais, sindicatos, trabalhadores rurais e movimentos sociais que defendem a Previdência.

Segundo Anita Borba, da direção do SINTSPREV-MS, sindicato que representa tanto os trabalhadores do Ministério do Trabalho quanto da Previdência Social, uma vez passada a eleição é preciso que os trabalhadores fiquem alertas. “A previdência é um patrimônio do trabalhador e a razão de os ministérios do Trabalho e da Previdência existirem são os trabalhadores, que contribuem financeiramente todo mês para a manutenção da Previdência e outros direitos assegurados em lei.  E a reforma da previdência atinge a todos, tanto os servidores do órgão como os trabalhadores da ativa e aposentados”

 Previdência não tem déficit, tem sonegação

As entidades contestam também a afirmação de que a Previdência Social é deficitária pois recursos arrecadados são desviados da sua finalidade e existe também a sonegação fiscal, com grandes empresas e bancos devendo bilhões ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Segundo Anita, por trás da reforma da previdência, que inclui a proposta de capitalização individual (uma espécie de poupança para a aposentadoria), existem os interesses dos bancos, do sistema financeiro, que desejam gerir esses recursos bilionários através da previdência privada.

 Esvaziamento do Ministério do Trabalho prejudica a população

A proposta do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de extinguir o Ministério do Trabalho pegou os servidores do órgão de surpresa. “Os trabalhadores já estão fragilizados pela reforma trabalhista, onde mais de cem itens foram modificados em prejuízo dos assalariados,  e com a extinção do ministério do Trabalho fica ainda mais”, diz Anita. O órgão é responsável, entre outras funções, pela fiscalização das condições de trabalho e cumprimento da legislação.

Outro sindicato que apoia a realização da concentração é SINTECT-MS (sindicato dos trabalhadores dos Correios). Segundo Elaine Oliveira, presidente da entidade, a reforma trabalhista e da previdência prejudica tanto os trabalhadores públicos como os da iniciativa privada. “Esses ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários atinge a todos. O objetivo é retirar direitos adquiridos em anos de lutas e também dificultar a aposentadoria. As eleições passaram, mas as armações no congresso e no governo continuam para aprovarem ainda mais medidas que nos prejudicam. Por isso devemos ficar atentos e mobilizados para barrar esses planos de Temer neste final de mandato”, afirma.

 FETEMS e ACP: trabalhadores da Educação também participam da concentração

Entre as entidades que estão mobilizando para o ato estão a FETEMS e a ACP (federação e sindicato que representam os trabalhadores da Educação de MS e Campo Grande). Para o presidente da FETEMS, Jaime Teixeira, os professores e administrativos da Educação também serão prejudicados com as reformas trabalhista e da previdência, além de enfrentarem um ataque contra à categoria. “Estão querendo transformar os professores em vilões”, diz, referindo-se à “Lei da Mordaça”.

Já o presidente da ACP, Lucílio Nobre, afirma que a entidade está mobilizando os professores da capital para a concentração, pois os temas incluem os trabalhadores da Educação e os ataques atingem todos os trabalhadores.

As centrais sindicais, como a CUT, CTB, Força Sindical e Conlutas, também apoiam a realização da concentração, pois todas são contra as “mudanças” que prejudicam os trabalhadores.

 

 

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ADUFMS-Sindicato em Campo Grande atende em novo endereço a partir desta terça-feira 20

Em função dos trabalhos de reforma do prédio administrativo de sua sede, a ADUFMS-Sindicato em Campo Grande, na Vila Ipiranga, comunica a todas e a todos que passa a atender provisoriamente em outro endereço a partir desta terça-feira 20. O novo local de atendimento fica na rua Francisco Alves Castelo, 491, esquina com Rua das Guianas – Vila Ipiranga, perto do Hospital Universitário (HU).

Para resolver qualquer dúvida sobre a nova localização da entidade na capital sul-mato-grossense, ligue 67 3346-1514, 3346-1482 e 98406-9771 (fone/zap).

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

 

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Movimento estudantil da UFMS renasce no fim da ditadura e no período de redemocratização

Anamaria Santana esteve à frente do DCE na década de 1980; hoje é docente da área de educação na UFMS (Arquivo Pessoal Facebook)

A participação ativa no movimento estudantil tem despertado o gosto pela carreira acadêmica e pela democracia. O resultado entra na contramão do estereótipo construído por segmentos conservadores da  sociedade de que “quem se envolve na politica estudantil não gosta de estudar”.

Boa parte d@s dirigentes estudantis das décadas de 1980 e 1990 da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS ) já conquistou título de dout@r, passou em concurso público docente,  pesquisa e apresenta produções acadêmicas em quantidade significativa.

A professora Anamaria Santana da Silva entrou na Pedagogia da UFMS em 1986.  “O curso era  noturno e naquele momento já havia grupos de alunos da Matemática, da Engenharia, da Medicina e da própria Pedagogia que se articulavam politicamente. Naquela ocasião discutiam a questão da redemocratização do País, pois era o período do fim da ditadura civil-militar.”

Anamaria lembra que “a pauta importante discutida naquele período era a reestruturação dos centros acadêmicos, pois no período da ditadura havia uma lei que fechou os centros acadêmicos, transformados em diretórios acadêmicos e essa [forma de] organização era ligada à própria administração. A estrutura apresentada naquele período era então o DCE (Diretório Central dos Estudantes e os DAs (diretórios acadêmicos). Os DAs, ná prática, foram extintos, mas a gente queria resgatar o movimento estudantil pela base, criando os centros acadêmicos.”

Naquela época Anamaria conta que “formaram um Conselho das Entidades de Base (CEBs) que reunia estudantes dos diversos campi da UFMS”. Resgata que “os alunos da Pedagogia tinham participação política importante. Conseguimos então criar o Centro Acadêmico Paulo Freire, um dos primeiros da universidade no processo de redemocratização.  A primeira presidenta foi Lucimar da Rosa Dias (hoje Professora Doutora em Educação da UFPR*).

No mesmo momento, ressalta,  “formamos uma chapa para concorrrer ao DCE-UFMS, em 1987. O primeiro presidente foi o professor de Matemática, Renato Gomes (in-memorian, e professor Doutor da UFGD**), eu ocupei o cargo de vice-presidente. Pegamos a direção da entidade, que estava muito desacreditada. Havia uma disputa por trás entre os militantes do antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro) e simpatizantes do PT (Partido dos Trabalhadadores) que imergia naquele momento. Não havia somente a questão partidária, mas outras questões de fundo. Queríamos, por exemplo, o DCE mais presente na base por meio dos centros acadêmicos.”

Anamaria disse que “a direção foi eleita e deram início à reestruturação das entidades de base, por meio de trabalho social e cultural na UFMS. Contamos naquele momento com o reforço do Professor  Doutor Paulo Cesar Duarte Paes, que [àquela época] fazia o Curso de Educação Artística, cujos alunos tinham participação ativa. Promovemos diversas atividades e manifestações no [Teatro] Glauce Rocha. Articulamos a criação da primeira Preae (Pró-Reitora de Assuntos Acadêmicos e Estudantis) que tinha o papel de pensar a política estudantil na UFMS. Ela tinha a Divisão de Assistência Estudantil e outra de atividades culturais. Chegamos a realizar o primeiro Festival Estudantil da Canção, criado na nossa gestão à época e do professor Izaias Pereira como pró-reitor e que existe até  hoje. Tivemos o primeiro pró-reitor eleito pela comunindade acadêmica. Foi ponto acordado na eleição para escolha do novo reitor.  Encabeçamos também o movimento pelo fim do pagamento de mensalidades nas universidades federais. A  intenção era democratizar o acesso a alunos das classes populares.  Conquistamos também um desconto no RU (Restaurante Universitário ) e fim de algumas taxas para alunos carentes.”

Após a presidência do DCE pelo professor Renato Gomes, Anamaria foi a próxima candidata a presidência da entidade.

Para a docente, a participação estudantil foi fundamental na sua formação acadêmica.  “Começei a entender melhor a estrutura da universidade, as carências dos alunos dos campi [então centros universitários] de Campo Grande e do interior, a política do Ministério da Educação (MEC), as questões relacionadas a concurso público, o papel dos técnicos adminstrativos, enfim, uma experiência ímpar no sentido de entender a dinâmica da própria universidade.”

Em relação à formação pessoal, destaca que a participação estudantil  foi muito importante. Aponta “o desenvolvimento do espírito crítico, a capacidade de argumentação, fala, de se relacionar com autoridades, professores e técnicos administrativos, numa postura de igual para igual, numa postura de quem está reivindicando direitos. Com propriedade, representar o pessoal, o coletivo, o que é uma base para formação bem melhor. Ou seja, o movimento estudantil nos torna capaz de enfrentar de igual para igual as ditas autoridades. Essa habilidade, no quesito profissional, ajuda bastante. Você se forma como profissional mais politizado,  mais crítico, mais conhecedor dos seus direitos, das formas e caminhos para reivindicar direitos.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

 

*   Universidade Federal do Paraná

** Universidade Federal da Grande Dourados

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Eleição para DCE reflete embates ideológicos na UFMS

Professor Marco Aurélio Stefanes palestra sobre história do movimento estudantil da UFMS  (Foto: Camila Jara)

Muito longe de ser  um reduto da esquerda marxista, a eleição para o Diretório Central das e dos Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (DCE-UFMS) reflete a diversidade ideológica na sociedade, manifestada no recente embate entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e seu opositor Fernando Haddad.

Duas chapas disputam a direção da entidade na Cidade Universitária – Campo Grande e do interior do Estado: a Chapa 1 (Nossa Força, Nossa Voz) e a Chapa 2  (O Nosso DCE).   A votação nos campi do interior acontece no próximo dia 12 de novembro e em Campo Grande no dia 13 de novembro, no horário das 8h às 21h30min.

A chapa O Nosso DCE representa o atual grupo que está no comando da entidade estudantil.  Assume a bandeira do apartidarismo, mais alguns membros têm ligações com a juventude do PSDB e simpatizantes do movimentos Escola Sem Partido e Brasil Livre (MBL). A sua carta-programa fica restrita às reivindicações em âmbito administrativo. Não comenta sobre a conjuntura política pela qual atravessa a universidade pública. Coloca como principal conquista na gestão a emissão de fotocópias de material acadêmico grátis para estudantes da UFMS.   Condena a intolerância, sem explicar que tipo.  Leia a carta-programa.

Representantes de centros acadêmicos discutem meios para fortalecer o movimento estudantil e a defesa da universidade pública na era Bolsonaro

Já a Nossa Força, Nossa Voz tem a adesão de simpatizantes de partidos de esquerda e estudantes preocupados com a defesa da universidade pública gratuita. Congrega  simpatizantes do PT, PSOL, PDT, UJS, PCdoB e independentes. Tem o compromisso central de ampliar a política estudantil e  garantir as decisões coletivas no movimento estudantil. O grupo teve um atuação direta no Conselho Universitário (COUN) quando da discussão do Regimento Interno Estudantil que estabelecia uma série de medidas punitivas, restritivas às/aos estudantes e também a presença da comunidade externa dentro da UFMS.  Com a participação de acadêmic@s, as alterações pró-regimento mais democrático apresentadas foram acatadas na íntegra pel@s conselheir@s. Estiveram  à frente também da mobilização pela melhoria da qualidade das refeições oferecidas por empresa terceirizada no Restaurante Universitário (RU). Leia mais sobre a Chapa 1.

Para aprofundar o papel do movimento estudantil na defesa da Universidade Pública, o Conselho de Centros Acadêmicos  promoveu reunião na Concha Acústica para discutir questões como o corte do orçamento para as universidades públicas e as ameaças de privatização.

O estudante de Ciências Sociais Haricson Freitas relata que, de forma autônoma, @s estudantes insatisfeit@s com a postura da atual direção do DCE puxaram a Assembleia para discutir o cenário pós-eleições. Na pauta, questionamento sobre como vai ficar a universidade pública pós-período eleitoral  e para discussão dos problemas próprios da UFMS.

Aponta-se  a desmobilização por parte da atual direção do Diretório que não conversava com os centros acadêmicos, não puxava assembleias, não convocava o CEB (Conselho das Entidades de Base), não repassava à comunidade estudantil as decisões encaminhadas pela Reitoria. Não se discutiam esses itens.

Nesse período,  Haricson lembra que rolou muito assédio e intolerância dentro da universidade, relatada por muitas estudantes.

Entre as deliberações tiradas na Assembleia Geral está a de se criar um comitê para coletar as denúncias de assédio, intolerância e racismo que acontecem nos campi e repassar os casos para a Comissão de Ética da UFMS. A ideia é de estabelecer um elo entre alun@s, professor@s e a Reitoria. Ou, se necessário, buscar órgãos fora da UFMS para denunciar e apurar casos que envolvam estudantes vítimas de assédio moral, estabelecer convênios e parcerias para combater abusos. Propôs, como exemplo, a oferta de cursos de autodefesa para as assediadas pelo curso de Educação Física. Outra comissão tem o objetivo de organizar palestras para esclarecer @s estudantes sobre os centros acadêmicos, o que é o DCE, as atléticas, quais os papéis e como usufruir desses espaços.

Na quarta-feira (7-11), o Centro Acadêmico de História organizou palestra com o ex-presidente do DCE-UFMS e candidato na última eleição para reitor, Marco Aurélio Stefanes. O docente do curso de Ciências da Computação  fez a retrospectiva das lutas do DCE no início da década de 1990 e o papel desenvolvido pelo movimento estudantil em defesa da universidade pública. Também participou da palestra o ex-coordenador-geral da entidade, João Cirilo, hoje advogado e dirigente do Centro de Defesa da Cidadania dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-I (CDDH).

Marco Aurélio lembrou que naquele período  as universidades brasileiras passaram por grande estrangulamento orçamentário que resultou no congelamento de salários d@s docentes por mais de seis anos, greves, ameaças de privatização e mobilizações constantes em defesa do caráter público das instituições.

Essa situação foi semelhante ao cenário atual com o corte  drástico de verbas promovido pela equipe do atual presidente, Michel Temer. Outra luta do período era a aprovação do novo Estatuto da UFMS, o que até o presente momento não aconteceu, passadas mais de duas décadas.

Assessoria de imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Ataques via judicialização ou burocratização atingem UFMS

Debate sobre democracia no Câmpus do Pantanal (CPAN, Corumbá) aconteceu mesmo com denúncias formuladas na Justiça Eleitoral por simpatizantes do  movimento Escola Sem Partido

A decisão  do Supremo Tribunal Federal (STF) segura, por enquanto, os ataques constantes que alguns juízes e policiais estavam promovendo dentro das instituições de ensino superior (IES). Práticas repressivas vinham ferindo o preceito constitucional das autonomias didática e pedágógica, na tentativa de cercear o debate sobre temas ligados às  conjunturas política e econômica do País. Boa parte  das denúncias ligadas a  simpatizantes dos movimentos Escola Sem Partido e Brasil Livre (MBL) resultou na apreensão de materiais na ADUFDourados.

Na UFMS representantes do Escola sem Partido e MBL tentaram barrar o debate no dia 25 de outubro que tinha como tema “A importância da Democracia e a Constituição Cidadã de 1988″, promovido pelos diversos cursos da instituição. Foram feitas diversas denúncias na Justiça Eleitoral da Comarca de Corumbá. Todavia,  os pedidos foram considerados improcedentes e o debate aconteceu. Houve também entraves burocráticos para o oferecimento oficial do curso “O golpe de 2016 e a crise da democracia do Brasil”.  Foi baixado portaria por parte da adminstração recomendando que não houvesse  oferecimento de temas considerados polêmicos por parte dos cursos, faculdades, institutos e escola.

A Justiça Federal também determinou a abertura de processo contra professores e alunos de Aquidauna que participaram do Ato em Defesa da Democracia, quando da efetivação da prisão do ex-presidente Lula.  O inquérito está em andamento com a defesa dos envolvidos feita pela Assessoria Jurídica da ADUFMS-Sindicato. Outro inquérito aberto por um delegado da Polícia Civil de Aquidauana tenta envolver estudantes e docentes  no suicídio de aluno que frenquentava as atividades e debates políticos no Câmpus de Aquidauana (CPAQ). No interrogatório feito a um acadêmico, delegado chamou os professores  de “comunistas” e “maconheiros”.

O Curso de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), com o apoio da ADUFMS-Sindicato e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e dos Institutos Federais de Ensino, no Estado de Mato Grosso do Sul (Sista-MS), e o grupo Práxis, ofereram o curso o Golpe de 2016  e a Crise da Democracia no Brasil. No entanto, a sua institucionalização barrou nas novas normas estabelecidas no calendário acadêmico e resolução baixada pela administração.

“A confirmação da decisão da ministra Cármen Lúcia pelo plenário do STF reafirma o princípio constitucional de autonomia universitária, ao mesmo tempo em que inibe qualquer ímpeto autoritário contra as universidades. As universidades devem ser um ambiente de livre expressão das ideias. O Andes-SN, que entrou como Amicus Curiae na ação da PGR, cumpre seu dever histórico em defesa da categoria docente, da educação pública e das instituições de ensino superior”, avalia Antonio Gonçalves Filho, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN).

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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STF garante autonomia e liberdade de catédra nas universidades

O Supremo Tribunal Federal (STF) se posicionou a favor da liberdade de expressão, da autonomia universitária e da liberdade de cátedra.  A ação movida pela Procuradoria Geral da República  arguia o Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 548 e aconteceu na quarta-feira (31-10). Acatada pela maioria absoluta da corte, a decisão limitou a judicialização por parte juízes eleitorais e de primeira instância que vinha determinando intervenção em mais 27 universidades para apreensão de materiais publicados pelas Associação dos Docentes referentes a campanha presidencial ou atropelava a autonomia pedágogica das IFES (instituições federais de ensino superior) proibindo o oferecimento de disciplinas referentes ao Golpe de 2016,  relacionanadas facismo e democracia.

Para  a ministra Cármen Lúcia, “a liberdade de pensamento e expressão não é uma concessão do Estado, mas um direito inalienável do indivíduo”, disse em seu voto. O ministro Luiz Fux não votou, porque estava em viagem.

Antes da sessão do STF, a ministra Cármen Lúcia deferiu o pedido de amicus curiae, protocolado por sete entidades, entre as quais o ANDES-SN, que se manifestou no Plenário do STF.

Ao final da audiência, o presidente do Sindicato Nacional cumprimentou a procuradora Raquel Dodge, agradecendo a PGR pela iniciativa, dizendo que a liminar concedida garante a tranquilidade ao exercício da docência nas universidades e a autonomia universitária.

De acordo com o STF, os ministros destacaram a necessidade de defesa intransigente da autonomia universitária, didático-científica, de pesquisa, ensino e aprendizagem, garantidos pela Constituição Federal. Também ressaltaram o direito constitucional à liberdade de reunião, que é uma das maiores conquistas da democracia. Na compreensão dos ministros, o Estado não pode usar a lei eleitoral como justificativa para cercear a fundamental liberdade de expressão e a autonomia universitária.

Fontes: Agencia STF-ANDES-SN

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Câncer de mama: como combatê-lo?

Lígia Paula Jorge Mazi, médica radiologista de mama (Fotos: Arnor Ribeiro: ADUFMS-Sindicato)

Os fatores de risco, o diagnóstico precoce, o rastreamento populacional e a humanização no atendimento pautaram a palestra da médica radiologista de mama Lígia Paula Jorge Mazi na terça-feira 30 de outubro, no Anfiteatro da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Faodo-UFMS) em Campo Grande. Ligada ao Instituto de Prevenção Antônio Morais dos Santos, unidade do Hospital de Amor (antigo Hospital de Câncer de Barretos) na capital sul-mato-grossense, Lígia Paula, enfatizou que a mamografia é a forma comprovada de analisar os seios porque pode detectar o câncer de mama em seu estágio inicial. Esse procedimento favorece a sobrevida e a redução da mortalidade.

As mulheres apresentam maior propensão ao câncer mamário. Considera-se raro o câncer de mama em homens. Entre as mulheres é nas faixas dos 40 aos 69 anos de idade que situa o público mais propenso à doença. De acordo com fôlder informativo do Hospital de Amor, a mamografia precisa ser “anual para as mulheres entre 40 e 49 anos e bienal [a cada dois  anos] para aquelas entre 50 e 69 anos”. Lígia Paula informou que não se consegue prevenir o câncer de mama, mas se consegue diagnosticá-lo precocemente. A médica explicou que o quanto antes for descoberto o câncer de mama menos agressivo será o tratamento, evitando, por exemplo, a quimioterapia.

Lígia Paula (e.) e Fátima Heritier Corvalan

A médica radiologista de mama alertou para que não se utilize o ultrassom como método de rastreamento. Ela explicou que a ultrassonografia deve ser usada apenas de forma complementar à mamografia. Assim como o ultrassom, Lígia Paula acrescentou que a autopalpação não deve ser procedimento que vise a diagnosticar anormalidades na mama, o que não significa que as mulheres devam deixar de se autoconhecerem.

Os fatores hereditário, propensão ou não a câncer na família, e histórico constituem-se em importantes aspectos a ser analisados em pessoas encaminhadas para exame mamográfico. Lígia Paula adverte que nunca se deve referenciar em outras pessoas para se suspeitar que alguém está com câncer de mama, pois trata-se de uma doença heterogênea, ou seja, cada pessoa tem seu histórico, suas especificidades.

A humanização do atendimento já na fase de exames contribui para que a mulher tenha tranquilidade e serenidade, fatores emocionais importantes, pois a mamografia é um procedimento que deve ser encarado como recurso eficiente que propicia conhecimento seguro das mamas.

O exame mamográfico precisa ser feito “periodicamente, mesmo quando não há queixas mamárias”. O câncer de mama é o “mais frequente na mulher brasileira. Se diagnosticado e tratado oportunamente, as chances de cura chegam a 95%. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados”.

A palestra na Faodo foi um esforço conjunto do Instituto Oncoguia, por meio da diretora de Promoções Sociais, Culturais e Científicas da ADUFMS-Sindicato, professora Fátima Heritier Corvalan, e do Instituto de Prevenção Antônio Morais dos Santos, unidade Campo Grande do Hospital de Amor de Barretos.

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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