Ministro Milton Ribeiro é recepcionado com protestos de entidades sindicais

07 mar, 2022 Manifestações

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Manifestação em frente ao IFMS protestou contra presença de Ribeiro para lançar bloco ainda não iniciado

No último sábado (5 de março), às 14h, entidades sindicais ligadas à educação superior organizaram um ato de recepção ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, que esteve no IFMS para o lançamento de um bloco que ainda será construído, segundo o próprio Ribeiro e a reitoria do Instituto. 

Manifestantes protestaram com questionamentos sobre o passaporte vacinal e pelo reajuste salarial de 19,99%, uma das demandas nacionais dos/as servidores/as públicos/as federais. O Instituto Federal, assim como a UFMS, está retomando as atividades presenciais sem exigência de passaporte vacinal e sem alimentação para estudantes.

O presidente da Adufms, professor Dr. Marco Aurélio Stefanes, destacou os cortes nas verbas para as universidades federais, que vêm ocorrendo desde o início do governo Jair Bolsonaro. “O corte de mais de 2 bilhões do orçamento das universidades é inadmissível num contexto como esse”, afirma.

Stefanes também chama atenção para os posicionamentos do ministro contra a diversidade e a inclusão. “E esse ministro, em particular, já se manifestou contra a educação inclusiva. Ele defende que pessoas com deficiência atrapalham o processo educacional – um desconhecimento de caso e uma maldade”. Em agosto de 2021, Ribeiro afirmou que estudantes com deficiência em salas de aula com o que classificou como “não aprendem” e “atrapalham”, quando estão em salas de aula com o que classificou como “normais”.

O professor também lembra que Ribeiro, assim como demais membros do governo federal, trabalha contra o avanço da ciência e em prol do negacionismo científico. “Ele vem lançar uma obra que sequer se iniciou, então ele leva a educação para o buraco e vem inaugurar um buraco. Mas mais do que isso, é o negacionismo da ciência. É uma pessoa que trabalha contra o desenvolvimento científico, então para nós é importante essa manifestação contra alguém que não está trazendo, mas tirando recursos da universidade”.

Para o presidente da Aduems, Esmael Machado, a escolha da data e do horário foram uma forma do ministro de evitar uma pressão popular maior por parte da comunidade acadêmica. “Eu tenho convicção de que esse representante do governo escolheu um sábado à tarde, ainda em período de recesso acadêmico, para vir inaugurar uma obra que não existe, num período próximo às eleições presidenciais. Hoje está fazendo isso para publicidade. Para gerar mídia e notícia falsa, mas é fato, ele está aqui hoje para fugir”.

Marco Aurélio Stefanes também acredita que o momento foi escolhido estrategicamente para escapar de uma manifestação maior. “Não é à toa que esse ministro vem num final de semana, fugindo dos servidores, dos técnicos administrativos e dos estudantes, para fazer uma reunião fechada com empresários. Esse não é o papel de um ministro”.

A segunda-secretária do Sinasefe, Shirley Araújo, argumenta que a gestão do IFMS tem praticado um descaso com as demandas dos/as servidores/as e sequer se preocupa com a alimentação dos/as estudantes. “Os servidores não são ouvidos, eles fazem as coisas de baixo para cima, não estão tendo cuidado com a pandemia. Não aceitam de forma nenhuma o passaporte vacinal e, principalmente, não levam em consideração a merenda escolar. Para eles, é mais importante fazer prédio. É necessário, mas a fome do estudante deveria ser prioritária”.

No domingo (6 de março), Milton Ribeiro esteve na UFMS, acompanhado do deputado federal bolsonarista Loester Trutis, que responde judicialmente por falsa comunicação de crime após ter forjado, de acordo com a investigação, um atentado contra si mesmo.

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Texto e fotos: Norberto Liberator (assessoria de Comunicação)

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