Nota de solidariedade ao povo guarani-kaiowá

27 jun, 2022 Diversidade

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A Adufms vem a público manifestar sua solidariedade ao povo guarani-kaiowá, vítima de recentes ataques desde o mês de maio, ocorridos nas comunidades Joparã (Coronel Sapucaia), Kurupi (Naviraí) e Guapoy (Amambai), que resultaram nas mortes de Alex Ricarte Vasques Lopes, de 18 anos (no dia 21 de maio) e de Vitor Fernandes, de 42 anos (no dia 24 de junho), além de mais de 20 pessoas feridas, além de denúncias de sequestros e outras violações de direitos, inclusive de crianças. O velório de Vitor ocorre durante esta segunda-feira (27 de junho).

Os ataques consistiram em remoções forçadas e ilegais realizadas pela Polícia Militar e por forças de segurança privada a serviço de fazendeiros da região. No caso do ataque ocorrido em Amambai na sexta-feira (24 de junho), conhecido como “Massacre de Guapoy”, a União solicita, inclusive, a execução fiscal e penhora da fazenda, devido a uma dívida de ao menos 2,5 milhões de reais do senhor Waldir Cândido Torelli, já denunciado anteriormente pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem de dinheiro, ocultação de bens e sonegação fiscal em valores que podem chegar a 66,5 milhões de reais.

As imagens divulgadas pela população local mostram crianças atingidas, além de mulheres e idosos correndo. Manifestamos nossa solidariedade aos habitantes de Guapoy, que além da violência física, têm enfrentado a difamação por parte de agentes do Estado.

Antônio Carlos Videira, secretário de Segurança do governo de Reinaldo Azambuja (PSDB), fez em coletiva de imprensa realizada na sexta-feira (26) a afirmação, no mínimo duvidosa, de que os policiais teriam sido “recebidos a tiros”, afirmação que contrasta com as imagens postadas, em fotos e vídeos, pela população de Guapoy. Videira afirma que os indígenas estariam em posse de fuzis, declaração incompatível com as imagens e com o padrão socioeconômico em que vivem as populações originárias em Mato Grosso do Sul e em todo o Brasil, em especial os guarani-kaiowá.

Segundo o governo, tratava-se de uma “ação contra o tráfico de drogas” que mirava “indígenas paraguaios que trabalham em plantações de maconha”. De acordo com Videira, os membros da retomada “entraram em conflito com as lideranças locais”, afirmação negada pela Aty Guasu, entidade que representa as lideranças legítimas do povo guarani-kaiowá.

Pedimos que as autoridades federais investiguem o governo de Mato Grosso do Sul, que praticou uma ação ilegal ao deslocar a Polícia Militar sem mandado ou documento que respaldasse uma reintegração de posse, e que convoquem o senhor Antônio Carlos Videira a provar as acusações que faz aos indígenas guarani-kaiowá que ocupam área reivindicada como parte do território Guapoy.

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