Organização sindical dos docentes e das docentes da UFMS

Carta

Carta aos coordenadores e aos diretores: conclamamos nossos/as colegas que estão em cargos de direção e coordenação a respeitar a decisão democrática da categoria de estar em greve e que não endossem atitudes que reforcem o divisionismo orquestrado pela gestão da UFMS

Comando Local de Greve/2015 – UFMS

 

A intensa articulação do movimento grevista contribuiu para que em 22 de junho de 2015, o Conselho de Ensino de Graduação (Coeg), em votação, aprovasse a suspensão do calendário acadêmico a partir de 23 de junho de 2015, conforme a Resolução n. 347. Entretanto, em reunião ocorrida no dia 31 de agosto deste ano, numa convocação feita às pressas, após apresentação de parecer jurídico da Projur, o Coeg tornou sem efeito a suspensão do calendário a partir do dia 23 de junho, posição anteriormente votada e vencida nesse órgão colegiado, a despeito da vontade da Reitoria e de seus pró-reitores, assim como instituiu novo calendário acadêmico.

Essa decisão, antes de ser um ato jurídico, é uma resposta política ao fortalecimento do movimento docente na UFMS, de que as principais expressões foram a retomada do sindicato dos trabalhadores – numa eleição em que disputamos com os velhos pelegos do PROIFES e com uma chapa montada com dirigentes da Reitoria – e a deflagração da greve pelos/as docentes da UFMS. Com essa decisão, mais uma vez, a atual gestão universitária demonstra que responde às nossas demandas com mais burocracia e autoritarismo.

Os docentes da UFMS, em Assembleia Geral, deflagraram o movimento de greve a partir do dia 15 de junho de 2015, tendo como bandeiras de luta a reestruturação da carreira docente, o repúdio à precarização do trabalho e a qualidade da educação pública, gratuita e laica. Essa decisão foi tomada em espaço legítimo e democrático, o que pressupõe que seja respeitada como tal pela Comunidade Universitária.

Nossa greve não foi deflagrada por um ato administrativo e, portanto, não são os atos administrativos da Reitoria e seus pró-reitores que porão fim ao movimento paredista. Afinal, é também contra a condução antidemocrática – a cada dia mais evidente – da gestão da Universidade que lutamos. Nossa greve é o resultado de nossa capacidade de organização e enfrentamento aos ataques contra a Educação Pública no Brasil. Parafraseando o professor Florestan Fernandes, a nossa luta é uma luta dentro da ordem e contra a ordem.

Feitas essas considerações, constata-se que a administração universitária impôs à comunidade acadêmica três calendários: 1) o de professores que, furando o movimento grevista, já concluíram o 1o semestre; 2) o daqueles que, porventura, concluírem o 1o semestre no calendário imposto pela administração; e 3) o calendário dos professores que permanecem em luta no movimento paredista.

É, no mínimo, curioso que em meio a um movimento grevista em que uma das principais alegações para não aderir à greve seria evitar o prejuízo aos estudantes, a administração universitária imponha uma situação escandalosa como essa em que os/as estudantes – a depender do caso – poderão ter de cumprir três calendários diferentes.

Lembramos que nossos alunos são parte integrante de todo processo pautado na integridade de nossas ações em defesa de uma sociedade plenamente livre e que educação não se faz tão-somente em sala de aula. Este é um momento de aprendizagem para todos e a universidade é o locus onde também se faz a formação política para a transformação da sociedade. Eles, os alunos, devem ser respeitados em suas decisões de luta por condições adequadas de permanência na universidade, uma vez que, por força das condições socioeconômicas, a maioria da população brasileira não tem o privilégio de manter seus filhos em uma universidade, mesmo que pública e gratuita.

Em virtude do exposto, conclamamos nossos/as colegas que estão em cargos de direção e coordenação a respeitar a decisão democrática da categoria de estar em greve e que não endossem atitudes que reforcem o divisionismo orquestrado pela gestão da UFMS, nem sejam partícipes desta absurda situação em que teremos de coexistir com três calendários acadêmicos.

Nossa greve é uma, e as conquistas ou derrotas que dela resultarem incidirão sobre todos/as e cada um/a.

Continuamos em luta!

 Comando Local de Greve/2015 da UFMS

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DIREITO DE RESPOSTA – Aos professores filiados à ADUFMS-Sindical

Aos professores filiados à ADUFMS-Sindical

RESPOSTA DO PROIFES-page-001
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No último dia 24 de agosto foi publicada no site da entidade uma carta assinada por um Comando de Greve, que procura convencer os professores da ADUFMS a se desfilarem do PROIFES-Federação, na qual está filiada a mais de 10 anos.

Em primeiro lugar, queremos dizer com todas as letras que isso é legítimo e é um direito que defendemos, pois somos a favor da Liberdade Sindical e de que são os trabalhadores que decidem qual sindicato lhe representa e não o contrário, como algumas entidades gostam de afirmar, de que determinada base lhe pertence. Assim como a maioria dos filiados da ADUFMS decidiu se filiar ao PROIFES, o contrário pode ocorrer.

Mas aqui há duas preliminares importantes a serem consideradas. A primeira é que a hora de debater isso está totalmente equivocada. No momento de greve em que se vive uma negociação salarial extremamente difícil, em que se vislumbra a real possibilidade de não termos nenhum avanço, o que se precisa é de muita unidade entre os trabalhadores. Ficar travando disputas sindicais internas só serve aos interesses do governo, que sempre se favorece com as disputas e também favorece a ação oportunista de grupos políticos que não têm nenhum compromisso com a luta e as causas dos professores, e então prioriza a conquista de aparelhos sindicais, com outros propósitos, que não o do avanço na Carreira, nos salários e nas condições de trabalho nas Universidades.

A segunda preliminar é que a ADUFMS-Sindical agora é um sindicato local com registro no Ministério do Trabalho, ou seja, com toda a autonomia e com a representação legal e legítima dos professores do MS. Assim, é falaciosa a ideia de que a ADUFMS-Sindical ao sair da Federação pode entrar na Andes: não pode, a não ser que abra mão de seu registro e da sua autonomia, duramente conquistada e que não pertence a nenhuma liderança, mas aos professores. Abrir mão da autonomia é um retrocesso, que tem que ser considerado. O PROIFES-Federação ajudou muito na obtenção do registro da ADUFMS, não porque é uma entidade filiada, mas porque acreditamos neste modelo sindical, em que os sindicatos são autônomos para se organizar e para definir suas formas de luta e se organizam nacionalmente em Federações de sindicatos fortes. Esse é um debate que não pode ser ignorado.

Não vamos responder às acusações rasteiras, de cunho malicioso, de que teríamos sido criados em gabinetes ou de “peleguismo”, pois para nós o que credencia e legitima o PROIFES nestes 11 anos são as conquistas que os professores tiveram graças à nossa ação, como a recuperação da paridade entre ativos e aposentados, a criação da Carreira de EBTT, a promoção a titular sem concurso, a promoção acelerada (com a extensão desta conquista para o EBTT), a equiparação do EBTT com o MS, a valorização salarial que faz os salários dos docentes chegar aos melhores níveis em termos reais (descontada a inflação) dos últimos 20 anos.

Entretanto, algumas acusações que estão na “carta” publicada fogem do respeito mínimo e do compromisso com a verdade, revelam desconhecimento, entendimento equivocado ou má fé e precisam ser apresentadas de forma adequada para que os professores da ADUFMS possam avaliar:

“Durante o movimento docente de 2012, o PROIFFES posicionou-se contra a greve”.

O PROIFES decidiu no seu Conselho Deliberativo (CD), com a participação da ADUFMS, no dia 03/06/2012, indicar a greve aos sindicatos federados. E todos os sindicatos do PROIFES-Federação, com exceção da ADURN-Sindical, entraram em greve. Relembrando, a negociação de 2012 começou em 2011, quando o PROIFES e a Andes assinaram juntos um acordo salarial, que dava 4% de reajuste (a única categoria reajustada). O acordo garantiu também a incorporação da GEMAS (Carreira do MS) e da GEDBT (Carreira do EBTT) que, graças ao acordo que o PROIFES assinara em 2007, não era mais com avaliação e era igual para ativos e aposentados. Após o acordo, abriu-se uma mesa de negociação sobre a carreira, na qual todas as entidades participaram para discutir a reestruturação das carreiras ao longo de 2011. Nos cinco primeiros meses de 2012 foi acordado nesta mesa que o governo faria uma proposta até 31/05/2012. Neste ínterim, e numa prática anti-sindical, a Andes decretou greve em 17/05, sem justificativas, e sem esperar o prazo que eles mesmos concordaram. O PROIFES, que tem a seriedade como princípio, esperou até que o prazo se esgotasse, e aí sim, com a legitimidade de um acordo descumprido, decidiu no seu Conselho Deliberativo (CD), como dito, com a participação da ADUFMS, indicar a greve aos sindicatos federados. Cada um ao seu tempo e com a sua forma própria de organização, pois assim somos, respeitamos as formas locais de organização e a democracia, com cada entidade decidindo sua forma de consultar o conjunto dos professores em cada local. Se houve descontentamentos com a condição da greve no MS, esse debate é local, mas a greve teve o apoio, a sustentação e a participação efetiva da Federação, da mesma forma que está ocorrendo em 2015, quando a greve dos vários sindicatos federados que assim o decidiram, como a ADUFMS-Sindical, têm tido todo o apoio da Federação.

“No âmbito nacional, alguns diretores do PROIFES elaboraram um documento para o MEC (Ministério da Educação) com uma proposta de reposição salarial e de plano de cargos e salários.”

Essa afirmação não tem nenhum amparo na realidade: a proposta do PROIFES foi construída em muitos debates desde o Encontro Nacional da entidade em 2011 e foi sendo discutida no CD com a presença de todos os sindicatos, inclusive com os representantes da ADUFMS.

“Os diretores do PROIFES, com total trânsito no MEC e no Governo, sem o consentimento da categoria e isolados desta, fecharam o acordo.”

O Acordo 01/2012 foi assinado após consulta nacional aos professores, no qual votaram cerca de 7000 professores, dos quais pouco menos de 70% votaram sim. As Assembleias da Andes em todo o país, na mesma época, não tiveram mais de 2500 professores. E depois, se o acordo foi rejeitado pelos professores, como dito, por que a greve acabou? Essa pergunta não quer calar. Por que acabar uma greve que era tão forte? Se o acordo era contra os professores e violava seus direitos, a greve deveria ser para acabar o acordo, exigir que o governo recuasse e que o Congresso Nacional não a aprovasse. Nada disso ocorreu e a Lei foi aprovada por unanimidade. O que ocorreu foi que os professores sabem enxergar a realidade, sabem fazer contas, e viram que naquele ano de 2012 o acordo dos docentes foi o único que teve valores muito superiores aos demais, com reajustes de 25% a 44% em três anos, quando todos os demais servidores tiveram só 15,8%, os que estavam em greve e os que não estavam também. Além disso, o acordo garantiu a equivalência entre as carreiras do EBTT e do MS, criou a promoção para titular sem concurso e criou o Reconhecimento de Saberes e Competências para a Carreira do EBTT.

“Esse acordo, que alterou nossa CARREIRA, retirando-nos direitos conseguidos no PUCRCE (Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e EMPREGOS).”

Deve-se dizer aqui qual o direito que foi retirado? Qual? Depois, é muito contraditório que a “carta” defenda que não haja classes na Carreira e que não haja regra nacional para progressão, ambos princípios que estão no PUCRCE. Se é para defender este Plano, que é de 1987, que sejam coerentes e que defendam tudo que lá está, senão fica estranho. O Acordo de 2012 não trouxe nenhum retrocesso à Carreira docente nem a desestruturação tão falada. Isso vem de inúmeros planos de governo e gratificações criados nos anos 90, que não podem ser ignorados, sob pena de se escapar das raias da honestidade. Fica aqui o desafio de se mostrar onde houve retrocesso, com fatos e não com discurso.

“A proposta do PROIFES/governo/2012 não foi boa para a categoria porque: mantém os professores separados em classes que não refletem mais a realidade do nosso TRABALHO;”

As classes que são as mesmas que existiam antes, e desde o PUCRCE de 1987 e a de associado de 2006. Nenhuma nova foi criada no acordo. Aliás, a Classe de Professor Titular, cujo acesso era apenas por concurso e para um pequeno grupo de professores, foi trazida para dentro da carreira com direito de promoção para todos os professores. O debate é outro, e nós defendemos que as classes na carreira expressam o tempo de trabalho, a experiência e a qualificação acadêmica. Querer uma carreira sem classes é querer uma carreira sem avaliação, sem incentivo à qualificação e sem aceitar os méritos dos docentes e a sua experiência profissional, que justifica sua ascensão. É trabalhar contra a progressão acelerada, uma conquista fundamental para os professores. A ideia defendida aqui é de acabar com a produção acadêmica, é defender que se progrida só por tempo e que não se dê respostas à sociedade que é quem precisa de uma Universidade qualificada, que responda às demandas da sociedade. São dois modelos de sociedade e de Universidade que se confrontam, e não é um confronto entre as ideias dos professores da UFMS e as do PROIFES e sim entre as ideias daqueles que não querem a qualificação, o mérito acadêmico e a pesquisa e extensão como motores de uma Universidade qualificada, a serviço da sociedade.

“atenta contra a organização do TRABALHO docente, fere a autonomia universitária, uma vez que será condicionada a normatizações externas, vindas do MEC;”

Aqui só pode ser mistificação ou então é desconhecimento puro. As regras de progressão sempre foram definidas pelo MEC, inclusive como previa o PUCRCE. E o mais grave é que os signatários da carta não sabem ou mentem aos docentes mais novos, que as regras atuais (das Portarias 554 e 982/2013) foram, graças ao trabalho do PROIFES, apenas atualizadas em relação àquelas que vigoravam desde 1987 (ou 2006 no caso de associado), não houve nenhuma mudança nas regras nacionais, nada que justifique esta falta de autonomia. Aliás, o PROIFES, como defensor da Autonomia, sempre foi contra a existência de uma regra nacional.

 “provoca desestruturação da carreira e da malha salarial;”

Isso já foi dito antes, mas a desestruturação vem da GED, vem dos VBs dos 20 e 40h abaixo do salário mínimo e das políticas de reajustes diferenciados. Portanto, muito antes do PROIFES. E a luta do PROIFES sempre foi no sentido de resgatar a estrutura lógica na Carreira, com vitórias importantes nestes anos: conseguimos a garantir a GED plena aos aposentados e depois sua incorporação, o fim da complementação de salário mínimo, conquista do PROIFES, entre outros exemplos. É importante que se diga a verdade, sempre.

 “desvaloriza a titulação; reduz o valor real da remuneração; institui um sistema de avaliação com características incompatíveis com o trabalho acadêmico;”

Aqui chegamos às raias da esquizofrenia! O acordo garantiu que se possa chegar a titular por promoção, os salários reais são os maiores dos últimos 20 anos e as regras de promoção e progressão são, como sempre foram, definidas no âmbito de cada Universidade. Onde estão os fatos que justificam estas afirmações????

“imprime novamente característica exterior ao desenvolvimento na carreira para o docente titular;”

Antes se chegava a titular só por concurso, e só quando o MEC permitia! Agora todos podem ser promovidos a titular.

 “aprofunda a hierarquização estratificada em classes com novas barreiras;”

Que novas barreiras são essas? A proposta do PROIFES sempre foi claramente contra qualquer barreira para a progressão na carreira. Não houve, rigorosamente, nenhuma mudança para piorar, em relação ao PUCRCE. Ao contrário, para o EBTT conseguiu-se inclusive eliminar, mudando para melhor, a barreira para DIV. A luta do PRIFES continua pelo fim das barreiras na progressão para o MS.

“desconsidera as profundas injustiças e perdas de direitos; descaracteriza o regime de Dedicação Exclusiva;”

Onde isso está no acordo? Mostre fatos e não apenas discurso vazio. A valorização da Dedicação Exclusiva foi potencializada no Acordo na medida em que o regime de 40 horas passou a existir apenas de forma excepcional e com aprovação específica do Conselho Superior para abertura de concursos.

“não assegura que os direitos individuais e coletivos, inclusive dos aposentados e pensionistas, fiquem resguardados no reenquadramento à nova situação.”

Essa frase é totalmente falsa e desconectada com a realidade. Ninguém defende mais os aposentados e pensionistas que o PROIFES. Inclusive, somos a entidade que mais tem informado aos jovens professores sobre as mudanças na aposentadoria, que foram criadas com a Reforma da Previdência, de 2003, antes da criação do PROIFES. Ao mesmo tempo, continuamos na luta contra a retirada dos direitos dos trabalhadores.

Por todas estas razões, nos manifestamos aos professores filiados à ADUFMS-Sindical. Entidade que representamos e que ajudamos muito a conquistar seu registro sindical. Respeitamos muito a democracia das urnas, que decidiu mudar a direção da entidade em 2014, e sempre buscamos ter diálogo e respeito a seus novos dirigentes, que acolhemos com toda a consideração em nossos fóruns. E conclamamos a todos a que bem reflitam neste momento sobre os passos a tomar.

E, sobretudo, não achamos correto que a desfiliação se dê sem um amplo debate no qual a Federação tenha sido convidada a se posicionar presencialmente em Campo Grande, em um debate de ideias com o mesmo tempo para os que defendem ficar e sair, e sem uma ampla consulta a todos os professores, para que tal decisão seja fruto de uma decisão da maioria real dos docentes, da mesma forma que aconteceu, quando a ADUFMS se filiou ao PROIFES após plebiscito que foi repetido em 2012, após a greve, com uma decisão da maioria dos filiados em continuar filiados ao PROIFES-Federação.

Continuamos firmes na luta em defesa dos professores federais, do Mato Grosso do Sul e do Brasil inteiro.

Saudações sindicais e universitárias.

Diretoria do PROIFES-Federação

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Carta sobre o Proifes: para refrescar a memória e para informar aos/às novos/as companheiros/as de luta

Proifes-Federação

A categoria do Magistério Superior no Brasil e na UFMS

 

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Após seguidas derrotas em eleições do ANDES (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), a chapa vencida, articulando-se com o ministro da Educação do Governo Lula, Tarso Genro, criou o PROIFES (Fórum dos Professores de Instituições Federais do Ensino Superior) em setembro de 2004, hoje Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (PROIFES-Federação), restabelecendo o sindicalismo burocratizado e tutelado pelo Estado, o que permitiu aos governos a facilitação de negociações espúrias contra a categoria e a universidade pública e gratuita brasileira.

Essa manobra, conforme Roberto Leher, atual reitor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), implicou “[…] assegurar a tutela governamental sobre os trabalhadores, valendo-se de prepostos, os pelegos que, nutridos por benesses e prebendas governamentais, servem de caixa de ressonância para as razões do poder”. Divididas dessa forma as forças em luta, a categoria viu-se em uma armadilha na concretização de suas demandas sobre a carreira, o salário e o caráter da universidade pública e gratuita. Assim, desde 2006, o PROIFES vem exercendo o papel de negociador oficial com o governo, mesmo sob uma representatividade muito pequena, em torno de sete universidades federadas, conforme informações em seu próprio site.

Durante o movimento docente de 2012, o PROIFFES posicionou-se contra a greve, provocando em universidades (Bahia, Goiás e Mato Grosso do Sul) a ele filiadas um movimento independente que sob muita pressão conseguiu a adesão à greve. Na UFMS, a diretoria da ADUFMS foi contrária ao movimento grevista, adotando a posição de uma federação atrelada aos interesses e orientações do governo, mesmo depois de três assembleias com cerca de 97% dos/as professores/as presentes votando favoravelmente à greve.

No âmbito nacional, alguns diretores do PROIFES elaboraram um documento para o MEC (Ministério da Educação) com uma proposta de reposição salarial e de plano de cargos e salários. Como os/as docentes, em sua maioria, foram contrários/as a tal proposta, a greve foi deflagrada em quase todas as universidades federais do país sob a coordenação do ANDES. Os diretores do PROIFES, com total trânsito no MEC e no Governo, sem o consentimento da categoria e isolados desta, fecharam o acordo. Todos nós que participamos diretamente do movimento grevista nos sentimos traídos/as por esses sindicalistas pelegos que negociaram à revelia do próprio movimento.

Enfrentamos a maior greve das IFEs na história deste país. Não menos grandiosos foram os esforços de professores e professoras para que suas vozes, há muito caladas, se fizessem ouvir novamente. Além da luta contra os disparates do governo, enfrentamos aqueles que se manifestam como representantes de nossos interesses, mas que atuam nos bastidores sem qualquer constrangimento.

A greve de 2012 tomou proporções inéditas e foi a maior oportunidade de mudarmos os rumos da educação superior no Brasil dos últimos anos. Com 99% das universidades federais e dos institutos federais de Educação, Ciências e Tecnologia paralisados, a categoria dos docentes federais, rigorosamente unida, lutou contra os desmandos do governo e da federação governista. Por outro lado, aqueles que se dizem nossos representantes resolveram pôr fim a essa manifestação de cidadania plena. Os dirigentes do PROIFES foram responsáveis por dar cabo à maior manifestação pública de insatisfação da categoria docente ao assinar o famigerado acordo com o governo, mesmo quando suas bases apontavam o contrário. Esse acordo, que alterou nossa carreira, retirando-nos direitos conseguidos no PUCRCE (Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos), foi assinado com total irresponsabilidade, porque se pautou em tabelas e princípios genéricos, que não esclareciam exatamente a proposta do governo para a carreira docente. Apenas, quando o Projeto de Lei chegou ao Congresso, é que pudemos nos dar conta daquilo que foi assinado.

 

A proposta do PROIFES/governo/2012 não foi boa para a categoria porque:

  1. mantém os professores separados em classes que não refletem mais a realidade do nosso trabalho;
  2. atenta contra a organização do trabalho docente, fere a autonomia universitária, uma vez que será condicionada a normatizações externas, vindas do MEC;
  3. provoca desestruturação da carreira e da malha salarial;
  4. desvaloriza a titulação;
  5. reduz o valor real da remuneração;
  6. institui um sistema de avaliação com características incompatíveis com o trabalho acadêmico;
  7. imprime novamente característica exterior ao desenvolvimento na carreira para o docente titular;
  8. aprofunda a hierarquização estratificada em classes com novas barreiras;

 

  1.    desconsidera as profundas injustiças e perdas de direitos;
  2.  descaracteriza o regime de Dedicação Exclusiva;
  3. não assegura que os direitos individuais e coletivos, inclusive dos aposentados e pensionistas, fiquem resguardados no reenquadramento à nova situação.

Outros itens que foram deixados de lado, em 2012, na negociação do PROIFES e o governo: a) cargos/vagas docentes e de servidores técnico-administrativos nas IFEs; b) ampliação de recursos para manutenção, obras e infraestrutura; c) gestão democrática nas IFEs; d) programa de expansão (Reuni/Pronatec).

Apoiando-se em uma concepção produtivista de educação, que atende aos interesses do poder hegemônico, o PROIFES ilegitimamente desconsiderou os anseios de uma categoria que diz representar. Desrespeitou o princípio democrático da vontade da imensa maioria. Ofendeu a todos/as nós ao afirmar que “a assinatura do Termo de Acordo pelo PROIFES foi absolutamente correta e uma grande vitória”, porque sabemos quanto nos custou e está nos custando a assinatura desse acordo. Essa foi uma derrota que estamos amargando até hoje. Foi uma traição para com os/as docentes e todos/as aqueles/as que lutam por uma sociedade verdadeiramente humana. Esse acordo assinado pelo PROIFES rompe com toda e qualquer ética que possa orientar a relação de lisura e justiça que deveria ser própria da sociedade humana.

   O PROIFES, aberta e descaradamente, agiu de má-fé quando:

  1. negociou em separado, dividindo a força demandada na luta e proporcionando o encerramento das negociações, condição desejada pelo governo;
  2. ignorou as determinações da categoria que repudiou a proposta do governo nas assembleias;
  3. afirmou serem os anseios docentes 15 pontos (retirados da primeira proposta apresentada pelo governo), que não discutimos e não aprovamos;
  4. permaneceu insistindo na desavergonhada mentira de que o acordo é o melhor que podemos ter;
  5. apresentou ao governo o resultado de um plebiscito que não tinha validade deliberativa e que não era representativo da categoria docente;
  1. continua tentando nos convencer sobre algo cuja clareza já temos.

Dito isso, fica mais que evidente que a desfiliação da ADUFMS do PROIFES é URGENTE e significa a sobrevivência de um sindicalismo soberano, como instância de luta da categoria docente. Principalmente agora, quando estamos nos mobilizando novamente para resgatar nossas perdas anteriores e retomando a luta em defesa incondicional da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade, de sua autonomia real, da educação como necessidade humana, do sentido de coletividade.

A hora é agora!

COMANDO DE GREVE

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