Organização sindical dos docentes e das docentes da UFMS

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Cláudio Gontijo prevê deterioração da política econômica de Temer

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Gontijo: “Temos que sacudir a árvore porque senão o fruto podre não cai” (Foto: Carol Caco/ADUFMS-Sindicato)

O professor e economista Cláudio Gontijo traçou uma conjuntura de deterioração da economia brasileira e analisou a situação do país frente a um contexto internacional de mudanças do capital que estão causando incertezas nos cenários nacional, pré e pós-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), e mundial. “Vivemos um período de profunda transformação e não é só no Brasil”, observou na segunda-feira 30 durante a palestra “A política fiscal do Governo Temer: avaliação, perspectiva e crítica”, a estudantes, docentes e sindicalistas no Auditório 2 do Complexo Multiúso da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Campo Grande. O evento fez parte do IV Seminário de Formação Sindical e da III Semana Acadêmica de Economia da UFMS. A palestra resultou de parceria da ADUFMS-Sindicato e do Centro Acadêmico de Economia (Caeco).

De acordo com o pesquisador, o congelamento de recursos para setores como educação, saúde, medida do atual governo federal contida na Emenda Constitucional (EMC) 95/2016 – antes Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/2016 – não tem sustentabilidade a longo prazo. Docente da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), docente aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), PhD em Economia pela New School for Social Research (NSSR) dos Estados Unidos, Gontijo explicou que o quadro atual do Brasil exige luta consistente por parte da sociedade, dos movimentos sociais, estudantis e sindicais para combater administração federal. “Temos que sacudir a árvore porque senão o fruto podre não cai”, metaforizou sobre a necessidade de engajamento contra o governo federal. “Não temos governo no Brasil. Temos um sindicato do crime”, criticou.

O economista enfatizou a necessidade de atuação crítica dos segmentos sociais brasileiros. Essa ação da sociedade deve ser substanciada pela formação, informação e preparo. Gontijo se inspirou em Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin) para justificar a importância de estudar a situação pela qual passa o Brasil e o mundo em um contexto globalizado. “Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária.”  O economista usou essa frase para explicar que é preciso conhecer o que está acontecendo para ir à luta.

A palestra aconteceu no Auditório 2 do Complexo Multiúso da UFMS em Campo Grande (Foto: Carol Caco/ADUFMS-Sindicato)

 

Gontijo apresentou e comentou eslaides com gráficos e quadros que expuseram a grave situação a que chegou ao Brasil. O PhD em Economia mostrou que antes mesmo da crise política já havia o prenúncio de que a economia e os investimentos sociais entrariam em colapso.

O professor expôs um gráfico sobre a queda das exportações brasileiras entre março de 2014 e novembro de 2015. Nesse período as médias anuais de vendas ao exterior ficaram abaixo de US$ 20 bilhões, caindo para aproximadamente US$ 15 bilhões em novembro de 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff (PT).

O economista apontou que foi um erro da então presidenta acreditar que Joaquim Levy como ministro da Fazenda iria pôr o Brasil nos trilhos. Levy, uma sugestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi, de acordo como a análise de Gontijo, uma leitura incorreta que Dilma fez sobre o que estava acontecendo na economia. As medidas adotadas pelo governo federal na época deterioraram a receita a partir de 2014, com declínio do superávit. Houve aumento da dívida líquida do setor público e a inflação subiu, mas não houve redução do investimento bruto.

Segundo Gontijo, o desgaste do Governo Dilma e aos segmentos que a apoiavam, pelas forças de oposição, partiu do diagnóstico negativo da economia e da sua gestão administrativa.  Citou como fatores o “descontrole dos gastos públicos; aceleração inflacionária; explosão do dólar; corrupção nas estatais; ambiente de incerteza para os negócios; redução dos investimentos externos; aparelhamento pelo PT da máquina pública (ineficiência); crise econômica; ‘Pedaladas Fiscais’ (crime de responsabilidade)”.

As ditas ‘pedaladas fiscais’, razão do impedimento de Dilma, não são consideradas por Gontijo como crime. Com experiência em administração de recursos oficiais, o economista citou o caso da Caixa Econômica Federal (CEF), que assumiu compromissos do governo federal que não tiveram a devida cobertura orçamentária. Para honrar operações relativas a programas sociais como Bolsa Família, Seguro-Desemprego e abono salarial, a CEF teve que arcar com R$ 34,2 bilhões. O pesquisador definiu tal atitude como “inadimplemento contratual”. Na interpretação do economista, “não existe essa história de ‘pedalada’. Isso é invenção”. Embora aponte falhas no Governo Dilma, o professor assegura que isso não seria motivo legal para cassar o mandato da presidenta.

As eras Lula e Dilma propiciaram gigantesco incremento nas reservas cambiais do Brasil. Dados apresentados por Cláudio Gontijo sustentam que de 2003 a 2015 a reserva cambial do país chegou a US$ 378 bilhões. De 1994, ano em que Fernando Henrique Cardoso foi eleito para assumir seu primeiro mandato na Presidência da República, até o final do segundo governo FHC (2002), a reserva cambial brasileira atingiu US$ 38 bilhões.

Clique AQUI e confira o conteúdo referencial da palestra “A política fiscal do Governo Temer: avaliação, perspectiva e crítica”, do professor Claúdio Gontijo.

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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InformANDES: estudos e documentos denunciam os ataques contidos na PEC 241/2016

vamos-quebrar-o-geloVamos quebrar esse gelo! Na última semana (10), os deputados federais aprovaram, por 366 votos a 111, a Proposta de Emenda à Constituição 241/2016, que limita, por 20 anos, as despesas primárias da União aos recursos do ano anterior corrigidos apenas pela inflação do período, para aumentar o superávit primário e destinar recursos ao pagamento de juros e amortização da dívida pública. A PEC 241/2016 altera o regime fiscal, propondo o congelamento dos recursos destinados às áreas sociais, infraestrutura e despesa com pessoal por duas décadas.

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