Organização sindical dos docentes e das docentes da UFMS

Ebserh.

Funcionárias/os da Ebserh decidem por indicativo de estado de greve

Trabalhadores/as da Ebserh e servidores/as do HU-UFMS iniciaram concentração pela manhã em frente ao portão principal da unidade hospitalar

Trabalhadoras e trabalhadores da saúde vinculados à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), ligados ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (HU-UFMS), decidiram entrar em estado de greve e instalaram o Comando Permanente de Mobilização. A posição ocorreu em assembleia geral ocorrida na segunda-feira 4 pela manhã.

O movimento tem apoio da direção da ADUFMS-Sindicato. A assembleia geral foi acompanhada pelo diretor financeiro da entidade docente, Diego Rorato Fogaça.

De acordo com informações da direção do Sindsep-MS (Sindicato dos Servidores Públicos Federais) a decisão tem o papel de fazer o movimento acumular força para decretação de greve por tempo indeterminado, caso as negociações em torno do acordo coletivo de trabalho (ACT) 2016/2017, ajuizado no TST (Tribunal Superior do Trabalho), não avancem. A categoria também aguarda uma posição do Ministério do Planejamento em relação ao ACT 2018/2019.

O Sindsep informou que o Governo acenou inicialmente com a reposição de apenas 70% da inflação para vigir sobre os dois ACTs. O índice sequer repõe as perdas salariais no período.

Na tentativa de fechar o acordo com o Governo a categoria decidiu em assembléia abrir mão da proposta de ganho real de 5%.

Mesmo com a ameaça de multa aos sindicatos, a paralisação nacional atingiu 50% dos hospitais da EBSERH. Mais 50% das assembleias optaram pelo Estado de greve. Diante da pressão, o Governo Federal encaminhou a CONDSEF (Confederação Nacional dos dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) nova contraproposta a ser apreciada em assembléia da categoria nesta quarta-feira. Nela, propõe a reposição de 100%, ou seja 4,76% do IPCA (Índice de Preço ao Consumidor) para o ACT 2017/2018. O percentual seria dividido em duas vezes, 50% a vigorar na folha de pagamento de julho de 2018 e outros 50% na folha de dezembro de dezembro de 2018.

Já para o ACT de 2018/2019, o Governo Federal propôs a concessão de 70% do IPCA, equivalente a 1,98% retroativo a julho de 2018. Manteve também todas as cláusulas sociais apresentadas no ACT de 2018, dois dias de abono anual a ser negociado na Mesa Nacional de Negociação, criação de comissão para acompanhar os casos de assédio moral e intervalo de 30 minutos para almoço para funcionários na área administrativa.

Trabalhadoras em saúde apresentam cartazes na defesa da jornada de 40 horas e da valorização profissional

SISTA DECRETA PARALISAÇÃO PELAS 30 HORAS

O Sista também promoveu paralisação de 24 horas pela instituição da jornada de 30 horas para os trabalhadores em saúde do HU, compromisso assumido em campanha pela atual administração.

A proposta encontra com o barreira acordam do TCU (Tribunal de Contas da União) provocado pelo TC (Termo de Conduta) 014.877/2017-1. Ele institui o pagamento de adicional de plantão hospitalar para os funcionários que cumpram somente 40 horas semanais. A decisão entra em conflito com a jorna de 30 horas instituída no HU, prejudicando os trabalhadores de Medicina e Odontologia e também pode atingir os docentes.

Veja a súmula

9.3.3. estabeleça mecanismos de controle voltados ao cumprimento do disposto no art. 57 da Lei 9.394/1996, no sentido de que os docentes estão obrigados ao mínimo de oito horas semanais em sala de aula;

9.3.4. abstenha-se, imediatamente, de pagar Adicional de Plantão Hospitalar-APH antes do cumprimento da carga horária semanal fixada em lei para o cargo, em consonância com o inciso I do art. 300 da Lei 11.907/2009 e com o item 9.2.6 do Acórdão 2.602/2013-TCU-Plenário.

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Ebserh: a fábula no HU da UFMS

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Cleodete (primeira à esquerda): “É uma constante pressão” (Foto: Arnor Ribeiro/ADUFMS-Sindicato)

Mais uma vez, a crise do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS) potencializada desde 2013, ano em que a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) assumiu o controle do HU, foi denunciada. Durante palestra no III Seminário de Formação Sindical “O processo de privatização da saúde no Brasil: a questão do SUS e da Ebserh”, ocorrido na segunda-feira 29, no Auditório 2 do Complexo Multiúso da Cidade Universitária da UFMS em Campo Grande, a professora do Curso de Enfermagem da UFMS, Cleodete Candida Gomes, apontou os problemas enfrentados pela unidade. É uma das mais graves situações do hospital-escola, do qual depende boa parte da população do Estado e até de outras unidades da Federação. “A situação é drástica”, assegurou Cleodete.

O Pronto Atendimento Médico (PAM) do Hospital está com restrição de atendimento. Na entrada do PAM um aviso: “O pronto-socorro deste Hospital [HU] atende apenas pacientes encaminhados pelo Sistema de Regulação (Sisreg) do Município de Campo Grande. Os pacientes deverão portar o encaminhamento com senha de autorização para então passar pela classificação de risco e posterior atendimento.”

Às dificuldades operacionais por que passam o HU, soma-se uma indisposição da direção da Ebserh em conversar com as/os funcionárias/os do hospital. A professora Cleodete explicou que se proíbem reclamações por falta de material e remédios como dipirona para procedimentos básicos.

Não há conversa, mas há os ‘apertos’. Cleodete enfatiza que “é uma constante pressão”. Diante da ausência de diálogo a saída é usar a rede social para trocar informações sobre a grave situação do estabelecimento hospitalar que deveria ser modelo na formação de profissionais da saúde (enfermeiras/os e médicas/os, por exemplo) e na assistência à população, a saída é trocar informações e críticas via rede social, entre as/os trabalhadoras/os. Pelo WhatsApp, diálogo deste mês, queixa-se da falta de medicamento e material de procedimento. “Gente, como trabalhar sem seringa de 10 ml e 20 ml , sem soro fisiológico de 100 ml e 250 ml e sem glicosado de 100 e 250 ml? Como fazer uma dipirona EV, piscina EV??”, indaga profissional da saúde. “Vai ter q desperdiçar um monte do de 500 e usar. Que dó né”, lamenta outra pessoa. “Pra fazer uma dipirona??? Que absurdo!”, indigna-se outra pessoa.

A falta de uma administração que dê instrumental adequado à demanda acadêmica e de pacientes reflete o modelo funcional do HU. “Isso é gestão da ebserh [Ebserh]… Há mais de vinte anos trabalho nessa instituição. Nunca vi tal coisa, tamanha falta de gestão”, protesta um/a funcionário/a na rede.  É uma “incompetência administrativa muito grande”, critica a professora Cleodete.

Reflexo disso é o ofício-circular encaminhado pela Gerência de Atenção à Saúde a autoridades municipais e estaduais, ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), centrais municipal e estadual de vaga, Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul e Conselho Regional de Medicina (CRM), informando que, “devido à falta de médicos plantonistas nos setores críticos (todas as terapias intensivas) do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, teremos à disposição […] somente 01 (um) médico plantonista na Área Vermelha do PAM [Pronto-Socorro], onde o mesmo será responsável por atender todas as intercorrências nesta instituição, impossibilitando o recebimento de novos pacientes.”

Mas quem conhece o HU duvida que esteja faltando médico. “Não tem médico suficiente porque eles batem o ponto e vão embora. Entra direção e sai direção e o corporativismo médico continua. Nunca mudou. Muitos são contratados pra 40 hs [quarenta horas] semanais e não cumprem nem 20. Sempre foi assim. Quem teria que fazer 20 hs (vinte horas) faz somente 12. Tem uns bem cara de pau. Bate ponto vira para trás e vai embora. Aí vc [você] vai bater sua saída digna, eles estão voltando pra bater a saída.”

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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ADUFMS-Sindicato promove palestra que trata do SUS e o papel da EBSERH

A ADUFMS-Sindicato realiza nesta segunda-feira, às 13h30, no auditório II do Multiúso, o II Seminário de Formação Sindical, com a palestra o Processo de Privatização da Saúde no Brasil II: A questão do SUS e da Ebserh. A participação é aberta a todos os(as) cidadãos (ãs) interessados (as)  no fortalecimento do Sistema Único de Saúde e as consequências na qualidade de ensino e atendimento,  na transição gestão do Hospital Universitário para a EBSERh

Estão convidados (as) para debater a questão  Tadeu Baptista Soares , graduado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (1984),  médico clínica médica da Universidade Federal Fluminense e professor assistente do mmc da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Medicina Clinica e Emergência. Possui graduação em Direito, exercendo a advocacia na área do Direito Médico. Estudante do Curso de Filosofia da UFF. Mestrando de Justiça Administrativa e Saúde Coletiva, na Faculdade de Direito da UFF; Estela Márcia Rondina Scandola,  graduada em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1983), especialista em saúde do trabalhador e psicologia social, mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2000) e doutorado em Serviço Social pelo ISCTE-IUL.  É professora e pesquisadora da Escola de Saúde Pública e da Universidade Católica Dom Bosco, feminista, militante de direitos humanos, atua principalmente nas temáticas dos direitos e diversidades, saúde do trabalhador, tráfico de pessoas e participação popular;  Cleodete Candida Gomes – graduada em Enfermagem pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2005) e pós-graduação em Enfermagem em Nefrologia pela Faculdade de Enfermagem Luíza Marillac/RJ (2009).  É enfermeira da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Tem experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Enfermagem Pediátrica.  Atua diretamente com pacientes renais crônicos no Programa de Diálise Peritoneal Contínua .

O II Seminário acontece no momento em que tramita no Congresso  os pacotes de medidas previstas na PEC 241 e o PLC 257, o último aprovado na semana  passada.  Ambas as iniciativas  apontam para a terceirização da saúde, redução de verbas à educação, engessamento do orçamento público, com o consequente fortalecimento da política do desmonte do serviço público. Recentemente o presidente interino, Michel Temer, criou a comissão especial  trabalho  para estudar a implantação do Plano Popular de Saúde.  A medida fere  o princípio constitucional de gratuidade e universalização do SUS.

Já a EBSERH  cria o atendimento diferenciado aos usuários: os que tem plano de saúde e em segundo plano os dependentes do SUS.  Na avaliação de Tadeu Baptista , a  EBSERH  visa lucro,  logo entra em conflito com os objetivos de ensino nos cursos de saúde, com destaque para o tempo de atendimento e classificação no atendimento.  Para o médico, a lógica implantada segue o desmonte da saúde dentro das orientações do banco mundial,  que resume a função do ao atendimento básico na saúde e na educação.

Assessoria de imprensa da ADUFMS

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Após “O abraço ao HU”, estudantes dos cursos de saúde encaminharão denúncias da situação ao MPF e MPE

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Estudantes da área de saúde abraçam o Pronto Socorro do HU fechado por falta de recursos na contratualização com a Prefeitura de Campo Grande – Gerson Jara

Estudantes dos cursos da área de saúde, vinculados ao Hospital Universitário Rosa Pedrossian – Humap, em parceria com o Sindicato dos Docentes da UFMS – ADUFMS-Sindicato, promoveram na última terça-feira (31.05), “O abraço ao HU”. Participaram da mobilização universitários dos cursos de Medicina, Fisioterapia, Nutrição e Enfermagem. Depois do ato simbólico que contou com a participação de mais de 300 alunos, técnicos e professores, os centros acadêmicos decidiram formar e encaminhar um dossiê dá situação ao Ministério Público Federal. Os documentos serão incorporados a denúncia já existente, em fase de tramitação na instância e também protocolado no Ministério Público Estadual, por comprometer a qualidade de ensino dos estudantes, as condições de trabalho dos docentes e do atendimento de pacientes de Campo Grande e outros municípios.

A concentração dos estudantes aconteceu em frente do auditório do LAC (Laboratório de Análises Clínicas), dentro do HU. No local, acontecia a reunião do Conselho Diretor da UFMS para definir as regras eleitorais para escolha do novo reitor, com a presença da atual reitoria Célia Maria Silva Oliveira. Os acadêmicos aproveitaram o momento para denunciar a eleição proporcional, regra adotada para escolha de reitores. No atual sistema, o voto do segmento dos professores vale 70%, dos estudantes 15% e dos técnicos administrativo 15%.

No protesto, os alunos denunciaram a falta de medicamentos básicos para os pacientes, como Dipirona e de equipamentos para procedimentos cirúrgicos, como dreno, o fechamento de centros de cirúrgicos e do Pronto Socorro, do setor Hemodiálise, fatores que levaram a zerar as vagas de internação na unidade do Hospital Universitário. Mesmo depois da decretação da “vaga zero” pela direção da EBSERH, a Central Reguladora de Vagas da Secretaria Municipal de Saúde mantém o encaminhamento de pacientes, provocando o agravamento no atendimento. Para os dirigentes do movimento a atual situação visa desmontar o SUS (Sistema Único de Saúde), considerado modelo de atendimento de saúde pública por diversos países, com o propósito de repassar a gestão hospitalar para Organizações Sociais (OS) e fortalecer o sistema privado de atendimento à saúde. “Saúde não é mercadoria”, expressava um dos cartazes.

Para os participantes, a situação de falta de condições de ensino e atendimento de pacientes se agravou com a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), estatal responsável pelo gerenciamento do Humap. A transferência da UFMS foi objeto de protesto de diversos e estudantes no ano de 2013, resultando na ocupação da reitoria e da reunião de colegiados. Em razão dos protestos, a reitoria colocou grades na reitoria e restringiu a participação de estudantes nos Conselho Diretor, Conselho de Ensino de Graduação COEG – e no Conselho Universitário – COUNI.

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Para estudantes, problemas do HU esta ligado ao desmonte SUS patrocinados por empresas privadas de saúde – Gerson Jara

Os acadêmicos reconheceram os problemas enfrentados pelo HU por falta de verbas. Um dos motivos seria a defasagem de procedimentos pagos pela Prefeitura de Campo Grande, na contratualização com o SUS, congelados há mais de 7 anos. Cobraram mais investimentos do Governo do Estado, uma vez que são feitos atendimentos a pacientes de todos os Estados e países vizinhos. Ainda não pouparam críticas ao gerenciamento da EBSEH. Segundo eles, mesmo com a criação de 76 cargos comissionados, com salários oscilando entre R$ 4 mil a R$ 30 mil reais, os problemas não foram equacionados e ainda persistem falhas de gestão e indícios de esquemas de corrupção, já objeto de denúncia na Operação Sangue Frio. Em diversas falas houve reclamações da nomeação de pessoas despreparadas para gerenciamento hospitalar. A incorporação pela estatal, na avaliação dos estudantes, também não trouxe mais verbas para o hospital, principal argumento utilizado transferência de gestão da UFMS a empresa.

A administração do HU reconhece o problema de forma pontual em razão da contratualização com o município e também pela retenção de 30% das verbas para investimentos por parte do Ministério da Saúde em razão dos cortes orçamentários. Explica que a falta de medicamentos e equipamentos considerados básicos acontece, na maioria das vezes, em razão da falta de fornecedores, devido ao baixo valor do preço licitado, o que obriga o empréstimo de material em outras unidades, inclusive no Hospital da UFGD. Já hemodiálise ficou com atendimento suspenso por um período devido atraso no pagamento da empresa fornecedora de água, já resolvido.

A direção justifica que a suspensão das obras em dois centros cirúrgicos aconteceu em razão da desistência da empreiteira. Defende avanços como a nova gestão da EBSERH, dentre eles a duplicação de quantidade do quadro de pessoal e investimentos em novas áreas de pesquisa, como de cordão umbilical para o sequenciamento genético e ampliação de leitos da UTI Pediátrica e Adulta.

Assessoria de imprensa da ADUFMS – Sindicato.

 

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Criação da Ebserh revela descompromisso do governo federal com o SUS

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Professora Iara Cristina traça reflexão sobre desafios da política de saúde no Brasil (Foto: Gerson Jara/ADUFMS-Sindicato)

A política de terceirização dos hospitais universitários, por meio da criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), revela a tentativa política desmonte do Sistema Único da Saúde – SUS. A decisão também de se transformou numa aberração jurídica, alerta a professora do curso de Enfermagem na UFMS, doutora Iara Cristina Pereira, na Aula Pública “O Sistema Único de Saúde no contexto da privatização: um diálogo necessário”, ministrada na sexta-feira (04-09).

A criação da Ebserh foi inspirada num modelo do hospital das Clínicas de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul. Concebida para ser excelência no atendimento à população em saúde pública como hospital universitário exibe uma profunda contradição. De acordo com levantamento do Centro Acadêmico de Medicina “Dr. Augusto César Leite”, entre 2002 e 2010, 95,3% do atendimento da unidade foi direcionado para convênios e apenas 18,3% do SUS. No caso de cancelamento dos procedimentos os pacientes da porta SUS ficam sem 20,09% e particular 13,4% .

Mesmo com o aporte significativo de investimentos federais, os usuários do SUS ficam na fila de espera no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Do orçamento de mais de R$ 474 milhões em 2009, R$ 319 milhões (67%) foram provenientes do MEC, R$ 102 milhões (21%) do SUS e R$ 30 milhões (6%) de outras fontes oriundas de órgãos públicos (financiamento de pesquisa, bolsas para residências, entre outros). Os valores expressão o desvio de finalidade da instituição como rede de atendimento pública.

Para agravar o quadro, os demais hospitais universitários enfrentam situações semelhantes: pessoal insuficiente, redução de leitos de alta complexidade para a rede SUS, mesmo sendo responsáveis nos estados pela maioria dos atendimentos, inclusive transplante e neurocirurgias. O modelo em vigor também aumenta a terceirização, é mais suscentível a ingerência política, o que põe em risco o concurso público como forma de acesso a carreira dos profissionais de saúde,  ameaçando a instabilidade no emprego e o caráter de indissociabilidade entre  ensino, pesquisa e extensão nos hospitais universitários.

Para Iara Pereira o SUS passa por um problema de subfinanciamento crônico. Bem aquém da necessidade de atendimento da população. Mesmo a Constituição determinando no artigo 196, que o atendimento a saúde é direito do cidadão e dever do Estado, 36% dos leitos do SUS são públicos 64% são de instituições particulares, sendo o segundo mercado mundial na comercialização em planos de saúde. Em 2011. o gasto público com saúde chegou a 45,7%, enquanto o setor privado atingiu 54,3%.

Mesmo com a carga tributária chegando a 41,7% de impostos diretos e indiretos em 2014, no retorno em qualidade de vida o Brasil ocupa a 30º posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Em comparação ao PIB, o investimentos são insuficientes. No Brasil foi de apenas  4,0%  em 2009,  percentual é abaixo do Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Canadá em 7,0%, países com melhores indicadores de qualidade e ficando bem aquém de Cuba: 12%.

Além da falta de prioridade orçamentária, o Sistema Público financia o privado, mesmo a Constituição determinando o último é apenas complementar. Tal situação reflete a disputa histórica presente nos dois modelos antagônicos da reforma sanitária e privatista, com este ganhando espaço nos últimos anos. “Temos modelo socialista de saúde pública dentro dos marcos de uma sociedade capitalista. Como consequência, o modelo brasileiro de atendimento ao usuário vive uma disputa com o modelo privado”, explica a pesquisadora.

O embate reflete a concepção do SUS, pública, de caráter social, com a concepção saúde-doença,  do cuidado em saúde, biomédica, anatomopatológico, mecanicista e mercantilista, de aspiração neoliberal e que acaba beneficiando grandes laboratórios e empresas de tecnologia que operam neste segmento, influenciando na formação de nos profissionais da área, retroalimentando a indústria da doença.

Um exemplo do avanço privado no atual Governo é a publicação da Lei 13.097/15 que permitiu de investimento estrangeiro no setor e que contrariam as orientações do SUS e de suas instâncias,.
Mesmo o Brasil sendo o único país do mundo que tem uma rede de saúde gratuita e aberta a toda a população vê o mercado (convênios e consultas particulares) gastar mais dinheiro do que o Estado.

Demanda alta e baixa investimentos

Conceitualmente, o SUS teria que ser organizado de forma descentralizada, hierarquizada, regionalizada e contemplando a participação popular. As instâncias serviriam de orientação política coletiva, com base nas resoluções deliberativas das conferências municipais, estaduais e nacional.

No entanto, este modelo carece de prioridade orçamentária, sendo solapado em benefício da saúde privada. Mesmo com as carências provocadas pela má distribuição de renda,  a fatia estatal representa de investimentos  é de  3,7% do PIB, um terço mais baixo do que a média internacional, de 5,5% do PIB, de acordo com a OMS. Já as despesas são de 8,4% do chamado produto interno bruto (PIB), na linha com a média global, de 8,5% anuais, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Acontece, porém, que no Brasil, 55% dos leitos são privados (e beneficiam cerca de 46 milhões de conveniados) e 45%, públicos – favorecem todos os 190 milhões de brasileiros.

Mesmo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo em comparação a outros países como mesmo potencial econômico, a União se exime de dar sua contrapartida nos investimentos, congelamento a tabela de procedimento do SUS e deixando as contas para prefeituras e os estados, além de implantar mecanismos para driblar os investimentos, com a DRU (Desvinculação das Receitas da União), o que desobriga de garantir o financiamento necessário para o SUS.

A política do Governo Federal respaldada pela maioria parlamentar no Congresso Nacional, com grupos de pressões fortes em defesa da privatização do setor incentivam a priorização de parcerias com OS (organizações sociais), Oscip (organizações sociais de interesse público), PPPs (parcerias público-privadas) e outras denominações.

A ingerência política do sistema privado também põe em choque o compromisso estatal na ampliação de investimento na saúde e controle social do SUS, contrariando as deliberações democraticamente discutidas nos fóruns e conferências, principalmente da 8ª Conferência Nacional “Democracia Saúde e Participação Popular”, inspirada no modelo concebido pelo médico Sérgio Arouca com base em experiência em Cuba e na Nicarágua.

Para reverter a situação a docente defende a retomada dos cidadãos e ações organizadas junto aos poderes estabelecidos para que garantam prioridade política e orçamentária no fortalecimento do sistema público por meio do Fórum Nacional em Defesa do SUS e Contra a Privatização, da qual o Andes e as entidades profissionais de saúde fazem parte.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Pesquisadora ministra nesta sexta-feira Aula Pública sobre SUS e privatização da assistência à saúde

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Imagem baixada do perfil da professora Iara Cristina Pereira no Facebook

A Professora Doutora Iara Cristina Pereira (foto ao lado)ministrará nesta sexta-feira 4 de setembro às 14 horas a Aula Pública “O Sistema Único de Saúde no contexto da privatização: um diálogo necessário”, no Anfiteatro do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CCHS-UFMS), Campus de Campo Grande.

O tema será divido em quatro momentos, explicou a docente pesquisadora do Curso de Enfermagem do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS-UFMS).

Na primeira parte, Iara Cristina fará breve histórico das políticas de saúde no Brasil, incluindo como surgiu o Sistema Único de Saúde (SUS). Em seguida, no segundo momento, a pesquisadora discorrerá sobre conceito de saúde e sua interface com as práticas sanitárias. A professora mostrará não só o conceito de saúde aplicado a um modelo de Estado Capitalista, mas também a necessidade de desenvolvimento de uma política para o setor que se encaixe realmente nos parâmetros que seriam do Estado de Direito Social.

A docente vai esquadrinhar, na terceira etapa da Aula Pública, a Política de Estado para o financiamento do SUS. O assunto privatização dos serviços públicos de saúde por meio do subfinanciamento do Sistema Único terá prosseguimento no quarto e último momento, quando Iara Cristina exporá a difícil situação em que se encontra a saúde pública no Brasil. Ela cita, por exemplo, os hospitais universitários federais que estão em estado caótico em função do subfinanciamento posto em prática pelo Executivo Nacional, o que acarreta sucateamento.

O Hospital Universitário da UFMS é um dos exemplos da forma pela qual vem sendo desenvolvida essa política de insuficiência de recursos para o atendimento da população, por meio da gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que se enquadrada na ideia de privatização do SUS.

De acordo com a professora Iara Cristina, os HUs federais passaram a responder por procedimentos de alta complexidade (mais caros), como transplante e hemodiálise, mas, paradoxalmente, os investimentos públicos nessas instituições hospitalares são cada vez mais escassos e há falta de pessoal concursado.

Lattes – Conforme consta no Currículo Lattes, a professora Iara Cristina Pereira é “enfermeira graduada pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1985), mestra em Saúde do Adulto pela Universidade Federal de São Paulo (2000) [e tem] Doutorado em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (2015). [É atualmente] professora adjunta no Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul na área de Enfermagem em Saúde Coletiva. [As áreas] de pesquisa [da docente são as seguintes]: Atenção primária, Promoção da Saúde, Educação em saúde, Saúde Coletiva [e] Integralidade da Assistência”.

Aulas públicas – Coordenadas pelo professor Doutor Ricardo Pereira de Melo, por meio do Comando de Greve da ADUFMS-Sindicato, as aulas públicas são uma das atividades que estão sendo desenvolvidas durante o movimento paredista docente, que começou há mais de dois meses e meio na UFMS. Entre os temas já ministrados estão Plano Nacional de Educação (PNE), a crise econômica mundial e a Previdência Social, precarização do trabalho docente nas universidades federais brasileiras, Educação a Distância (EaD) e a questão agrária.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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