Organização sindical dos docentes e das docentes da UFMS

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O balcão de negócio da educação superior

Sguissardi: “O ensino superior é uma commodity” (fotos: Arnor Ribeiro/ADUFMS-Sindicato)

Já há algum tempo a educação superior vem sendo rentável negócio do capital no mundo globalizado. No Brasil as palavras usais não mais dão conta de compor o universo semântico de pesquisadores que se dedicam a estudar a mercantilização da formação de cidadãs e de cidadãos na universidade. Políticas estatais transformam as instituições universitárias em valoroso produto no balcão da iniciativa privada.

Muito além de simples nomenclaturas, os neologismos são instrumentos para se buscar entender, por meio de pesquisas, mecanismos intangíveis com o uso de conceitos convencionais no campo da educação universitária.

Na palestra Alguns Desafios Atuais da Educação Superior no Brasil, ocorrida dia 4 de maio na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Campo Grande, durante o colóquio Educação Superior e os Desafios da Década,  organizado pela ADUFMS-Sindicato, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Política de Educação Superior Mariluce Bittar (Geppes-MB) e pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu-UFMS), com apoio da Faculdade de Educação (Faed),  o Professor Doutor Valdemar Sguissardi – docente aposentado das universidades Federal de São Carlos (UFSCar) e Metodista de Piracicaba (Unimep) – analisou a mercadização, a  mercadorização e a commoditycidade da universidade no país. “O ensino superior é uma commodity”, definiu o pesquisador que, de acordo com seu Currículo Lattes, atua “principalmente nos seguintes temas: educação superior, política de educação superior, reforma da educação superior, público e privado na educação superior.”

A commoditycidade sintetiza o crescente avanço da universidade brasileira como mercadoria, um negócio como outro qualquer. No livro Da universidade à commoditycidade: ou de como e quando, se a educação/formação é sacrificada no altar do mercado, o futuro da universidade se situaria em algum lugar do passado (editora Mercado das Letras, 2017), os pesquisadores Lucídio Bianchetti e Valdemar Sguissardi usam esse neologismo que “resumiria essa nova característica das Instituições de Educação Superior que grassam país afora, especialmente nos centros urbanos mais populosos, onde a presença de clientela, seja pelo número, seja pela pressão para ‘diplomar-se’, está assegurada”.

Durante a palestra Alguns Desafios Atuais da Educação Superior no Brasil, o professor Valdemar Sguissardi apresentou e esmiuçou dados sobre o negócio em que se transformou a universidade privada no país. Em um gráfico elaborado pelo Professor Doutor aposentado da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nelson Cardoso Amaral, o professor Sguissardi historiou o quanto o privado vem dominando a formação de pessoas desde o início da ditadura civil-militar em 1964. Naquele ano do golpe, as matrículas em universidades públicas correspondiam a 61,6%. As instituições de ensino superior privadas detinham 38,4 % das matrículas/os em 1964.

Ao final dos dez primeiros anos dos governos autoritário-repressivos, em 1974, chegando a 63,5% das matrículas, o setor privado já superava as matrículas públicas. Em 1974 as matrículas no setor público haviam caído para 36,4%.

Até 1985 os percentuais permaneceram favoráveis ao setor privado com brandas oscilações que não interferiram radicalmente ao ponto de reverter a situação. A partir de 1995, com a política neoliberal implantada pelos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), houve queda vertiginosa das matrículas no setor público, até 2002: de 39,8% para 24,7%. À medida que caíam as matrículas públicas aumentavam as do setor privado: de 60,2% em 1995 para 69,8% em 2002.

“O Estado é muito mais uma arena de combate entre interesses públicos e privados”Nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora em menor escala, as matrículas do setor privado continuaram subindo com uma ligeira situação estática em 2010.

A situação a partir de 2011 prosseguiu praticamente inalterada com pequeno decréscimo nas matrículas públicas até 2016, ano ao qual se estende a abrangência do gráfico. Nas instituições privadas o número de matrículas cresceu de 73,7% em 2011 para em torno de 75,3% em 2016.

Abarcando o último governo de FHC e os dois de Lula da Silva, as instituições de educação superior públicas (federal, estadual e municipal) aumentaram suas matrículas de 886.561 (1999) para 1.461.696 (2010). Nesse período (1999-2010) as matrículas nas instituições privadas de ensino superior particulares elevaram-se avassaladoramente: de 651.362 em para 3.386.923.

Nesse cenário, Valdemar Sguissardi explica que “o Estado é muito mais uma arena de combate entre interesses públicos e privados”. Pelos dados apontados, o privado tem nocauteado o público, o que demonstra os pendores do Estado Nacional no sentido de estimular a mercadização da educação superior.

 

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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‘Não existe solução corporativa’ para a universidade pública

Fotos: Arnor Ribeiro (ADUFMS-Sindicato)

O historiador e professor Valter Ventura da Rocha Pomar esboçou a ideia de universidade pública em sinergia com um projeto de Estado, sociedade e governo. O docente da Universidade Federal do ABC (UFABC) apontou que a defesa da instituição universitária de ensino, pesquisa e extensão de matiz social não pode ser isolado do meio em que está inserida.

As ‘bolhas’, as atuações circunscritas, tornam-se empecilhos à construção de ações que arcaboucem a universidade pública dentro de uma macrossituação. “Não existe solução corporativa”, alertou Pomar na sexta-feira 29 de setembro à tarde durante palestra sobre A Função da Universidade Pública no Contexto Atual, no Anfiteatro da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC), antigo Anfiteatro do extinto Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS) na Cidade Universitária da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em Campo Grande.  A ADUFMS-Sindicato promoveu o evento.

Duas das práticas governamentais que sinalizam para a necessidade de rever táticas e estratégias de luta são a terceirização e a velada privatização da universidade pública. É o que Valter Pomar chama de conversão do espaço público em uma forma privada de administração. O historiador afirmou que isso faz sentido à medida que se coloca a educação como uma mercadoria qualquer. De acordo com o docente, os dados indicam contrariedade ao que estabelece o Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024). O governo federal cortou 40% dos investimentos na universidade pública. Pomar previu que a situação deve se agravar em 2018 com uma Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) mais severa do que a de 2017, em relação a investimentos na educação. “Provavelmente a gente vai chegar à interrupção”, profetizou em uma referência à universidade pública.

Presidenta da ADUFMS-Sindicato, Mariuza Aparecida, com Pomar durante a palestra

A crise se agrava ainda mais quando se deturpam as funções da universidade pública e da educação básica brasileiras. Diretor de Imprensa da Associação dos Docentes da UFABC (ADUFABC), seção do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o professor Pomar explicou que há uma lógica de dar prioridade ao setor privado.

Essa inversão de finalidade atinge a pesquisa acadêmico-científica que em sua maioria é concentrada na universidade pública, mas paradoxalmente não se leva em conta os interesses de todos os segmentos sociais. Segundo Pomar, a iniciativa empresarial privada se beneficia da investigação científica desenvolvida nas universidades públicas, pagando ou não por esse serviço de produção de conhecimento e sua consequente aplicação na forma de tecnologias.

O ensino superior particular moldou uma outra face da mercantilização da educação via recursos públicos paralelo à ampliação das instituições de ensino superior ainda que insatisfatória frente à demanda, ocorrida nos governos do PT. Dessa maneira, o que era ambiguidade nos governos Dilma e Lula agora no Governo Temer (PMDB) passou a ser homogêneo, enfatizou Pomar. De um lado, o setor privado da educação universitária recebe recursos via, por exemplo, Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade para Todos (Prouni); do outro as universidades públicas e os institutos federais caminham para o estrangulamento por falta de dinheiro.

Debate com Pomar sobre universidade pública, Estado, sociedade e governo

Valter Pomar soma a isso “a dinâmica da avaliação quantitativa”, por meio da qual prevalece o produtivismo, a pressão estressante para que as/os docentes produzam mais em detrimento da qualidade. Há a ideia da ascensão individual. “A individualidade reforça o individualismo [rumo] ao reacionarismo”, pontuou o historiador.

Pomar historiou que a educação superior no Brasil surgiu bem mais tarde se comparada a outros Estados nacionais latino-americanos.

ASSISTA! AOS VÍDEOS (ABAIXO) DA PALESTRA DE VALTER POMAR

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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ADUFMS-Sindicato promove nesta sexta-feira 29 palestra com o historiador e professor Valter Pomar

Em continuidade às atividades de formação política e sindical, a ADUFMS-Sindicato traz nesta sexta-feira 29 de setembro às 13h30min no Anfiteatro da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC), antigo Anfiteatro do extinto Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS),  na Cidade Universitária da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Campo Grande, o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Valter Ventura da Rocha Pomar, para debater o tema “A Função da Universidade Pública no Contexto Atual”.

Na Universidade de São Paulo (USP), Pomar graduou-se em História (1996), fez Mestrado (2000) e Doutorado (2006), ambos em História Econômica.

Conforme currículo disponibilizado na página-web do Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas (CECS) da UFABC, é professor de economia política internacional no curso de Bacharelado de Relações Internacionais. Também atua nas áreas de Ciência Política (Política Internacional, especialmente América Latina e Caribe), História do Brasil República, História Moderna e Contemporânea e é coautor dos livros A armadilha da dívida (2001), O Brasil endividado (2000) e Foro de São Paulo: construindo a integração latino-americana e caribenha (2013) e  autor de obras como A estrela na janela (2014), Miscelânea internacional (2014),  A esperança é vermelha (2014) e A foice, o martelo e a estrela (2014),

Foi secretário de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT, 2005-2010), secretário-executivo do Foro de São Paulo (2005-2013), vice-presidente da Conferência Permanente de Partidos Políticos da América Latina (Copppal). Foi diretor da revista Teoria e Debate. Integrou o conselho editorial da revista Contexto Latino-Americano e o Conselho Curador do Memorial da Anistia Política no Brasil.

A palestra tem o propósito de dimensionar o contexto de estrangulamento orçamentário das universidades combinado por ataques aos/às servidores/as e ao funcionalismo público, causados pela Emenda Constitucional (EMC) 95/2016 que instaura o “novo” regime fiscal por meio de congelamentos orçamentários por vinte anos, a Lei 13.429/2017  da terceirização, o Projeto de Lei do Senado 116/2017, da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), que pretende  acabar com a estabilidade no emprego mediante avaliação periódica de funcionárias/os públicas/os com  “baixo desempenho”. O palestrante também abordará o contexto internacional do avanço do capitalismo, reflexos no Brasil e na América Latina, além do processo de endividamento das nações como forma de alimentar a ciranda financeira internacional.

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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“Brasil Contemporâneo: Entre Cenários e Perspectivas” terá Ex-ministro Eugênio Aragão como palestrante

Ex-integrante do Ministério Público Federal e Ministro da Justiça no governo Rousseff, o advogado Eugênio José Guilherme de Aragão, participa de palestra em Campo Grande, no próximo dia 23 de agosto, às 19h30, no auditório do LAC (Laboratório de Análises Clínicas da UFMS), abordando o tema “Brasil Contemporâneo: Entre Cenários e Perspectivas”.

O evento é organizado pela parceria entre a ADUFMS-Sindicato, Conselho Regional de Psicologia – 14º Região, Sindicato dos Psicólogos de Mato Grosso do Sul (Sindpsi-MS),  Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP-MS) e o Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos (CDDH) Marçal de Souza Tupã-i, e tem o objetivo de compartilhar análise sobre a conjuntura política e econômica pela qual passa o Brasil, e as alternativas frente à política neoliberal do governo Temer.

Aragão tem assumido uma postura crítica às ações de violações constitucionais e dos rituais jurídicos estabelecidos que ocorrem na Operação Lava Jato, sob o pretexto de combate à corrupção. Para ele, o país vive um momento de ilegalidades nos processos políticos e promiscuidade entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Poder Judiciário.

Em entrevista divulgada pelo canal no youtube Viva Roda, o ex-ministro avaliou como positivo o fato de a Lava Jato ter desnudado esquemas de corrupção ligados a financiamento de campanhas eleitorais, mas criticou a postura da chamada República de Curitiba, que tem um “impulso exibicionista” que compromete o Estado de Direito e principalmente quando alguns veículos de comunicação decidiram ser permissivos com ativismos de certos grupos e persecuções seletivas.

Para o advogado, a força-tarefa da Operação Lava Jato constituiu, por si só, uma violação ao princípio da separação de poderes. Opinou que todo o processo teve “consequências desastrosas para as instituições e para a economia” e “acabou afetando enormemente o interesse nacional”. Por falta de conhecimento técnico, disse Aragão, indústrias inteiras “quebraram”.

Eugênio também fez duras críticas ao projeto de terceirização do governo Temer.  Salienta que não adianta falar em “fim da CLT” porque, para muitas pessoas, a mensagem não é clara. “Você tem que dizer que elas vão ficar pulando de galho em galho com contratos de três meses. Isso significa que não tem mais direito a férias, 13º salário, aviso prévio, licença maternidade nem FGTS. É isso o que é a terceirização. É o fim dos benefícios que existem há décadas”, disparou.

Assessoria de imprensa da ADUFMS

(Com informações do jornal GGN)

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Presidenta da Anped, Andreia Gouvea, aponta desafios na perspectiva da Educação na era Temer

Andreia Gouveia conclama educadores para o Conferência Nacional Popular de Educação – Foto Gerson Jara

Em  visita a Campo Grande, a presidenta da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPED, a professora da Universidade Federal do Paraná, Andreia Gouveia, esteve participando de encontro na Faculdade de Educação de Campo Grande, na quarta-feira (02.08), com docentes e estudantes dos cursos de pós-graduação em Educação. No evento fez um balanço do desmantelamento do Fórum Nacional da Educação, das investidas do setor privatista da educação no Governo Temer e conclamou professores e professoras a participar do Conferência Nacional Popular de Educação Popular. Na ocasião, a docente concedeu entrevista ao Jornal da ADUFMS falando dos grandes desafios para o setor.

 JA – Quais desafios colocados para educação e o ensino superior brasileiro, pontos críticos, alternativas?

Nossa maior preocupação é com a execução do Plano Nacional de Educação (PNE), um plano que foi aprovado em 2014 com a perspectiva de ampliação e democratização do acesso ao ensino superior e também com o fortalecimento da pós-graduação e da relação entre a pós-graduação e o fortalecimento da educação básica. O grande elemento de fundo das nossas preocupações é o financiamento da educação, a aprovação da emenda noventa e cinco no final de 2016 e depois o golpe institucional, que afasta a presidente Dilma, coloca o corte na lógica do PNE que tinham colocado pra educação, com a ideia de um teto de gastos, que, na avaliação da ANPED, é um teto falso, no sentido de que a política pública não está devidamente desenvolvida, não garante ainda acesso e qualidade na educação brasileira para toda a população, e, portanto, não há sentido em você pensar um teto que só corrija os investimentos em educação, ou em saúde, ou nas áreas sociais todas a partir da avaliação da inflação. Porém, já estamos vivendo neste ano de 2017 os efeitos da Emenda 95, os orçamentos das universidades públicas já estão congelados, o número de bolsas do CNPQ e da CAPES para os estudantes de pós-graduação sofreu quedas significativas, os editais de pesquisa estão ou sendo executados ou muito lentamente ou não estão saindo, e a execução lenta significa, por exemplo, no caso do CNPQ: o edital que era anual, de apoio aos pesquisadores, nós estamos executando em 2017, o edital de 2016, portanto, no orçamento de 2017 não temos recursos para pesquisa, e isso tudo vai construindo a impossibilidade de execução do Plano Nacional de Educação. Acho que neste momento o nó crítico para a nossa ação é a condição de financiamento.

Pós-graduandos em educação participam de palestra da ANPED

JA – As medidas adotadas pelo Governo Federal seriam uma forma de empurrar internamente as universidades públicas para o processo de privatização, buscando a captação de recursos e financiamentos na iniciativa privada?

AG – Acho que isso pode ser uma das consequências. Você tem o interesse específico do mercado educacional privado no ensino superior, isso é evidente nas últimas décadas, com o crescimento da participação do setor privado. Porém, tem uma outra preocupação que é o fato de que o setor privado brasileiro não faz pesquisa. Então, ainda que haja uma preocupação no sentido privatista do acesso e da venda de vagas no ensino superior, há uma preocupação de que ainda este processo de privatização possa nos levar a paralisar a possibilidade de fazer pesquisa. Se é essa a intenção da captação de recursos, ela compromete a longo prazo a capacidade do Brasil produzir conhecimento. É mais grave do que só o processo de privatização da oferta, que já é discutível, no ponto de vista do acesso. Hoje quem está fora do ensino superior tem cor, tem um determinado perfil de renda. Os dados do PNE mostram que a população mais pobre é quem está fora do ensino superior. Quando a gente pega os extratos mais elevados de renda no Brasil a gente já cumpre a meta do PNE, a gente não cumpre quando a gente tem esses outros, portanto uma expansão privatista é uma expansão que vai continuar marcando uma determinada exclusão do ensino superior. O esvaziamento da possibilidade de ampliação do acesso público pode sim ter esse plano de fundo do processo de privatização.

JA – Frente a essa conjuntura agora, quais são as alternativas?

Eu acho que nós estamos num momento de muita dificuldade de visualizar saídas, mas nós precisamos juntar a nossa possibilidade de fazer avaliação neste momento, e de interlocução. E pra isso eu acho que a grande estratégia é que os movimentos sociais e os movimentos dos sindicatos, as associações de pesquisa estão construindo é a Conferência Nacional Popular de Educação, que é uma resposta ao esvaziamento do Fórum Nacional de Educação por parte do Ministério da Educação de desrespeito a sua composição e o conjunto de entidades instituíram o Fórum Nacional Popular de Educação, tendo conta que a Conferência Nacional de Educação de 2018 está suspensa, nós faremos uma Conferência Nacional Popular de Educação, independente, autônoma, em abril do ano que vem. Este ano estamos convocando os Fóruns Estaduais e Municipais a fazer o debate nos estados e nos municípios para que a gente possa fazer coletivamente uma conferência no ano que vem e pensar a nossa atualização de lutas e de resistência e na nossa avaliação, um dos elementos chave disso é que nós precisamos reverter a Emenda 95.

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Dirigentes da ADUFMS-Sindicato palestram em associação de imigrantes haitianos

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Foto: Niura Sandra Montalvão

A presidenta, Professora Doutora Mariuza Aparecida Camillo Guimarães, e o diretor financeiro da ADUFMS-Sindicato, Professor Doutor Fábio Henrique Viduani Martinez, estiveram no sábado 28, na Associação Haitiano-Brasileira de Imigrantes Haitianos em Campo Grande – MS, a convite do presidente da Associação, Wadner Absalon, para realizar a palestra “As relações políticas e administrativas de uma entidade”. Entre os temas abordados, destacaram-se os métodos de organização de documentos administrativos, as atribuições do Conselho Fiscal e a oficina de projetos.

Fundada em dezembro de 2016, a Associação Haitiano-Brasileira de Imigrantes Haitianos em Campo Grande – MS tem por objetivo promover a cultura haitiana através da dança, da música e da culinária; promover festas e atividades sociais; incentivar a educação em todos os níveis, desde o ensino fundamental ao nível superior; proporcionar palestras sobre a legislação brasileira, em especial a lei trabalhista, além de ofertar cursos profissionalizantes para a inserção no mercado de trabalho; criar parcerias com órgãos públicos e privados.

Iniciada em 2010, a comunidade haitiana de Campo Grande, que atualmente conta com mais 80 pessoas, definiu que a capital sul-mato-grossense é o lugar para fixar sua residência e lutar por um futuro, com objetivo de ampliar o atendimento e ser um ponto de apoio, esperando que a associação seja referência para os imigrantes haitianos de todo o Mato Grosso do Sul para que superem quaisquer desafios que possam enfrentar.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Cláudio Gontijo prevê deterioração da política econômica de Temer

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Gontijo: “Temos que sacudir a árvore porque senão o fruto podre não cai” (Foto: Carol Caco/ADUFMS-Sindicato)

O professor e economista Cláudio Gontijo traçou uma conjuntura de deterioração da economia brasileira e analisou a situação do país frente a um contexto internacional de mudanças do capital que estão causando incertezas nos cenários nacional, pré e pós-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), e mundial. “Vivemos um período de profunda transformação e não é só no Brasil”, observou na segunda-feira 30 durante a palestra “A política fiscal do Governo Temer: avaliação, perspectiva e crítica”, a estudantes, docentes e sindicalistas no Auditório 2 do Complexo Multiúso da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Campo Grande. O evento fez parte do IV Seminário de Formação Sindical e da III Semana Acadêmica de Economia da UFMS. A palestra resultou de parceria da ADUFMS-Sindicato e do Centro Acadêmico de Economia (Caeco).

De acordo com o pesquisador, o congelamento de recursos para setores como educação, saúde, medida do atual governo federal contida na Emenda Constitucional (EMC) 95/2016 – antes Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/2016 – não tem sustentabilidade a longo prazo. Docente da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), docente aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), PhD em Economia pela New School for Social Research (NSSR) dos Estados Unidos, Gontijo explicou que o quadro atual do Brasil exige luta consistente por parte da sociedade, dos movimentos sociais, estudantis e sindicais para combater administração federal. “Temos que sacudir a árvore porque senão o fruto podre não cai”, metaforizou sobre a necessidade de engajamento contra o governo federal. “Não temos governo no Brasil. Temos um sindicato do crime”, criticou.

O economista enfatizou a necessidade de atuação crítica dos segmentos sociais brasileiros. Essa ação da sociedade deve ser substanciada pela formação, informação e preparo. Gontijo se inspirou em Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin) para justificar a importância de estudar a situação pela qual passa o Brasil e o mundo em um contexto globalizado. “Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária.”  O economista usou essa frase para explicar que é preciso conhecer o que está acontecendo para ir à luta.

A palestra aconteceu no Auditório 2 do Complexo Multiúso da UFMS em Campo Grande (Foto: Carol Caco/ADUFMS-Sindicato)

 

Gontijo apresentou e comentou eslaides com gráficos e quadros que expuseram a grave situação a que chegou ao Brasil. O PhD em Economia mostrou que antes mesmo da crise política já havia o prenúncio de que a economia e os investimentos sociais entrariam em colapso.

O professor expôs um gráfico sobre a queda das exportações brasileiras entre março de 2014 e novembro de 2015. Nesse período as médias anuais de vendas ao exterior ficaram abaixo de US$ 20 bilhões, caindo para aproximadamente US$ 15 bilhões em novembro de 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff (PT).

O economista apontou que foi um erro da então presidenta acreditar que Joaquim Levy como ministro da Fazenda iria pôr o Brasil nos trilhos. Levy, uma sugestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi, de acordo como a análise de Gontijo, uma leitura incorreta que Dilma fez sobre o que estava acontecendo na economia. As medidas adotadas pelo governo federal na época deterioraram a receita a partir de 2014, com declínio do superávit. Houve aumento da dívida líquida do setor público e a inflação subiu, mas não houve redução do investimento bruto.

Segundo Gontijo, o desgaste do Governo Dilma e aos segmentos que a apoiavam, pelas forças de oposição, partiu do diagnóstico negativo da economia e da sua gestão administrativa.  Citou como fatores o “descontrole dos gastos públicos; aceleração inflacionária; explosão do dólar; corrupção nas estatais; ambiente de incerteza para os negócios; redução dos investimentos externos; aparelhamento pelo PT da máquina pública (ineficiência); crise econômica; ‘Pedaladas Fiscais’ (crime de responsabilidade)”.

As ditas ‘pedaladas fiscais’, razão do impedimento de Dilma, não são consideradas por Gontijo como crime. Com experiência em administração de recursos oficiais, o economista citou o caso da Caixa Econômica Federal (CEF), que assumiu compromissos do governo federal que não tiveram a devida cobertura orçamentária. Para honrar operações relativas a programas sociais como Bolsa Família, Seguro-Desemprego e abono salarial, a CEF teve que arcar com R$ 34,2 bilhões. O pesquisador definiu tal atitude como “inadimplemento contratual”. Na interpretação do economista, “não existe essa história de ‘pedalada’. Isso é invenção”. Embora aponte falhas no Governo Dilma, o professor assegura que isso não seria motivo legal para cassar o mandato da presidenta.

As eras Lula e Dilma propiciaram gigantesco incremento nas reservas cambiais do Brasil. Dados apresentados por Cláudio Gontijo sustentam que de 2003 a 2015 a reserva cambial do país chegou a US$ 378 bilhões. De 1994, ano em que Fernando Henrique Cardoso foi eleito para assumir seu primeiro mandato na Presidência da República, até o final do segundo governo FHC (2002), a reserva cambial brasileira atingiu US$ 38 bilhões.

Clique AQUI e confira o conteúdo referencial da palestra “A política fiscal do Governo Temer: avaliação, perspectiva e crítica”, do professor Claúdio Gontijo.

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Fórum Permanente de Debates da UFMS: pesquisador analisa Financiamento do Ensino Superior nesta segunda-feira 14

Nelson Cardoso Amaral. Foto UFPA

O Fórum Permanente de Debates da UFMS pauta o Financiamento do Ensino Superior, tema que será descrito e analisado pelo Professor Doutor Nelson Cardoso Amaral (foto à esquerda, baixada do site da ADUFPA), docente aposentado da Universidade Federal de Goiás (UFG). Organizada pelas entidades que compõe o Fórum – ADUFMS-Sindicato, Diretório Central das e dos Estudantes (DCE) e Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no Estado de Mato Grosso do Sul (Sista-MS) –, a palestra acontece nesta segunda-feira 14 de dezembro de 2015 às 19 horas, no Anfiteatro do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS), Campus de Campo Grande da UFMS.

Com Doutorado em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), no qual desenvolveu a pesquisa que resultou na tese Estado e financiamento universitário no Brasil: o fundo público federal e as instituições federais de ensino superior (1989-2001), defendida em 2002, o palestrante conhece, acompanha e investiga as transformações que vêm ocorrendo na educação universitária no Brasil.

A exemplo de seu orientador de doutoramento, Professor Doutor Valdemar Sguissardi, docente aposentado da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Unimep, que esteve na UFMS este ano, durante a greve, palestrando sobre a mercantilização da educação universitária, Amaral tem formulações sobre a política adotada pelo governo federal em relação ao ensino superior.

No artigo “Autonomia e financiamento das IFES: desafios e ações”, publicado no periódico Avaliação em 2008, o ex-orientando de Sguissardi apontou que “a desmercantilização das IES [instituições de ensino superior] públicas e das IFES [instituições federais de ensino superior], em particular, constitui-se imperativo nas opções a serem estabelecidas para a utilização do Fundo Público”.

O livro Financiamento da educação superior: Estado x mercado (2003), de Amaral, contextualiza aspectos fundamentais na busca do entendimento da ótica de diminuição de investimentos nas IFES. Entre os aspectos relevados pelo pesquisador nessa obra está a forma pela qual o Poder Executivo Federal divulga seus dados sobre a aplicação de recursos nas universidades públicas. “Os organismos governamentais que tratam da educação superior divulgaram ou incentivaram a divulgação sistemática do que se chamou custo do aluno, nem sempre explicitando a metodologia utilizada para calculá-lo. Considerando-o elevado, a divulgação sistemática significou, perante a sociedade, um bom argumento para explicar a redução dos recursos financeiros, o congelamento salarial e a proibição do preenchimento de vagas dos aposentados”, pondera o docente num trecho do livro citado na resenha do também doutor em Educação pela Unimep Valdemir Pires, publicada na revista Educação & Sociedade, do Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), intitulada “Ensino superior e neoliberalismo no Brasil: um difícil combate” (2004).

Na segunda quinzena de novembro deste ano, o Fórum Permanente de Debates da UFMS promoveu palestra com o Professor Doutor Damião de Farias, historiador e ex-reitor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que falou sobre “A função social da universidade” (Universidade pública deve avançar frente aos novos desafios, aponta pesquisador).

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Palestra desta sexta-feira aborda “Software Livre e a Liberdade de Informação

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Prof. Dr. Fábio Viduani

O ciclo de palestra organizada pelo Comando de Greve da UFMS aborda nesta sexta-feira, às 14h , no anfiteatro do CCHS,  o tema “Software Livre e a Liberdade de Informação, a ser ministrada pelos professores doutores da Faculdade de Computação – Facom, Marco Aurélio Stefanes, e Fábio Henrique Viduani Martinez.

Prof. Dr. Marco Aurélio Stefanes

Os docentes na ocasião farão o balanço da evolução tecnológica da computação, impactos na sociedade e no comportamento humano, o papel das redes sociais no mundo da informação, as vantagens da adoção de sistemas livres nas organizações, a formulação de políticas públicas para a sua popularização e o papel da universidade na pesquisa e inovações tecnológicas na área.

Marco Aurélio Stefanes formado em Ciências da Computação. É Mestre Doutor em Ciências da Computação pela Universidade de São Paulo, USP, Brasil. Título: Algoritmos Paralelos de Granularidade Grossa em Grafos Bipartidos Convexos, Ano de Obtenção: 2003. Grande área: Ciências Exatas e da Terra / área: Ciência da Computação / Subárea: Teoria da Computação / Especialidade: Computabilidade e Modelos de Computação. Grande área: Ciências Exatas e da Terra / área: Ciência da Computação / Subárea: Metodologia e Técnicas da Computação. É coordenador do CTIE (Centro Tecnológico em Informática e Eletrônica) da UFMS.

Já Fábio Henrique Viduani Martins possui graduação em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1991), mestrado em Matemática Aplicada pela Universidade de São Paulo (1996), doutorado em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo (2004) e pós-doutorado em Bioinformática pela Universität Bielefeld (2014). Atualmente é professor associado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em algoritmos.

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