Organização sindical dos docentes e das docentes da UFMS

Ponta Porã

Conselho de Graduação suspende 8 cursos da UFMS a partir de 2019

Alun@s do curso de Ciência da Computação de Ponta Porã acompanham votação que derrubou resolução que suspendia a entrada em 2019 – Fotos: Gerson Jara/ADUFMS-Sindicato

Por maioria, docentes que compõem o Conselho de Graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Cograd-UFMS) aprovaram atos ad referendum assinados pelo presidente da instância, Ruy Alberto Caetano Corrêa Filho, e reitor da instituição, Marcelo Augusto Santos Turine. O colegiado suspendeu o oferecimento de oito cursos de graduação a partir de 2019. A decisão deverá ser homologada em reunião do Conselho Universitário nesta quinta-feira (20-09), às 14 horas, no auditório do Sedfor (Centro de Formação de Professores). Nela serão debatidas as polêmicas e as críticas levantadas terça-feira 18 por alguns/algumas representantes durante a reunião do Cograd.

Apenas Ciências da Computação de Ponta Porã conseguiu derrubar a resolução em votação apertada, comemorada pel@s estudantes que acompanharam o debate.

Outra resolução polêmica, amplamente discutida no Cograd, foi a extinção do curso de Literatura – habilitação em Literatura de Três Lagoas, suspenso por 14 favoráveis e 8 contrários.

A representação da unidade criticou que a medida dependia de melhor avaliação, pois a decisão de fechar a graduação poderia prejudicar a entrada no mestrado e doutorado com foco na mesma área e avaliação 5 no Capes. O argumento, no entanto, não sensibilizou a maioria do colegiado.

Durante boa parte das discussões ficou patente o descontentamento quanto a forma e os indicadores usados para justificar a decisão de suspender os cursos a partir de 2019. Os docentes cobraram que os relatórios de avaliação enviados para as coordenações não foram discutidos nos colegiados de cursos com o tempo necessário. Alguns apresentavam distorção no quantitativo de professores disponíveis para atuar curso,  desconsiderava os professores afastados para pós-graduação. Não considerava ainda outros requisitos de avaliação de sustentação da universidade pública: ensino, pesquisa e extensão, publicações científicas e a avaliação do próprioExame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Não considerava a greve de quase três meses no ano de 2012, fato que motivou vários alunos a desistirem do curso. A condensação de três semestres em apenas um ano em 2017 também levou a exaustão professores e alunos focados no fechamento da carga horária e comprometeu a qualidade em geral.

O papel da Cograd também foi questionado, uma vez  que não desempenhou adequadamente o papel de monitorar e construir conjuntamente com os colegiados ações que levassem a superar o problema de baixa entrada, permanência e saída de alunos. A medida aconteceu com o curso de Medicina de Três Lagoas para reverter os problemas apresentados para o seu funcionamento e obter melhor taxa de desempenho e apontado como exemplo que deveria ser estendido aos demais cursos problemáticos.

Os indicadores cobrados para suspensão também não atingiram todos os cursos de forma homogênea, procedimento comum em processos de padronização administrativa. A falta divulgação massiva dos cursos oferecidos nas unidades por parte da UFMS recebeu duras críticas. “Muitos sequer sabem que existem unidades da universidade na cidade e os respectivos cursos oferecidos disponíveis”, comentou um representante.

Para presidenta da ADUFMS-Sindicato, Mariuza Aparecida Camillo Guimarães, a decisão de fechar cursos sem ampla discussão com as instâncias da UFMS acende o sinal vermelho para os docentes, uma vez que terão dificuldades de fechar a carga horária e recente portaria publicada pelo presidente Temer permite a transferência pessoal para outras instituições e até mesmo demissões por excesso de pessoal nos órgãos de origem. Cobra que a atual administração não vem efetivando os compromissos assumidos em campanha com a comunidade universitária: oferecimento de moradia estudantil, restaurante universitário com preços acessíveis, transporte, segurança, ampliação de Bolsa Permanência e de projetos de iniciação científica. “A decisão da administração de fechar cursos é o caminho mais fácil para adequar o corte de orçamento superior a R$ 70 milhões promovido pela MEC em 2017. Para nós educação pública não rima com lucro, não é gasto é investimento”, criticou.

ABAIXO-ASSINADO

O curso de Ciências da Computação é que mais vem se mobilizando contra a suspensão do curso em 2019. Assim que os docentes foram informados da possibilidade de suspensão promoveram audiência pública na Câmara de Vereadores, manifestação “Fica UFMS e fica Ciências da Computação” com faixas e cartazes criticando a medida. Coletaram abaixo-assinado junto a comunidade com mais de 1.000 assinaturas de cidadãos pela permanência da graduação. Vieram de ônibus a Campo Grande para acompanhar a reunião do Cograd.

A representação da unidade pediu mais tempo para melhorar os indicadores de entrada, permanência e saída de alunos da graduação. Ressaltou que os docentes e estudantes vêm atuando na divulgação junto as escolas de ensino médio da região. Negociam parcerias e convênios de extensão com a Prefeitura e Câmara de Vereadores visando garantir bolsas para estudantes com baixa renda familiar.

Além disso, tomou decisões pedagógicas como quebra de pré-requisito para disciplinas, reestruturação do PPC, aceleração de alunos em atraso, reoferta de disciplina, sensibilização do corpo docente, dentre outras, com objetivo de melhorar a taxa de permanência, cujo efeitos poderão ser avaliados somente a médio e longo prazo. O curso também apresenta bom indicadores de produção científica e desenvolvimento de projetos de extensão junto à comunidade.

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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Protestos contra fim de cursos na UFMS marcam o Sete de Setembro

Caixão simbolizando morte do curso de Ciência da Computação no CPPP – Foto: Késia Caroline Ramires Neves/ADUFMS-Sindicato

Manifestantes levaram à sociedade, no 7 de Setembro, seu descontentamento com a decisão da administração central da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) – via canetadas do reitor Marcelo Augusto Santos Turine e do pró-reitor de Graduação, Ruy Alberto Caetano Corrêa Filho – de suspender e extinguir cursos na instituição. Integrantes da comunidade da UFMS, maior universidade pública do Estado, juntamente com docentes da direção da ADUFMS-Sindicato, portaram faixa para dizer não à medida unilateral do alto escalão da instituição de ensino, pesquisa e extensão.

Manifestantes percorreram rua Treze de Maio no Centro de Campo Grande – Foto: Arnor Ribeiro/ADUFMS-Sindicato

Os protestos aconteceram no interior e em Campo Grande. Na fronteira Brasil-Paraguai, estudantes, técnic@s administrativ@s e docentes do Câmpus de Ponta Porã (CPPP) participaram dentro do desfile do 7 de Setembro para exigir que a administração da UFMS não execute a decisão de suspender o ingresso de nova turma no curso de Ciência da Computação no próximo ano naquela unidade.

Campo Grande: Guarda Civil Municipal bloqueia manifestação democrática – Foto: Arnor Ribeiro/ADUFMS-Sindicato

A ADUFMS-Sindicato uniu-se à comunidade fronteiriça para lutar contra as exclusões promovidas pela administração central da UFMS. De acordo com o jornal online Lidernews, “mais de 150 pessoas, entre alunos, técnicos, docentes da comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) de Ponta Porã, e apoiadores da causa, desfilaram nesse 7 de setembro para divulgar os 4 cursos  (Ciência da Computação, Matemática, Pedagogia e Sistemas de Informação), projetos de ensino, pesquisa e extensão da universidade, além de protestar contra a suspensão e fechamento de cursos dentro da UFMS, em particular, protestar contra a suspensão do curso de Ciência da e Computação de Ponta Porã”.

“Destaque ao caixão, que desfilou simbolizando a educação sendo enterrada, descartada por quantitativos financeiros. O caixão aparece para protestar CONTRA A SUSPENSÃO DO CURSO DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO EM PONTA PORÃ. Os alunos seguravam cartazes de data de nascimento do curso (2010) e de suspensão (2018)”, descreve matéria do Lidernews.

“Gritando palavras de ordem – ‘UFMS,  fica’, ‘Câmpus de Ponta Porã, fica’, ‘Ciência da Computação, fica) –, pedindo  para que a UFMS fique com seus cursos na cidade, carregaram um caixão com cartaz ao lado, dizendo: ‘Reitor, não ‘mate’ nossos cursos de graduação da UFMS em Ponta Porã’. ‘Nosso coração bate!!!’”, afirma a diretora de Políticas Educacionais da ADUFMS-Sindicato, Professora Doutora Késia Caroline Ramires Neves.

Grito d@s Excluíd@s – Em Campo Grande, empunhando as faixas “Contra o fechamento de cursos na UFMS” e “Basta” (sem corte de investimentos na educação, sem privatização da pesquisa, sem corte de bolsas, sem cobrança de mensalidade na universidade pública e sem terceirização) a ADUFMS-Sindicato e pessoas defensor@s da universidade pública, laica e referenciada participaram do Grito d@s Excluíd@s logo após o desfile cívico do 7 de Setembro. “A ADUFMS-Sindicato está acompanhando com muita preocupação essa suspensão de oferta de curso por atacado, sem discussão nos colegiados superiores”, reforçou a presidenta da entidade, Mariuza Aparecida Camillo Guimarães.

As/os manifestantes percorreram a rua Treze de Maio, no Centro da capital sul-mato-grossense. Por meio de uma atitude criminalizadora, a polícia montou um cordão na esquina com a avenida Afonso Pena para barrar cidadãs, cidadãos e entidades que estavam na caminhada portando faixas e cartazes, pronunciando palavras de ordem. O bloqueio teve o intuito de blindar autoridades enquanto elas estavam no palanque ou se retiravam, incluindo o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB).

Ecoando alto “fascistas e golpistas não passarão!”, após liberação da tropa policial, @s excluíd@s encontraram pela frente o pelotão d@s contrári@s ao democrático protesto.  Atrás das forças oficiais repressivas, ess@s contrári@s xingavam e insultavam as muitas pessoas que participavam da manifestação pedindo mudanças sociais e políticas avançadas de inclusão.

 

Assessoria de Imprensa da ADUFMS-Sindicato

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