6ª Semana de Educação e Formação Docente debate os desafios da educação brasileira e reúne nomes da área

A Faculdade de Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Faed/UFMS) realizou, entre os dias 16 e 18 de setembro, a 6ª Semana de Educação e Formação Docente, reunindo professores, estudantes e pesquisadores em atividades voltadas à integração entre ensino, pesquisa e extensão. A programação contou com apresentações de trabalhos e debates relacionados à formação docente, às políticas educacionais, ao currículo, às práticas educativas e a diferentes perspectivas de investigação em educação.

Entre os destaques da programação esteve a participação de César Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), na quinta-feira (17). O educador apresentou a conferência “Defesa da qualidade e equidade em tempos de polarização”, abordando os desafios contemporâneos da educação e a necessidade de aproximar os órgãos responsáveis pela formulação das políticas educacionais das universidades, professores e estudantes.

Em entrevista, Callegari ressaltou a importância da aproximação entre o CNE e os diferentes territórios educacionais, defendendo que as normativas nacionais sejam construídas a partir do diálogo com quem vivencia a educação. “Essa proximidade é essencial para que tudo aquilo que a gente venha a produzir como normativas educacionais do país leve em consideração o conhecimento, as peculiaridades de cada território educacional, como esse que é organizado pela universidade, e que tenha sempre o cuidado de ouvir, respeitar e conhecer as contribuições não apenas de professores, mas estudantes também.”

Ao tratar do tema central de sua conferência, o presidente do CNE afirmou que qualidade e equidade devem orientar a organização das políticas educacionais em todas as etapas de ensino.“Educação de qualidade para poucos não é qualidade, tem que ser para todos. Então as políticas de equidade são muito importantes também, de inclusão e de respeito à diversidade que o país tem.”

Callegari também classificou o atual cenário como um momento de disputa sobre os rumos da sociedade e relacionou a educação ao enfrentamento do que definiu como “retrocessos civilizatórios”. Entre os exemplos citados pelo presidente do CNE estão o negacionismo científico, a perseguição a professores, a redução de recursos destinados à educação e conflitos internacionais. “Quando eu falei civilização e barbárie, eu quero fazer uma outra educação contra a barbárie. A educação é o principal caminho para que nós possamos combater e vencer os retrocessos civilizatórios que estão aí, não é que virão, eles estão aí.”

Formação docente em debate

A formação de professores também esteve entre os temas discutidos durante a Semana. Na quarta-feira (16), a professora Kátia Augusta Curado Pinheiro Cordeiro da Silva, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), participou da programação e destacou a possibilidade de integração entre diferentes cursos e áreas de formação. “Eu penso que esse evento, proporcionando o encontro desses três cursos para pensar, pesquisa, estágio e eu chamo de praxis, ele pode promover diálogos entre áreas diferentes e que essas áreas, elas podem contribuir e conversar mais, principalmente com a educação do campo, porque ali nós temos uma formação interdisciplinar.”

Kátia também destacou a experiência da Licenciatura em Educação do Campo e a concepção de formação presente nessa modalidade. “Quero também destacar e parabenizar a formação que o pessoal da Educação do Campo consegue fazer no Brasil, que pra mim é um dos projetos mais bonitos de licenciatura, porque é um projeto que tem a intencionalidade de uma prática revolucionária.”

A discussão sobre a formação docente também apareceu na participação de Mariuza Guimarães, professora da Faed e conselheira suplente da Câmara de Educação Básica do Conselho Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul. Mariuza também atuou como presidente do CEE/MS e como coordenadora e vice-coordenadora do Fórum Estadual de Educação.

Durante a atividade, Mariuza questionou Callegari sobre os impactos das novas diretrizes para a formação inicial de professores, especialmente diante das sucessivas mudanças nas orientações curriculares dos cursos de licenciatura. A discussão abordou a organização dos cursos, a carga horária presencial, os estágios e os processos de avaliação.

Em resposta, Callegari afirmou que “nós esperamos, até pela maneira pactuada que ela foi elaborada, que ela seja uma diretriz consistente, permanente, flexível e que possa contemplar a diversidade de situações que o Brasil tem, dos diferentes territórios educacionais que o Brasil tem também.”

Sobre o estágio, o presidente do CNE defendeu maior responsabilidade compartilhada entre as instituições envolvidas na formação dos futuros professores. Para Callegari, “o estágio não pode ser um ‘faz de conta’, tem que ter responsabilidades e uma intencionalidade pedagógica e formativa bastante bem definidas.”

Adufms participa da programação

A Adufms – Seção Sindical do ANDES-SN também esteve presente na 6ª Semana de Educação e Formação Docente da Faed. A entidade foi representada pelo presidente José Roberto Rodrigues de Oliveira e pela ex-presidente Mariuza Guimarães, que acompanhou as atividades e participou dos debates realizados durante a programação.

A presença da entidade no evento reforça a participação do movimento docente nos espaços de discussão sobre formação, políticas educacionais e os desafios enfrentados pela educação brasileira. A programação da Semana reuniu diferentes perspectivas acadêmicas e institucionais em torno da formação docente e das políticas educacionais, com atividades realizadas ao longo dos três dias de evento.