
Na quinta-feira (12), a deputada estadual Gleice Jane e docentes de diferentes instituições de ensino superior de Mato Grosso do Sul se reuniram com o presidente da Fundect, professor Cristiano Espínola Carvalho, para discutir atrasos no pagamento de editais de fomento à pesquisa, com destaque para o edital Humanidades. Pesquisadores relataram que há pendências referentes a chamadas de 2025, além de passivos acumulados desde 2023 e 2024.
A deputada Gleice Jane afirmou que a reunião foi motivada por demandas recorrentes recebidas por seu gabinete. “Até o momento, não há um detalhamento formal por parte da Fundect sobre quais editais ou bolsas específicas estavam com pagamentos em atraso, nem sobre o volume total de recursos envolvidos”, declarou. Segundo ela, pesquisadores, sindicatos e a Reitoria da Universidade Federal da Grande Dourados relataram atrasos, o que levou à agenda com a Fundação e ao diálogo prévio com a Secretaria de Estado de Fazenda.

A parlamentar acrescentou que não foi apresentado um cronograma formal por escrito, mas houve compromisso político de regularização. “Na reunião, o presidente informou que os atrasos decorreram de decisões políticas do Governo Riedel, que optou por adiar recursos de alguns editais. Atualmente, os processos estão nas etapas burocráticas finais. A previsão é que os pagamentos comecem a ser realizados nas próximas duas semanas. Os valores devidos serão pagos integralmente, em parcela única, sem parcelamento”, afirmou a deputada.
Os docentes presentes puderam expor suas opiniões sobre a reunião e acerca das propostas expostas pela Fundect. É importante ressaltar que as previsões mencionadas pelos docentes referem-se aos compromissos apresentados verbalmente durante a reunião, ainda sem formalização documental.
Na avaliação do pesquisador e antropólogo, membro da Adufms, Guilherme Passamani, o encontro foi produtivo. Ele destacou que os docentes apresentaram projetos aprovados e ainda não pagos. “O encontro foi muito interessante. Houve uma rodada de apresentação. Depois dessa rodada de apresentação pessoal, nós apresentamos os projetos que estão aprovados, mas ainda não pagos, bem como demandas, sugestões e tudo mais, e houve essa escuta da Fundect”, relatou. Segundo ele, a reunião não teve apenas caráter informativo. “Também houve a escuta dos docentes, pesquisadores, escuta da deputada, a escuta do reitor da UFGD que estava lá, então foi uma reunião muito positiva nesse sentido”. Passamani ressaltou que o principal foco das discussões foi “o edital Humanidades”, voltado especificamente às pesquisas da área e com impacto direto sobre docentes, discentes e comunidades envolvidas nos projetos.

O professor Vitor Sanches, do IFMS e membro do Sinasefe, que também esteve presente, observou que a atual presidência assumiu recentemente a Fundação e está organizando um diagnóstico interno. “O que ele falou é que o orçamento deste ano vai ser destinado a sanar esses passivos que ficaram dos anos anteriores”, disse. Entre as pendências mencionadas estariam problemas relacionados não só a 2025, mas também a 2023 e 2024, incluindo o edital Humanidades. “Ele disse que já, no máximo, final deste mês, começo do mês que vem, esse edital de humanidades vai começar a ser pago”, reiterou. Sanches acrescentou que a prioridade inicial da gestão é regularizar as pendências antes de lançar novos editais. “Segundo ele, o foco desse primeiro ano de mandato dele é cessar os passivos que ficaram dos anos anteriores”, afirmou, ponderando que a abertura de novas chamadas dependerá também de contrapartidas estaduais em editais nacionais do CNPq e da Capes.
Além da questão dos atrasos, foram discutidas propostas para fortalecer a pesquisa no Estado, como a incorporação do edital Humanidades ao plano permanente da Fundação, programas de fixação de doutores com bolsas que podem chegar a R$ 13 mil e um projeto voltado a estudos sobre a Rota Bioceânica, com ênfase nos impactos sociais e ambientais. Segundo a deputada Gleice Jane, a conclusão da ponte que liga o Brasil ao Paraguai reforça a urgência de pesquisas sobre temas como exploração infantil e tráfico de mulheres e crianças no contexto da nova rota.
