Grito dos Excluídos reúne movimentos sociais em Campo Grande e cobra direitos, soberania e fim do feminicídio

Movimentos sociais, sindicatos, pastorais, entidades e representantes políticos participaram, nesta segunda-feira (7), do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas, realizado em Campo Grande. A manifestação teve concentração na Rua Barão do Rio Branco, entre as ruas 13 de Maio e Rui Barbosa, e ocorreu após o desfile cívico-militar de 7 de Setembro. Neste ano, o ato adotou o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.

A mobilização contou com a presença da Adufms – Seção Sindical do Andes-SN, representada pelo presidente José Roberto Rodrigues de Oliveira. Ao comentar a participação da entidade no movimento, ele destacou a importância da mobilização popular: “A gente vem apoiando porque gritar por melhorias na saúde, na educação é fundamental”

Um dos coordenadores do Grito dos Excluídos em Mato Grosso do Sul e secretário do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) – Regional Oeste 1, o advogado Edvaldo Bispo Cardoso, participou da organização da manifestação e explicou um pouco mais sobre o movimento. “O Grito dos Excluídos, que nasceu em 1994, ele trazia exatamente esse tema a partir da Campanha da Fraternidade, que era Fraternidade dos Excluídos. A partir de lá, a gente vem todo ano se organizando, temos um movimento, uma coordenação, uma equipe de articulação a nível nacional que discute os próximos temas, sempre vinculado à Campanha da Fraternidade.”

Edvaldo também destacou os eixos que orientam a mobilização neste ano. “A campanha do 32º Grito esse ano também traz outros temas, né? A justiça social, a paz, a soberania, a terra, o teto e o trabalho. Esses eixos a culminância é no dia 7, mas o Grito se prorroga ainda. Os gritos não acontecem somente no dia 7, pode ir ainda até outubro. Então esse é o nosso movimento que mantemos vivo há tanto tempo”.

A deputada federal e candidata à reeleição pelo PT, Camila Jara, também participou do ato e destacou a pauta relacionada à violência contra as mulheres. “É importante estar aqui no Grito dos Excluídos porque o evento mostra um Brasil independente. Mas o Brasil ainda precisa se tornar ainda mais independente, e hoje o Grito dos Excluídos em Mato Grosso do Sul traz um tema importante que é a luta contra o feminicídio. O Estado está em segundo lugar no índice de morte contra as mulheres, e um evento como este serve para mostrar que o Brasil ainda não é independente para as mulheres, o Brasil ainda não é independente para a população pobre, não é independente para a população negra, apesar dos avanços dos últimos anos”.

O deputado estadual e também candidato à reeleição pelo PT, Pedro Kemp, também participou da manifestação e ponderou sobre a verdadeira independência a ser buscada. “A gente sempre achou muito importante esse movimento no dia 7 de setembro para também mostrar para o nosso país que a verdadeira independência vai acontecer quando houver mais igualdade, mais justiça social nesse país, que é tão desigual.”

Kemp relacionou a mobilização ao cenário eleitoral de 2026 e defendeu a continuidade do governo federal. “Nós defendemos a reeleição do presidente Lula porque ele, no cenário internacional, defende a soberania do Brasil, defende um Brasil sem fome, sem miséria e um Brasil realmente democrático. Ele foi o baluarte no dia 8 de janeiro de 2023 para garantir que o nosso estado democrático de direito não sofresse um golpe. Então nós estamos aqui também para pedir para a população esse voto de confiança do nosso presidente Lula”.

Diálogo com o governo define passagem do ato

A relação entre o Grito dos Excluídos e o desfile oficial de 7 de Setembro também foi marcada, em Campo Grande, pelos episódios de tensão registrados em anos anteriores. Em 2025, por exemplo, a manifestação foi impedida de avançar inicialmente por barreiras da Polícia Militar, e o conflito terminou com uso de spray de pimenta e a prisão de um manifestante.

Para a edição deste ano, segundo os organizadores, houve diálogo prévio com o Governo de Mato Grosso do Sul para definir a passagem do grupo após o desfile. Edvaldo Bispo explicou que a organização buscou garantir a continuidade da caminhada. “Este ano o governo, a partir da governadoria, nos convidou pra uma conversa pra gente dialogar como que seria. Chegamos num acordo de que nós queremos manter o movimento, que nós respeitamos esse momento cívico que é muito importante pra nós, mas nós também queremos mostrar esse outro lado e deixamos sempre para entrar após a última passagem do último carro do desfile oficial que acontece.”

Pedro Kemp também avaliou a experiência em comparação à manifestação deste ano. “Realmente, no ano passado, aconteceu um fato lamentável, porque a polícia queria nos impedir de passar logo após o desfile oficial. E esse ano aconteceu uma reunião no governo do estado, ele tomou a iniciativa de chamar a coordenação do Grito para organizar a nossa passagem e não haver mais esse tipo de incidente.”

Diante do acordo relatado pelos organizadores, a passagem do Grito em 2026 foi acompanhada por policiais militares. Segundo relatos publicados após o ato, o grupo percorreu as ruas centrais por poucos minutos, sob bastante escolta policial.