
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, sediou, entre os dias 11 e 14 de agosto, o 33º Seminário Nacional Universitas/Br, que teve como tema “Educação Superior e Democracia: resistências em tempos de ultraneoliberalismo”. Organizado pela UFMS, por meio da Faculdade de Educação (FAED) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu), em parceria com a Rede Universitas/Br, o evento reuniu pesquisadores de diferentes regiões do país, estudantes e profissionais da educação básica e superior.
A programação incluiu mesas temáticas, mesas-redondas e sessões de comunicação oral, distribuídas em oito eixos de discussão. A abertura contou com a participação do professor José Roberto Rodrigues Oliveira, presidente da Adufms – Seção Sindical do Andes-SN, que integrou a mesa de abertura do seminário.
Entre os participantes esteve Ricardo Antunes, professor de Sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que defendeu a necessidade de resistência diante do avanço de modelos de privatização e financeirização da educação. Para o professor, a universidade pública correria o risco de perder sua função social caso não houvesse mobilização em sua defesa. “A universidade pública que nós temos hoje, se nós não lutarmos, se não resistirmos, se não nos organizarmos, se não representarmos o que a população brasileira nos pede, ela vai ser privatizada e vai daqui a 10, 15, 20 anos, talvez muito menos, se tornar um conglomerado privado”, afirmou.

Antunes também relacionou o avanço de modelos empresariais de educação às transformações no mundo do trabalho. Segundo ele, a formação universitária não deveria estar subordinada exclusivamente às demandas do mercado e das grandes corporações. “A universidade só pode, pública, ter um papel muito importante a cumprir e o primeiro e mais urgente é lutar contra qualquer destruição nessa direção. Como? Organizando professoras e professores, ligando a universidade às questões cruciais do Brasil”, declarou.
Para Carina Elisabeth Maciel, professora e pesquisadora da UFMS, vinculada à Faculdade de Educação e ao Programa de Pós-Graduação em Educação e coordenadora geral do seminário, a presença de pesquisadores com trajetória consolidada na área era fundamental para qualificar o debate sobre as políticas de educação superior. Ela destacou que as discussões apresentadas no evento eram fundamentadas em pesquisas acadêmicas. “Não são achismos, não são dados do senso comum, são dados coletados, analisados e pensados sobre algum referencial teórico”, afirmou. Carina também defendeu mais financiamento, expansão e políticas que garantissem acesso, permanência e conclusão dos estudantes nas universidades públicas.

Já Salomão Hage, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e integrante do Eixo 7 da Rede Universitas/Br, dedicado à educação superior do campo, destacou a democratização do ensino superior e a inclusão de grupos historicamente excluídos. “É de suma importância a gente, em meio ao avanço dessas forças conservadoras e ultraneoliberais, estar pautando a educação superior como um direito”, afirmou. Para o pesquisador, o debate deveria considerar a diversidade da sociedade brasileira, incluindo populações do campo, das águas e das florestas, além de comunidades quilombolas, indígenas e pantaneiras.
O seminário foi encerrado em 14 de agosto, após debates sobre financiamento, avaliação, educação do campo, trabalho docente e outros temas relacionados à educação superior brasileira. A programação reuniu pesquisadores de diferentes regiões para discutir, a partir da pesquisa acadêmica, os desafios enfrentados pelas universidades públicas e as possibilidades de democratização e resistência diante do cenário político e econômico contemporâneo.

