Juventude e Adufms marcam presença em ato em defesa da democracia em Campo Grande

A Adufms – Seção Sindical do Andes-SN participou, no dia 8 de janeiro (quinta-feira), do ato público realizado em Campo Grande em defesa da democracia, que marcou três anos dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. A atividade foi organizada pela Frente Brasil Sem Medo, com a participação de sindicatos, movimentos sociais e organizações políticas, e contou com a presença do presidente da Adufms, José Roberto Rodrigues de Oliveira. Um dos principais destaques do ato foi a forte presença da juventude, reafirmando o protagonismo dos jovens na defesa do Estado Democrático de Direito.

Entre os jovens presentes, Paulo Phelipe, dirigente do PT e membro da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT), destacou o papel histórico da juventude na luta democrática. Ele lembrou que “os jovens foram os principais reprimidos durante a ditadura militar brasileira” e que conquistas como o voto aos 16 anos resultam da organização estudantil. Para Paulo, o 8 de Janeiro confirma uma tentativa de golpe já julgada pela Justiça e reforça que “a juventude precisa estar na rua, nas redes e nas salas de aula”, organizada para enfrentar cada vez mais as atitudes da extrema direita.

O estudante da UFMS, Henrique Prates, militante da União da Juventude Comunista (UJC/PCB), afirmou que a expressiva participação juvenil no ato reflete uma conjuntura de incertezas e precarização. Segundo ele, muitos jovens “já não têm mais nenhuma perspectiva de futuro nem de segurança”, cenário agravado pelo avanço do neoliberalismo, pelas reformas educacionais e pela informalidade no trabalho. Henrique também alertou para a influência do imperialismo e das big techs na atual conjuntura, defendendo a organização da juventude como forma de resistência democrática.

Douglas Pontes, da Unidade Popular (UP), destacou que a juventude cumpre um papel histórico de indignação e mobilização social, estando “ativamente nas ruas” para transformar a realidade. Ele lembrou que muitos jovens vivenciaram o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e os desmontes de direitos, como as reformas trabalhista e da previdência, além da precarização do trabalho e do ensino. Para Douglas, ao sentir os efeitos do avanço do fascismo, essa geração volta a se organizar e buscar alternativas que mudem a sociedade “pela raiz”.

Já Joane Stephanie, secretária de movimento estudantil da Juventude Socialista do PDT-MS, destacou a diversidade de jovens de diferentes organizações presentes na manifestação. Para ela, a juventude compreende que “viver é político” e que a educação é central para a transformação social. Estudante de pedagogia, Joane ressaltou a escola e a universidade como espaços fundamentais de formação crítica e incentivou jovens a estudar, ampliar vivências para se engajar coletivamente.

O ato teve concentração na região central da cidade e seguiu em caminhada, percorrendo o centro de Campo Grande, reunindo manifestantes com faixas e cartazes em defesa do Estado Democrático de Direito e contra qualquer forma de anistia aos golpistas. A mobilização integrou um movimento nacional realizado simultaneamente nas 27 capitais brasileiras, reafirmando a defesa da democracia em todo o país.