Marcha da Classe Trabalhadora reuniu categorias em Campo Grande e reforçou luta por direitos

A Marcha da Classe Trabalhadora de Mato Grosso do Sul reuniu sindicatos, movimentos sociais e centrais sindicais na tarde de quinta-feira, 30 de abril, na Praça do Rádio Clube, na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. Realizado na véspera do 1º de Maio, o ato levou trabalhadores às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho, com destaque para o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem corte de salários e a valorização do serviço público.

A mobilização foi organizada por entidades como FETEMS, CUT-MS e CNTE, e se consolidou como um espaço de unidade entre diferentes categorias. Além da pauta central sobre a jornada de trabalho, os manifestantes também defenderam a realização de concursos públicos, o combate à terceirização e à pejotização, a valorização da negociação coletiva, o enfrentamento à violência contra as mulheres e o fim do desconto de 14% sobre aposentadorias.

Para o presidente da Adufms, José Roberto Rodrigues Oliveira, a participação no ato representa um momento de integração entre diferentes segmentos da classe trabalhadora. Ele destacou que, mesmo que professores não estejam submetidos à escala 6×1, a luta é coletiva. “Se somar a outras pautas da classe trabalhadora brasileira, como a redução da escala seis por um, nos irmana enquanto trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou. Em sua avaliação, pensar nas condições gerais de trabalho no país é fundamental para o desenvolvimento social e econômico.

Entre as reivindicações destacadas durante a marcha, o fim do desconto de 14% para aposentados apareceu como uma das principais demandas, especialmente entre os servidores da educação. A medida foi criticada por diversas lideranças, que apontaram impactos diretos na renda de trabalhadores que já contribuíram ao longo da vida.

O vice-presidente da FETEMS e secretário de formação da CUT-MS, Onivan de Lima Corrêa, ressaltou que o ato também marcou o encerramento de uma semana de mobilização em defesa da educação pública. Segundo ele, discutir o fim da escala 6×1 significa garantir mais qualidade de vida ao trabalhador. “Pensar no fim da escala 6×1 significa dar mais tempo para o trabalhador para o seu descanso, mas também para pensar na sua família, cuidar da sua família, no seu estudo e no lazer”, afirmou. Onivan também destacou, de forma indireta, que a medida pode contribuir para a geração de empregos e reforçou a importância dos concursos públicos como forma de garantir serviços de qualidade à população.

Outra preocupação presente no ato foi o avanço de formas de contratação consideradas precárias. Lideranças alertaram para o crescimento da terceirização e para tentativas de flexibilização no trabalho docente, especialmente na educação básica, o que, segundo os manifestantes, pode comprometer a qualidade do ensino e abrir precedentes para outros níveis educacionais.

A presidente da CNTE, Fátima da Silva, destacou que o 1º de Maio deste ano está fortemente marcado pela luta contra a escala 6×1. “Esse nosso 1º de maio é voltado ao fim da jornada 6 por 1”, afirmou. Ela lembrou, de forma indireta, que, embora professores já tenham jornadas diferentes, a defesa deve abranger toda a classe trabalhadora. Em sua fala, também fez uma contextualização histórica da data, ressaltando que o Dia do Trabalhador tem origem em lutas marcadas por tragédias, e defendeu que “os trabalhadores é quem fazem a riqueza”, cobrando mais reconhecimento para a categoria.

Durante a manifestação, também houve críticas à condução de políticas públicas no estado e ao cenário político nacional. Representantes apontaram desigualdades na distribuição de recursos e questionaram prioridades governamentais, especialmente no que diz respeito a incentivos fiscais e reajustes salariais.

A deputada estadual Gleice Jane afirmou que os direitos trabalhistas são fruto de mobilização histórica e reforçou a importância da presença nas ruas. Ela criticou políticas que, segundo sua avaliação, favorecem setores mais ricos em detrimento dos trabalhadores e denunciou a carga de trabalho elevada no estado. Gleice também associou a luta trabalhista a outras pautas sociais, como o combate à misoginia, a defesa das mulheres e a garantia de direitos para diferentes grupos, incluindo aposentados e populações vulneráveis.

A Marcha da Classe Trabalhadora, realizada na véspera do Dia do Trabalhador, reforçou o caráter histórico da data como momento de celebração, mas também de reivindicação. Para os participantes, a mobilização nas ruas continua sendo uma ferramenta fundamental para pressionar por mudanças e garantir direitos.