Primeiro, todo o respeito e admiração ao povo paraguaio! Eu mesma, nascida na cidade gêmea da fronteira Brasil/Paraguai, a saber, Coronel Sapucaia, e do lado de lá, Capitan Bado, tenho cidadania brasileira porque: “Se não fosse a guerra, quem sabe hoje era um outro país”. Somado a isso, um avô paraguaio, cunhada, pessoas que admiro e amo intensamente.
No contexto latino-americano, a América do Sul sobrevive e se desenvolve sobre as contradições do imperialismo. Entre o desenvolvimento “desigual e combinado” do padrão de sociabilidade construído no capitalismo em ciclo estrutural de longa duração e os ciclos conjunturais que se abrem e se fecham pela economia política, e a teoria da dependência, que considera que o subdesenvolvimento é condição para a acumulação crescente e intensificada dos países centrais deste sistema, vamos convivendo com a construção de desigualdades muito diferenciadas entre os países de um bloco regional, como é o caso.
Dito de outro modo, as desigualdades de toda ordem que graça nosso bloco regional, que também são diferentes em cada um de seus países, é a força motriz que sustenta o alto padrão de vida dos povos ricos que se encontram por aqui, mas, que sobretudo, estão nos países industrializados e centrais do metabolismo societário e autodestrutivo do capitalismo.
Neste arranjo societário, o Paraguai viveu ainda recentemente, a ditadura militar empresarial mais longa da América Latina. Foram 35 anos sob a batuta do General Alfredo Stroessner. Só o povo paraguaio sabe as dores, tombamento em lutas, e quanto custou isso ao desenvolvimento, ao menos com justiça social para o país.
E eis que, no século XXI, o mesmo partido político da ditadura militar empresarial, o Partido Colorado (PC) – um partido que desde então, matem a hegemonia no país, hegemonia entendida na perspectiva gramsciana, que é exercida sob coerção e consenso, elege seu paladino e bom moço da extrema direita.
Como diria Marx: “a História se repete pela primeira vez como tragédia: a segunda, como farsa”.
O bom moço, no plano econômico, eleva ao máximo a intensificação da financeirização no país, o que significa dizer: a banda podre do capital que não produz emprego, mas produz ágio, usura e desigualdades infinitas. No campo político-ideológico, produz o amálgama onde se encontra o ódio como modelo de negócios, a intolerância e a dissonância cognitiva que faz os incautos acreditarem que, diante desse modelo, vão enriquecer porque é um país que não tributa, entre outras insanidades.
O banco, expressão máxima da financeirização faliu. O bom moço está sofrendo processo de impedimento e o povo está nas ruas. Antes, quis renunciar porque isto lhe faria Senador Vitalício! Que loucura! O bom moço, cabe pontuar, antes de ser vilão ou herói, é, sobretudo, expressão da classe dominante do país.
E quem é chamado para socorrer as múltiplas falências e o que mais ocorrerá depois disto que ainda não se sabe, – aliás, a História é repleta de casos de suicídios, entre outras formas de extinção da vida humana em casos similares, – O Estado! Sim! O mesmo Estado paraguaio tão elogiado pela dissonância cognitiva porque não tributa!
As veias abertas do Paraguai, são também as veias aberta da América Latina, isto disse o brilhante Eduardo Galeano em 1971.
Que o povo paraguaio saiba conduzir seu destino neste momento catastrófico! Adelante, querido povo paraguaio no qual me incluo por pertencimento, por zona de guerra e por identidade Sul-Americana!

