Carta aberta à sociedade sul-mato-grossense

07 out, 2022 Educação

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O preço da educação

A união entre estudantes, docentes e setores mobilizados da sociedade civil conseguiu reverter mais um retrocesso. Diante da pressão, o governo recuou e anunciou o desbloqueio do confisco de R$ 2,4 bilhões do MEC, sendo R$ 328,5 milhões das universidades e R$ 147 milhões dos institutos federais. No entanto, não mencionou se desbloqueará o valor integral ou parte dele.*

Os valores retirados das instituições somariam mais de R$ 763 milhões somente no ano de 2022. O impacto faria com que as instituições não tivessem condições de pagar suas contas de água, luz, despesas com pessoal, serviços de segurança, limpeza e assistência estudantil. Jair Bolsonaro chamou a medida de “contingenciamento”, no entanto, na prática, o que ocorre é um congelamento de recursos.

Mesmo com o recuo, a educação segue em risco, assim como a saúde e outros direitos básicos da população. Estamos diante de um governo que, entre outras medidas, já cortou 1,9 bilhão do programa Farmácia Popular e reduziu em até 99% o orçamento de políticas para mulheres, o que impacta no funcionamento de creches e delegacias da mulher. Com mais esses confiscos na educação, Bolsonaro prejudica a formação acadêmica em todos os níveis, com impacto na permanência estudantil e nas pesquisas. O resultado, caso não seja revertido, será o de milhões de estudantes obrigados a deixar os estudos por falta de recursos.

Para onde Bolsonaro tenta canalizar esses recursos, em pleno período eleitoral? Não é difícil saber. No final de setembro, Bolsonaro liberou R$ 3,5 bilhões para o chamado “orçamento secreto”, ou seja, conjunto de verbas destinadas a parlamentares sem necessidade de explicar para onde vai o dinheiro. Ou seja, para atender a vontade do Centrão de ficar com verbas públicas em troca de apoio eleitoral. Resumindo, creches, tratamentos de câncer, remédios da Farmácia Popular e o futuro do ensino público federal estão em risco devido a um esquema de compra de votos, operado por Arthur Lira e Jair Bolsonaro.

Conclamamos a população sul-mato-grossense a nos acompanhar nas ações contra este desgoverno inimigo da educação, da ciência, da infância e da classe trabalhadora. Precisamos de governantes que tenham compromissos com a formação desde as séries iniciais até a pós-graduação. É necessário que se mostre aos mandatários desse país que 90% da pesquisa científica no Brasil são oriundos das universidades públicas. Por isso, reafirmamos nosso compromisso com o presidente que criou 18 universidades federais, 173 campi e mais de 380 unidades de institutos federais: Luiz Inácio Lula da Silva. A educação não suportará mais quatro anos de um governo que tem por objetivo destruí-la.

Amanhã será um novo dia, com Lula contra a barbárie.

*Até a publicação desta carta, não houve confirmação do desbloqueio por meio de publicação em sistema oficial.

Assinam este manifesto:
Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Adufms)
Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Fundação UFMS e IFMS (Sista)
Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Aduems)
Associação dos Docentes da Universidade Federal da Grande Dourados (AdufDourados)
União Nacional dos Estudantes – Mato Grosso do Sul (UNE-MS)

 

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