
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Mato Grosso do Sul realizou, na última quinta-feira (15 de maio de 2026), sua assembleia no Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal em Mato Grosso do Sul (Sintsep-MS), e fez o lançamento da publicação Conflitos no Campo Brasil 2025 e do livro Tensões e diálogos: a trajetória da Comissão Pastoral da Terra em Mato Grosso do Sul, de autoria de Frei Wagner José da Rosa.
O encontro reuniu agentes pastorais, lideranças religiosas, movimentos sociais e representantes sindicais para debater a violência no campo, os desafios enfrentados pelas populações rurais e a atuação histórica da CPT no estado.
A assembleia contou ainda com a presença da Adufms, representada pelo presidente José Roberto Rodrigues de Oliveira, reforçando a articulação entre entidades sindicais e movimentos sociais ligados à defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade.
Segundo a coordenadora regional da CPT-MS, Rosani Marize Santiago, o evento foi marcado por debates sobre os conflitos agrários, a violência sofrida por comunidades camponesas, indígenas e populações das águas e das florestas, além de reflexões sobre espiritualidade e justiça social. Ela destacou que a pastoral também discutiu os impactos do agronegócio e o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, voltado à relação entre moradia e dignidade humana. “A gente denuncia o que acontece em relação à violência com os camponeses e camponesas, mas também festeja e vibra com as conquistas e com as pessoas que continuam carregando no coração esse ser pastoral”, afirmou.
O lançamento do livro de Frei Wagner ocorreu dentro da programação da assembleia e teve significado simbólico para a organização. Segundo Rosani, o religioso iniciou sua trajetória ainda jovem na CPT regional de Dourados e mantém até hoje vínculos com a pastoral.

Para Frei Wagner José da Rosa, a publicação representa o resultado de mais de dois anos de pesquisa e escrita sobre a trajetória da CPT no estado. O autor ressaltou que a obra busca compreender os conflitos, tensões e diálogos estabelecidos desde a fundação da Comissão, em 1978. Segundo ele, “é uma alegria grande poder lançar esse livro junto com aqueles que ajudaram a construir a história e continuam construindo a história da Comissão Pastoral da Terra no Estado”.
Durante a entrevista, Frei Wagner também relembrou a atuação de religiosas que participaram da fundação da CPT em Mato Grosso do Sul, entre elas a irmã Olga Manosso, presente no evento. Para ele, foram mulheres religiosas que começaram a perceber a situação de trabalhadores expulsos das terras após períodos de derrubada de matas para fazendas, dando origem à organização pastoral e às primeiras ocupações de terra no estado.
A irmã Olga Manosso, religiosa da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry e moradora do assentamento Itamaraty, em Ponta Porã, acompanha a luta pela terra desde 1973. Aos 78 anos, ela afirmou que vê com esperança a continuidade do trabalho da CPT e a participação de novas gerações nos movimentos sociais do campo. “Eu estou muito feliz de estar nesse evento, onde a gente vê novas sementes”, afirmou.

Olga também destacou que a CPT contribuiu historicamente para o enfraquecimento do latifúndio em Mato Grosso do Sul, embora ainda existam dificuldades financeiras e falta de apoio institucional aos movimentos sociais. Atualmente, ela atua de forma voluntária em projetos de agroecologia e no Movimento de Mulheres Camponesas – MMC, realizando rodas de conversa sobre violência doméstica, direitos e empoderamento feminino dentro dos assentamentos rurais.
Além do lançamento das publicações, a programação da assembleia incluiu debates sobre violência no campo, espiritualidade, organização popular e fortalecimento das redes de apoio entre trabalhadores rurais, movimentos sociais e entidades sindicais.
